DTM acredita que Mercedes e Van der Linde “causaram danos à imagem da categoria”

Chefe do DTM, Gerhard Berger admite que Mercedes e Kelvin van der Linde mancharam final da categoria com os atos da última corrida, das batidas deliberadas às ordens de equipe insistentes

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A polêmica que tomou conta da última etapa da temporada 2021 do DTM ainda causa repercussões. Na ocasião, Liam Lawson chegou à última corrida com 18 pontos de vantagem para Maximilian Götz, mas abandonou logo na primeira curva após Kelvin van der Linde, outro candidato ao título, jogar o carro em cima do neozelandês da Red Bull. Ao final da corrida, ordens de equipe da Mercedes permitiram ao alemão – que estava em 3º lugar e distante na pista – ultrapassar Lucas Auer e Phillip Ellis para chegar em primeiro e assegurar o título. Chefe da categoria, o ex-piloto de F1 Gerhard Berger admitiu que o final manchou toda a temporada e coloca uma dúvida no futuro do campeonato.

“Honestamente, dormi pouco nas últimas noites”, começou Berger em entrevista ao jornal alemão Bild. “Sou fã de automobilismo por 40 anos e meu coração de esportista não compactua com essas mudanças de posição tão artificiais. Os dois assuntos, a ordem de equipe da Mercedes e a manobra de Van der Linde, não apenas iniciaram discussões, mas causaram danos à imagem do DTM”, contou.

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Ex-piloto da Fórmula 1, Gerhard Berger é o diretor do DTM (Foto: DTM)

Líder do campeonato ao chegar à última etapa e favorito ao título, Lawson viu suas chances se esvaírem na primeira curva, com o contato de van der Linde encerrando qualquer possibilidade de uma corrida normal para o neozelandês. Lawson já confirmou que deixará o DTM após os eventos da última etapa e vira seu foco para a temporada 2022 da Fórmula 2.

“Sinto demais por aqueles que contribuíram para a atratividade do DTM nesta temporada e que fizeram de tudo para garantir que o DTM tivesse corridas duras e justas até a última delas, quando o melhor vence. Infelizmente, não conseguimos fazer isso no final e é um baque bem grande para nós aos olhos dos fãs”, continuou Berger.

Ao ser ultrapassado por Götz, Van der Linde ainda tentou novamente jogar o carro em cima do rival para impedir a passagem, mas não teve sucesso. Depois que o alemão assumiu a ponta, uma série de outros carros se juntou ao redor da Mercedes, impedindo a aproximação de outros competidores. Berger acredita que a decisão seja justa se partir do piloto, mas que a ordem para desistir de vencer uma etapa e beneficiar outro competidor é inaceitável no esporte.

“Se um piloto toma a decisão, por iniciativa própria ou interesse do time, tudo bem. Mas é o limite”, afirmou. “O que é inaceitável, entretanto, é quando times ou pilotos são ordenados a desistirem de suas posições para dar a vantagem a outros”, disse.

Momento em que Van der Linde (por fora) atinge Lawson, logo na curva 1 do Circuito de Norisring (Foto: Reprodução)

O austríaco, que disputou 14 temporadas na Fórmula 1, relembrou o episódio do GP da Áustria de 2002, ocasião em que Rubens Barrichello permitiu a ultrapassagem de Michael Schumacher quando estava prestes a vencer a corrida, em dia que ficou marcado na história do esporte a motor.

“Claro, esse problema não é recente no esporte. Em particular na Fórmula 1, existem vários exemplos que são inaceitáveis por um ponto de vista esportivo, tanto dos fãs como das outras equipes”, ressaltou Berger, lembrando do fatídico episódio da Ferrari na Áustria, em 2002. “Só preciso lembrá-lo da onda de fúria dos fãs que confrontaram a Ferrari quando Rubens Barrichello desistiu da vitória por Michael Schumacher”, lembrou.

Para ele, a situação no DTM foi diferente. Por se tratarem de pilotos de equipes teoricamente rivais – mas que correm com motor Mercedes – a situação ficou ainda pior. Götz pilota pela HRT, enquanto os dois pilotos que ocupavam as duas primeiras colocações são da Winward. Vale ressaltar que Auer, que liderava a etapa, é sobrinho de Berger.

“No nosso caso, entretanto, estamos falando de um acordo entre equipes [Winward e HRT]. É completamente diferente, e não posso aceitar nem esportivamente nem pessoalmente em nosso esporte. Isso significa que o problema ainda existe e irei lutar por uma solução. Analisaremos os fatos e espero que tenhamos uma conclusão correta sobre o que encontrarmos. Fica a cargo dos fãs decidirem se veem algo de positivo nessas manobras. Como esportista, eu certamente não vejo, porque houve uma alteração no título de pilotos”, encerrou.

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