Incrível, surreal e top-10 inesperado: Calderón fala da estreia nas 24 Horas de Le Mans

A colombiana exaltou a primeira experiência na corrida de longa duração, a parceria com Beitske Visser e Sophia Flörsch e já espera a corrida do ano que vem

Tatiana Calderón não poderia ter ficado mais satisfeita com a primeira participação nas 24 Horas de Le Mans. Companheira de Beitske Visser e Sophia Flörsch na Richard Mille, time totalmente estreante e feminino, terminou na nona colocação da classe LMP2 e avaliou a experiência como incrível e surreal, já ansiosa para a corrida do ano que vem.

O trio da equipe suíça começou o bom desempenho ainda na classificação, quando alinharam na 25ª colocação do grid total e na 20ª posição da classe. Na prova, com 5000 km rodados, mantiveram velocidade média de 351 km/h para receber a bandeira quadriculada na 13ª posição geral.

“Foi surreal, uma das melhores experiências de minha carreira. Você pode ter assistido vídeos e todas as corridas anteriores, mas realmente estar lá e pilotar em Le Mans é único, especialmente durante a noite”, contou Calderón ao GRANDE PRÊMIO.

“Infelizmente, não havia público desta vez, então, não posso imaginar como é legal a parada de pilotos. Espero que tenha a experiência completa no próximo ano, mas já percebi o motivo de ser a corrida mais famosa e desafiadora do mundo. Com certeza não vou esquecer minha primeira vez”, seguiu.

O trio da Richard Mille (Foto: François Flamand / DPPI)

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“Cada vez que eu entrei no carro foi diferente. Comecei a corrida, então, é claro, estava nervosa e um pouco tensa considerando que tivemos pouco tempo de treino na quinta-feira. Começar e terminar com certeza foi muito especial, momentos tão intensos e incríveis para se viver como pilota”, emendou.

“A cada stint ficava mais confortável, ia cada vez mais rápido. No último stint, já tinha muita confiança e fiquei muito feliz de ser capaz de trazer o carro para o final após o grande esforço do time e minhas companheiras”, completou.

A colombiana ficou com duas importantes missões da prova: começar e terminar o carro. Ao falar do assunto, admitiu que “há muita responsabilidade e pressão que vêm com isso, mas amei cada segundo e significou que confiaram em mim para fazer isso. São momentos que nunca esquecerei. Começar a corrida junto com alguns dos melhores pilotos do mundo, incluindo alguns ex-F1, além de meu ídolo de infância Juan Pablo Montoya, foi uma grande experiência.”

“Claro, fiquei um pouco nervosa no início, mas depois que está na zona e se foca em seu trabalho, começa a ganhar ritmo e apenas quer continuar e melhorar. Claro, cruzar a linha de chegada foi muito especial, ali você valida o esforço de todos e a sensação foi apenas incrível. Foram tantas emoções. Terminar a corrida após todo o esforço e estar no top-10 com três estreantes em um grid tão competitivo foi ótimo”, destacou.

Mas é claro que, em uma prova de 24 horas, onde cada pilota teve de cumprir quatro stints triplos, houve momentos difíceis. “Acho que o mais difícil é quando tem de andar à noite. Só pilotei durante a noite em um treino livre e é muito difícil de se adaptar, especialmente quando o seu stint é às 2h, mas você começa novamente a se sentir bem a cada volta. Também tive um longo período de safety-car e fiquei entediada”, brincou. “Você quer começar a acelerar e seguir o trabalho.”

Calderón com o ídolo de infância Montoya em Le Mans (Foto: François Flamand / DPPI)

Sobre o bom resultado, a pilota de 27 anos, que destacou o ótimo relacionamento com as companheiras holandesa e alemã, admitiu que o principal objetivo não era um top-10, mas sim cruzar a linha de chegada. “Tínhamos uma ótima atmosfera, pilotamos muito semelhante e isso ajuda muito a encontrar um bom acerto. Compartilhamos muito e nos divertimos bastante. São duas ótimas companheiras e é claro que senti falta de Katherine [Legge], espero que a vejamos de volta logo”, disse.

“Quando li os pilotos da LMP2 fiquei impressionada pelo alto nível. Acho que é um dos mais competitivos e estávamos brigando contra 24 carros. Nosso objetivo era terminar a prova, o que já é um grande desafio. Então, é claro que ficamos muito satisfeitas em terminar em nona. Não cometemos nenhum erro, as paradas foram excelentes e o time foi perfeito”, pontuou ao GP.

“Esse foi o primeiro gostinho e com certeza quero voltar. Essa corrida é incrível, o desafio de se manter focada, não cometer erros a 330 km/h, lidar com o tráfego, correr à noite, dormir, ou ao menos tentar, e estar pronta para correr novamente. Aproveitei cada segundo e espero que tenha a oportunidade de correr novamente no ano que vem”, falou.

E desde o encerramento da prova conseguiu dormir o suficiente? Tata, como é conhecida, disse que “não consegui dormir mais que 30 minutos durante a corrida. Isso é algo que preciso trabalhar, mas nunca me senti cansada no carro e quero agradecer meu treinador, Xavier Feuillee, da Perform 321, que fez um ótimo trabalho com todo o time.”

O carro #50 da Richard Mille (Foto: Photo Xavi Bonilla / DPPI)

“Conseguiu nos deixar com energia máxima para darmos o máximo em cada stint e também nos ajudou com a comida na pista. Fui dormir às 21h do domingo e acordei 9h do dia seguinte, mas senti que ainda precisava de mais dois dias de sono para me recuperar completamente”, destacou.

Calderón também vê a importância do bom resultado em Le Mans para estimular novas pilotas a buscarem seus objetivos nos mais diferentes níveis do esporte a motor. “Sim, é claro. Acho que, no geral, teve uma boa cobertura e é disso o que precisamos. Espalhar a mensagem, mudar a percepção e mostrar para jovens garotas que podem conseguir isso. Às vezes, é preciso ver para acreditar e definitivamente queremos incentivar essa mudança e encorajar mais garotas e mulheres a participarem de todos os níveis em nosso esporte”, sublinhou ao GP.

Pela nova experiência em um carro tão diferente de que está acostumada e em uma prova tão longa, lições é o que não faltaram a Tatiana, que elencou todas elas. “É difícil nomear apenas uma. Aprendi muito durante todo o fim de semana em diferentes aspectos. A ser uma companheira de equipe, onde tem de compartilhar todas as informações. Vir de uma categoria de monoposto onde todos são seus adversários é muito diferente”, disse.

“Aprendi a poupar combustível, ter um melhor entendimento da corrida, saber as limitações dos pneus, lugares para ultrapassar. Realmente acho que corridas de endurance te torna um piloto mais completo porque tem de ser rápido, mas também poupar combustível, ser bom em completar multitarefas, a cada volta tem tráfego, então, tem de tomar a decisão rapidamente, reagir a tantas coisas na pista, é realmente um desafio incrível. Também aprendi que os carros são tão bons agora que parece ser uma corrida Sprint, pois é necessário acelerar durante as 24 horas. É absolutamente incrível”, concluiu.

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