Foi uma corrida insana, a etapa de Oschersleben do DTM. Com nove minutos para o fim, era apenas uma briga pela 12ª posição; subitamente, tinha definido a prova. Christian Vietoris largou na 16ª posição com uma Mercedes que parece funcionar como um automóvel dos Flinstones. Bom, a chuva do norte da Alemanha foi suficiente para que os carros da montadora se tornassem competitivos. E Vietoris venceu, numa corrida improvável e que terminou pelo limite de tempo – não pelo número de voltas. Primeiros pontos dele e da Mercedes, que passou longe em Hockenheim na etapa inaugural.
Em segundo e terceiro, de modo não menos surpreedente, os adversários de Vietoris durante toda a prova: Mike Rockenfeller em segundo, Edoardo Mortara na terceira colocação. Ambos no comando de uma Audi, pareciam fazer uma corrida completamente decepcionante. O atual campeão saiu de quinto, praticamente só perdeu posição e vinha fora da zona de pontos por uma distância sólida. Mortara, por outro lado, parecia ultrapassado por todo mundo a qualquer momento. No fim das contas, subiram ao pódio. Os dois e Vietoris pareciam incrédulos enquanto o hino da Alemanha tocava.
Christian Vietoris levou a Mercedes a uma vitória (Foto: DTM)
Farfus largou com pneus duros, carro pesado, perdeu várias posições no começo. Aí saiu da pista nos boxes, foi punido e fez duas paradas com metade da corrida. Parecia desastroso, mas acabou com uma quinta colocação a ser comemorada por ele – e muito. O brasileiro acabou sendo a melhor BMW na classificação, tendo ficado atrás também da Mercedes de Paul di Resta.
O DTM move agora para a Hungria, onde a próxima etapa acontece no dia 1º de junho.
Saiba como foi a etapa de Oschersleben
A estrela da largada foi Timo Scheider. Em quarto, o alemão passou Antônio Félix da Costa e Adrien Tambay, chegando à segunda colocação. Na frente, Marco Wittmann não foi ameaçado e conseguiu abrir no primeiro momento.
Entre os melhores colocados, Augusto Farfus foi o único que largou com pneus mais duros. Ainda com o peso extra imposto aos carros da BMW, o curitibano resistiu bem na largada, mas não demorou a ser ultrapassado. Com três voltas, já era 11º, passado por Gary Paffett, Robert Wickens, Miguel Molina e Joey Hand.
Uma primeira confusão se deu logo na segunda volta, com Pascal Werhlein tocando Edoardo Mortara, que rodou, mas ficou na pista e na corrida, sem maiores problemas.
Miguel Molina teve todos seus tempos na classificação que ele dominou cancelados por irregularidade técnica, mas em sete voltas já era o nono colocado. De fato, parece que o espanhol se entendeu com a pista.
A corrida começou com pista um pouco molhada, mas não o bastante para pneus de chuva. Uma minoria dos pilotos optou por pneus duros, a maior parte foi de macios. Porém, não demorou muito para que a chuva caísse com vontade, e começasse a complicar. Paffett foi o símbolo da mudança: perdeu o carro sozinho e foi para a grama. Era hora de mudar. Aí a rapa se encaminhou aos boxes para trocar. E Paffett? Não, Paffett preferiu ficar na pista de macios e levar vantagem.
A pista seguia escorregadia. Farfus saiu do traçado dos boxes para a grama. Drama do brasileiro, que foi punido com 5s por manobra perigosa na entrada do pit-lane. Cumpriu algumas voltas depois, e ainda aproveitou para utilizar os boxes que ali estavam, tão perto.
Já com os novos pneus de chuva, Robert Wickens e Molina relaram um no outro. Wickens ficou um pouco para trás, mas nada alarmante. Na curva seguinte, simplesmente saiu reto e encostou na barreira de pneus. Fim de corrida para ele, safety-car na pista.
Gary Paffett era o líder com o carro madrinha no traçado. Na relargada, ficou para trás de Timo Scheider. E depois Jamie Green, Martin Tomczyk e mais a galera.
Gary Paffett, sétimo colocado (Foto: DTM)
E toques. Em um espaço de cinco segundos, Mike Rockenfeller tocou Timo Glock, que saiu da corrida – e, bem nervoso, do carro -, e Paul di Resta também foi lá fora, relado por Maxime Martin. Até voltou, assim como a bandeira amarela e o safety-car.
Seis voltas e duas paradas de seguranças depois, a corrida trazia Tambay, Scheider, Green, Félix da Costa e Spengler nas primeiras seis colocações.
Relargada e briga pela segunda posição: Green e Scheider dividiram, se tocaram e o britânico levou a melhor. E voou uma parte de carro, também. Bela ultrapassagem de Jamie Green, que mergulhou por dentro e ganhou a posição. Scheider tentou voltar, colocou o carro por fora, mas Green defendeu e foi embora, alcançar Tambay. Logo o fez, passando de passagem para tomar a ponta. Já Wittmann errou, foi fora da pista. Voltou no meio da confusão, não causando colisão por muita sorte. Mas algumas voltas depois, levou o carro aos boxes e se retirou. Fim de corrida para o líder do campeonato.
E lembra Gary Paffett, ex-líder? Então, o pulo do gato era não ter ido aos boxes trocar seus pneus duros por de piso molhado. A dívida não demorou a ser cobrada. Todo mundo, literalmente, passou pelo Audi que patinava rodando 50s mais lento que o líder Adrien Tambay. Foi o último a perceber que não dava para fazer o que ele queria.
Entre os últimos postos também havia vida – e trapalhada. Daniel Juncadella escorregou, perdeu o controle e rodou dentro da pista. Vitaly Petrov vinha atrás, conseguiu frear, mas não deu tempo de fugir. Bateu de frente, só que com pouca velocidade. Para o russo, pouco prejuízo. Juncadella voltou ao comando apenas para levar sua Mercedes aos boxes e se retirar.
Antônio Félix da Costa, então, ganhou o prêmio de ultrapassagem fail do dia. Atrasou a freada para ganhar a terceira posição de Timo Scheider. Até passou, mas direto, foi lá fora, voltou posições atrás.
Saudades do safety-car? Ele volta. Pascal Werhlein encostou na barreira de pneus na saída da curva e foi embora. Só ele, o carro ficou lá, gritando pelo guincho. Corrida nautralizada. Os dez segundos de vantagem que Green conseguiu foram encolhidas para nada. Molina deu uma escapada da pista, mas saiu ileso.
Boa briga pela 12ª colocação. Rockenfeller atacou Mortara, não passou e ainda acabou atrás de Christian Vietoris. Aí é ele quem ataca Mortara, e passa. Em seguida, Rockenfeller também passou e a disputa de Edoardo Mortara passou a ser com di Resta e Farfus.
Lá na frente, Spengler passou Scheider sem maiores problemas. Mas parou nos boxes logo em seguida. A despeito da chuva parecer mais fraca, Spengler e Joey Hand, primeiros na última rodada de paradas, optaram pelos compostos de chuva.
Ainda restavam 13 voltas para o fim quando perceberam que não ia dar tempo de completar a prova. Só restavam nove minutos, então quase todos que ainda faltavam foram aos boxes. E surpresa: o líder Jamie Green colou pneus macios. Martin Tomczyk, segundo posicionado, preferiu não arriscar e foi de pneus de chuva.
Lembra daquela briga pela 12ª posição? Então, com tudo dito e feito, virou disputa da vitória. Mortara e Rockenfeller, com corrida conturbabada, já tinham parado duas vezes. Vietoris, na frente, não precisou da segunda parada. E foi o alemão, seguido por Rockenfeller, Mortara, Di Resta, Farfus e Molina nos seis postos da frente. E os antigos primeiros colocados Green, Tomczyk, Scheider, Tambay e Spengler, voltaram atrás de quem? Dele mesmo, Gary Paffett. Incrível que Paffett tenha sido oitavo colocado.
Christian Vietoris, então, apenas carregou o carro à vitória. A Mercedes venceu a corrida após largar com seis de seus sete carros entre os oito últimos colocados. O melhor na classificação nem completou a prova. Sobrou para Vietoris, que saiu do 16º lugar, fazer o serviço.
Jamie Green ainda deu a surpresa derradeira da corrida. Após a quadriculada ser dada ao vencedor, Green subiu na zebra na chicane, o carro levantou e ele acabou na brita e nos pneus. Pancada bem forte, até, mas nenhum problema com o britânico. Fora a dor de cotovelo, claro. No fim das contas, o piloto que melhor se colocou em condições de triunfar em Oschersleben acabou a corrida na brita. Dia doido no DTM.
Mike Rockenfeller passa a ser líder do campeonato, com 30 pontos, seguido por Vietoris e Wittmann, ambos com 25 tentos anotados.
DTM, Oschersleben, final:
|
1 |
CHRISTIAN VIETORIS |
ALE |
MERCEDES AMG |
1:15:28.785 |
|
2 |
MIKE ROCKENFELLER |
ALE |
PHOENIX AUDI |
+0.674 |
|
3 |
EDOARDO MORTARA |
ITA |
ABT SPORTSLINE AUDI |
+7.769 |
|
4 |
PAUL DI RESTA |
ESC |
MERCEDES AMG |
+8.906 |
|
5 |
AUGUSTO FARFUS JR. |
BRA |
RBM BMW |
+9.326 |
|
6 |
MIGUEL MOLINA |
ESP |
ABT SPORTSLINE AUDI |
+13.051 |
|
7 |
TIMO SCHEIDER |
ALE |
PHOENIX AUDI |
+20.503 |
|
8 |
GARY PAFFETT |
ING |
MERCEDES AMG |
+23.079 |
|
9 |
MARTIN TOMCZYK |
ALE |
SCHNITZER BMW |
+24.340 |
|
10 |
ADRIEN TAMBAY |
FRA |
ABT SPORTSLINE AUDI |
+24.620 |
|
11 |
ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA |
POR |
MTEK BMW |
+26.892 |
|
12 |
BRUNO SPENGLER |
CAN |
SCHNITZER BMW |
+27.201 |
|
13 |
MATTIAS EKSTRÖM |
SUE |
ABT SPORTSLINE AUDI |
+31.032 |
|
14 |
MAXIME MARTIN |
BEL |
RMG BMW |
+39.802 |
|
15 |
JOEY HAND |
EUA |
RBM BMW |
+44.324 |
|
16 |
NICO MÜLLER |
SUI |
ROSBERG AUDI |
+55.493 |
|
17 |
VITALY PETROV |
RUS |
MERCEDES AMG |
+1 volta |
|
18 |
JAMIE GREEN |
ING |
ROSBERG AUDI |
+1 volta |
|
19 |
MARCO WITTMANN |
ALE |
RMG BMW |
|
|
20 |
PASCAL WEHRLEIN |
ALE |
MERCEDES AMG |
|
|
21 |
DANIEL JUNCADELLA |
ESP |
MERCEDES AMG |
|
|
22 |
TIMO GLOCK |
ALE |
MTEK BMW |
|
|
23 |
ROBERT WICKENS |
CAN |
MERCEDES AMG |
|
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