Di Grassi explica que sistemas elétricos do WEC e da F-E ainda são distantes, mas tendem a se fundir

Piloto do time de endurance da Audi e de testes da F-E, Lucas Di Grassi explicou as diferenças que envolvem as duas categorias no âmbito do uso de energia elétrica nos carros

Embora os conceitos ainda sejam muito diferentes, os sistemas elétricos usados atualmente no Mundial de Endurance e na F-E tendem a se fundir no futuro, na opinião de Lucas Di Grassi. Piloto da Audi no WEC e de desenvolvimento da nova categoria da FIA, o brasileiro acredita que, nos próximos anos, o aprimoramento da tecnologia elétrica fará o automobilismo se aproximar mais do conceito da F-E.

A partir de 2014, os carros do Mundial de Endurance passam a contar com uma capacidade elétrica bem maior na classe LMP1 – Audi e Toyota já utilizam protótipos híbridos desde 2012, e a Porsche entra na briga neste ano.

O novo regulamento impõe uma quantidade máxima de joules que cada carro poderá gastar por volta – o que ainda está sendo tratado pelas equipes junto à FIA e ao ACO com base nos resultados dos primeiros testes –, voltando os olhares dos engenheiros para a busca por maneiras de se otimizar o consumo de combustível.

Di Grassi é o responsável pelos testes da F-E (Foto: Divulgação/F-E)

No caso do R18 e-tron quattro, da Audi, serão utilizados dois motores híbridos que se baseiam na recuperação de energia: um aproveitará a energia cinética, e o outro, a energia térmica. Esse segundo sistema está ligado ao motor de combustão interna, um turbodiesel nos protótipos alemães.

Já na F-E, o carro é movido exclusivamente por energia elétrica.

Di Grassi explica ao GRANDE PRÊMIO: “Não tem nada a ver um com o outro. No Audi, é mais um supercapacitor, que recupera energia. Na F-E, você carrega na rede elétrica. Também recupera um pouco, mas é mais bateria do que supercapacitor.”

“Eu acho que a tecnologia vai se fundir ainda mais no futuro. Já tem algumas coisas que dá para trocar de um lado para o outro, mas acho que, cada vez mais, vai se fundir do caminho do híbrido para o caminho do elétrico. A tendência é você usar essa tecnologia que a F-E vai desenvolver nos carros híbridos, e o que os híbridos têm na F-E”, analisou. Uma via de mão dupla.

Nesta segunda-feira, Di Grassi faz uma demonstração com o bólido da F-E nas ruas de Las Vegas, nos Estados Unidos. Em entrevista à REVISTA WARM UP de novembro, ele falou mais a respeito dos objetivos da F-E.

Novo carro da Audi para o WEC (Foto: Audi)

O NOVO E-TRON

Di Grassi teve um breve contato com o e-tron no início dos testes, mas já tem noção de como a vida dos pilotos será diferente dentro do novo modelo. “Do ponto de vista do piloto, muda que você vai ter que ser tão rápido quanto, mas vai ter que desenvolver técnicas para economizar combustível e energia. É algo que não acontecia no passado”, disse.

“Tem que tirar o pé nas retas, Às vezes usar uma marcha a mais nas curvas – se fazia em segunda, faz em terceira –, tem algumas técnicas para isso”, acrescentou. Apesar disso, o tempo de volta “deve ficar parecido com o que é atualmente.”

Outra alteração é que a posição de dirigir no cockpit mudou para melhor, com o banco ligeiramente mais alto, bem como a aparência. “Ficou bonito pra cacete, né? Ficou muito legal o carro com as cores novas”, riu. O expediente que ele seguirá com a Audi no WEC ainda não foi confirmado, mas a chance dele ser escolhido para substituir o escocês Allan McNish, que se aposentou, é alta.

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