Endurance

Sete homens e um destino: entre sonho da estreia e luta por título, esquadrão brasileiro disputa 24h de Le Mans

Espalhados pelas quatro categorias em disputa nesta semana em Le Mans, Bruno Senna, André Negrão, Daniel Serra, Augusto Farfus, Pipo Derani, Felipe Fraga e Rodrigo Baptista representam o Brasil na principal corrida de endurance ao longo de 2019. Uma lista formada por quem já teve a chance de vencer em La Sarthe, pilotos muito experientes e dois novatos na prova. Em comum, a eterna vontade de vencer

Grande Prêmio / FERNANDO SILVA, de Sumaré
 Pipo Derani, Augusto Farfus, Bruno Baptista, Daniel Serra, Bruno Senna, André Negrão e Felipe Fraga (Foto: José Mário Dias)
A 87ª edição das 24 Horas de Le Mans traz um número recorde de pilotos inscritos: nada menos que 186, oriundos de 31 países. O automobilismo brasileiro está mais do que bem representado nesta semana em La Sarthe com alguns dos melhores competidores do país, espalhados pelas quatro categorias em disputa, com as atividades tendo início na quarta-feira no icônico circuito de 13 km.
 
Bruno Senna corre pela Rebellion na classe LMP1, a mais rápida da prova. André Negrão corre pelo título mundial na LMP2 com a Signatech Alpine. Daniel Serra, Augusto Farfus e Pipo Derani disputam a prova na classe LMGTE-Pro defendendo AF Corse, BMW e Risi Competizione, respectivamente. Mais jovem campeão da Stock Car, Felipe Fraga estreia em Le Mans pela Keating Motorsports. Rodrigo Baptista, campeão da Porsche Cup há dois anos, também debuta como membro da equipe JMW Motorsport.
 
A média de idade do esquadrão brasileiro em Le Mans é relativamente baixa: apenas 28,7 anos. Senna, Serra e Farfus têm 35; André Negrão tem 26 anos, Fraga, 23 e Baptista, o caçula do grupo, tem 22.
 
Em comum aos sete pilotos, há a eterna vontade de vencer em Sarthe. Dois deles já tiveram o gostinho de triunfar recentemente em Le Mans: na sua primeira vez na maior corrida de resistência do mundo, Serra venceu com a Aston Martin na classe LMGTE-Pro, em 2017. No ano passado, o campineiro André Negrão só pôde comemorar a conquista na LMP2 quatro meses depois da bandeirada. A G-Drive foi punida depois de ter terminado em primeiro por conta de uma irregularidade em uma peça dos Oreca 07 Gibson em da equipe, recorreu, mas perdeu na justiça.
Augusto Farfus, Bruno Baptista, Pipo Derani, Daniel Serra, Bruno Senna, André Negrão e Felipe Fraga (Foto: José Mário Dias)
Sobrinho de Ayrton Senna, Bruno tem uma carreira consolidada no automobilismo há tempos, sobretudo no endurance. Envolvido de forma integral às corridas de longa duração desde 2016, Senna faturou o título mundial no ano passado na classe LMP2 antes de subir com a equipe suíça Rebellion para a LMP1 na supertemporada 2018/19. 
 
Ao lado dos experientes e vitoriosos Andre Lotterer e Neel Jani, Senna vai para sua sétima participação em Le Mans, tendo o quarto lugar do ano passado como seu melhor resultado. A Rebellion desponta como grande candidata ao título informal de melhor protótipo não-híbrido. O favoritismo é todo das Toyota, mas Le Mans sempre prepara suas surpresas aqui e ali.
 
Oriundo de uma família de pilotos, André Negrão já alcançou a glória, ainda que tardia, em Le Mans, e agora corre de novo em La Sarthe com outro grande objetivo: o título do Mundial de Endurance na LMP2. O brasileiro, dono de vistosa carreira no endurance depois de ter trilhado o natural caminho dos monopostos anos atrás, lidera ao lado dos seus companheiros de equipe, os franceses Nicolas Lapierre e Pierre Thiriet, com 143 pontos, contra 139 de Gabriel Aubry, Ho-Pin Tung e Stéphane Richelmi, da Jackie Chan Racing.
 
Assim como Negrão, Serra já saboreou o gosto da vitória em Le Mans, e logo na sua primeira vez na prova, com a Aston Martin Racing, há dois anos. O paulista vive grande fase na carreira e vem sendo o protagonista da forte Stock Car desde 2017. Bicampeão da principal categoria do automobilismo brasileiro, além de brilhar tanto no SportsCar como no Endurance Brasil, Daniel vai correr em Le Mans pela terceira vez seguida, sendo a segunda pela AF Corse, a equipe oficial da Ferrari na classe LMGTE-Pro. O trio da Ferrari 488 GTE EVO #51 é dos melhores e formado também pelo italiano Alessandro Pier Guidi e o britânico James Calado.
 
Augusto Farfus é outro piloto de muita bagagem a representar o Brasil na LMGTE-Pro. No entanto, para o experiente curitibano, as 24 Horas de Le Mans desse ano representam uma espécie de despedida, ou quase isso. É porque a BMW recentemente anunciou uma brusca mudança de planos e decidiu tirar seu time de campo no WEC, focando no DTM e na Fórmula E, ficando com as operações no endurance de forma restrita ao SportsCar.
 
Dono de uma experiência grande e vitoriosa em corridas de longa duração, com participações de sucesso em provas como as 24 Horas de Daytona, Spa-Francorchamps, Nürburgring, além das 12h de Bathurst, por exemplo, ‘Ninho’ vai para sua quarta vez em Le Mans. No adeus da BMW ao WEC, Augusto sonha com um desfecho dourado para completar o curto ciclo da marca bávara no Mundial de Endurance. Farfus vai compartilhar o volante da M8 GTE com o amigo e grande piloto luso António Félix da Costa e o finlandês Jesse Krohn.
 
Pipo Derani é bastante jovem, mas já vai para sua quinta participação nas 24 Horas de Le Mans. O paulistano tem no currículo vitórias marcantes nas 24 Horas de Daytona e nada menos que três triunfos nas 12 Horas de Sebring. Ficou bem perto de triunfar em Le Mans, terminando em segundo lugar no ano em que Daniel Serra conquistou a vitória na LMGTE-Pro.
 
Em meio a uma temporada muito forte como líder do SportsCar ao lado de Felipe Nasr na Action Express nos Estados Unidos, Derani cruzou o Atlântico para desembarcar em La Sarthe com condições reais de fazer um bom papel. Sua equipe, a ítalo-americana Risi Competizione, tem muita tradição em Le Mans e um histórico de vitórias na pista, sendo duas delas com Jaime Melo. Pipo vai guiar a Ferrari 488 GTE EVO #89 tendo o experiente Oliver Jarvis e o jovem Jules Gounon como companheiros de equipe.
 
Felipe Fraga e Rodrigo Baptista vivem o sonho de correr em Le Mans, uma das ‘mecas do automobilismo’, pela primeira vez. Fraga, que brilha na Stock Car desde 2014 como o mais jovem vencedor e, anos mais tarde, também o mais jovem campeão da história da categoria, vem cada vez mais ganhando notoriedade no endurance. O paraense criado no Tocantins já participou com destaque de provas como os 1.000 Km de Paul Ricard, as 10 Horas de Suzuka e teve grande atuação nas 24 Horas de Daytona deste ano, o que lhe valeu o convite de Ben Keating para correr pela primeira vez em Le Mans.

 
Fraga vai acelerar o Ford GT #85 pela classe LMGTE-Am ao lado de Keting, dono da equipe que leva seu sobrenome, e de Jeroen Bleekemolen, holandês dono de muita experiência e que inclusive já teve a chance de atuar como convidado de Valdeno Brito em duas edições da Corrida de Duplas da Stock Car.
 
Bruno Baptista completa o esquadrão brasileiro em Le Mans com a chance de correr com uma Ferrari 488 GTE EVO da equipe JMW Motorsport. Tendo ao seu lado o norte-americano Jeff Segal e o sino-canadense Wei Lu, o campeão da Porsche Cup em 2017 deu sequência à carreira correndo na Europa e nos Estados Unidos. Também egresso de uma família repleta de pilotos, Bruno dá o maior passo da carreira até o momento com a oportunidade recebida para estar no meio de alguns dos maiores nomes do automobilismo mundial.

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