Guia 2026: Ferrari abre temporada como rainha do WEC e vê rivais correndo atrás
Depois de um leve atraso por conta do adiamento dos 1812 km do Catar, o WEC dá início à temporada 2026 neste final de semana, em Ímola. Portanto, fique por dentro de como chega o Mundial de Endurance para mais uma edição do campeonato
O Mundial de Endurance (WEC) deveria estar na segunda etapa da temporada 2026, mas, com a escalada militar no Oriente Médio, os 1812 km do Catar foram adiados e a abertura do campeonato foi jogada para este final de semana, nas 6 Horas de Ímola. Portanto, fique por dentro de como chega a categoria para inaugurar a 15ª edição do WEC desde a refundação do campeonato, em 2012.
A temporada 2026 do WEC começa com uma narrativa principal bastante notória: a Ferrari no topo da classe Hipercarro. Depois de dominar as 24 Horas de Le Mans nos dois anos anteriores, a esquadra italiana não apenas zerou a prova ao vencer também com a AF Corse #83, como também conquistou o Mundial de Pilotos e de Construtores pela primeira vez na história desde o retorno de Maranello ao campeonato, em 2023.
No ano passado, Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi levaram a taça a bordo do #51, que puxou uma trinca da marca italiana nas três primeiras posições do campeonato. Com isso, resta à Ferrari apenas o óbvio: manter a hegemonia construída na temporada 2025. No entanto, entre todas as missões já encaradas pela equipe até então, essa tende a ser a mais complicada.
Muito do domínio da Ferrari em 2025 foi construído na metade inicial do ano, com etapas no Catar, em Ímola, em Spa-Francorchamps e em Le Mans. No entanto, neste ano, o campeonato começa com muitas equipes trazendo atualizações e prometendo elevar o sarrafo em 2026. Além disso, Lusail, que foi uma pista muito generosa com a escuderia vermelha no ano passado, foi jogada para outubro e não servirá como um ponto de início para o calendário desta vez.
Ainda assim, a Ferrari faz um ótimo trabalho para manter a equipe unida e estática desde que retornou ao pináculo do endurance mundial. No ano passado, a equipe trabalhou para renovar e manter Antonio Giovinazzi, Nicklas Nielsen e James Calado no grid em 2026, o que garante a manutenção dos trios originais do #50 e #51. A AF Corse também renovou com Robert Kubica e Phil Hanson, vencedores em Le Mans, para também manter o trio do #83.
Enquanto a Ferrari aposta na manutenção da equipe como trunfo para seguir no topo com a 499P, as demais equipes adotaram estratégias distintas para darem um passo além na competitividade em pista e ameaçarem a rainha do WEC.
A Toyota, por exemplo, fez a primeira atualização do GR010 Hybrid em três anos e introduziu um pacote que promete deixar a equipe competitiva mesmo com as limitações do Balanço de Performance (BoP), algo que foi muito citado em 2025 como o principal inimigo da marca japonesa. No ano passado, apesar de ficar em segundo entre os Construtores e vencer a rodada final, no Bahrein, a Toyota viveu uma campanha apática e de coadjuvante, sem conquistar pódios nas primeiras sete etapas do calendário do WEC.

Depois de tantos anos de domínio e títulos, o sinal vermelho foi acionado na equipe, que promete ser mais competitiva com o TR010 Hybrid, nome dado ao novo carro da Toyota para 2026. Entre os pilotos, o time também mantém os trios neste ano, com Mike Conway, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries no #7, enquanto Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryo Hirakawa guiam o #8.
Outra equipe que apostou nas atualizações para 2026 foi a Cadillac, que venceu pela primeira vez na história nas 6 Horas de São Paulo e fechou a temporada no terceiro lugar entre os Construtores. Neste ano, a equipe norte-americana introduziu um novo pacote aerodinâmico ao V-Series.R e já deu boas voltas com a novidade, já que também disputa o IMSA SportsCar, que começou em janeiro.
Com essa vantagem competitiva, a equipe operada pela Jota espera começar 2026 no mesmo ritmo em que encerrou 2025 e tentar se consolidar ainda mais no ‘WEC A’, em especial depois da saída da Porsche ao final da temporada passada. Na escalação, a Cadillac conta com a chegada de Jack Aitken para substituir Jenson Button, que se aposentou. O britânico, no entanto, será desfalque na abertura do calendário por já ter compromisso com a Action Express no IMSA SportsCar, em Long Beach.
Inclusive, por falar na saída da Porsche, que é uma perda irreparável à esta altura, o grid do WEC é recompensado com a chegada da Genesis, marca coreana que passou o ano inteiro de 2025 se preparando para este momento. A tendência é de que a equipe sofra no começo de temporada, especialmente pelo severo BoP que deve receber, mas o elenco composto por Pipo Derani, André Lotterer, Matheys Jaubert, Mathieu Jaminet, Paul-Loup Chatin e Daniel Juncadella tende a ser um dos mais fortes e consistentes do campeonato.

Um passo à frente da Genesis está a Aston Martin, que parte para a segunda campanha na classe Hipercarro do WEC e viveu um ano complicado em 2025, como esperado. Com duplas para começar a temporada, a equipe pretende elevar o nível de competitividade neste ano, mas sem perspectivas de brigar por vitórias, até por não ter uma escalação das mais fortes.
Ainda assim, a evolução no ano passado e o pódio conquistados no IMSA SportsCar na Petit Le Mans evidenciaram que a Aston Martin está pronta para, ao menos, se colocar constantemente na briga dentro do ‘WEC B’.
E por falar na metade de baixo da categoria, Alpine e Peugeot se preparam para um ano, no mínimo, estranho. Por um lado, a marca filiada à Renault anunciou a saída do grid ao final de 2026 e, mesmo com o reforço de António Félix da Costa, perdeu demais no mercado de pilotos com as saídas de Paul-Loup Chatin, vencedor em Fuji no ano passado, e de Mick Schumacher, que teve um ano sólido em 2025 e prometia uma carreira de sucesso no endurance. No entanto, abandonou o barco e foi sofrer na Indy.
Por outro lado, a A424 recebeu atualizações para esta temporada e abandonou o conceito de baixo downforce, o que pode ser uma última sobrevida à equipe que parece estar contando os dias para deixar o automobilismo como um todo.

Já a Peugeot, que viveu um ano turbulento e de muitos rumores acerca da produção de um novo carro em breve, vai para a temporada 2026 do WEC sem mudanças significativas na 9X8 após esgotar todos os EVO jokers até o final de 2027. Mesmo mantendo conversas com os organizadores da categoria para tentar receber atualizações extras por falta de desempenho, as expectativas são baixas para a marca francesa em 2026.
Evidentemente, ainda falta falarmos de uma equipe da classe Hipercarro: a BMW. A marca alemã é uma grande incógnita para 2026 após não brilhar no WEC no ano passado, com apenas um pódio conquistado e sem vencer provas. Para este ano, o M Hybrid V8 passou por atualizações significativas na aerodinâmica, prometendo dar o passo a mais que a equipe busca desde o começo da última campanha.
No total, cerca de 50% da carroceria foi revisado, o que dá à BMW um carro praticamente novo para a temporada 2026 do WEC.
LMGT3: Manthey defende título depois de briga acirrada em 2025
Obviamente que o grid do Mundial de Endurance não se limita aos hipercarros, que dividem a pista com a classe LMGT3. Por lá, a competitiva Manthey dá início à defesa do título de 2025, mas com um grupo repaginado de pilotos. O trio do Porsche #92, que faturou o título no Bahrein, não contará com o piloto bronze Ryan Hardwick, que dá lugar a Yasser Shahin, que sofreu com a BMW da WRT no ano passado.

Por outro lado, os campeões Riccardo Pera e Richard Lietz retornam para a temporada 2026. No Porsche #91, a escalação é completamente nova, com James Cottingham, Timur Boguslavskiy e Ayhancan Güven.
A Ferrari #21, que terminou o ano em segundo e vem forte em busca do título mais uma vez, segue com o mesmo trio de 2025, composto por François Hériau, Simon Mann e Alessio Rovera, que está de contrato renovado para o WEC 2026. O Lexus #87, que venceu as 6 Horas de São Paulo e completou o top-3 do campeonato, também segue igual, com José María López, Clemens Schmid e Petru Umbrarescu.
Entre os brasileiros, Augusto Farfus está de volta e com um ‘novo velho trio‘, composto por Darren Leung e Sean Gelael, mesma escalação de 2024. Na ocasião, o brasileiro teve um ano de brilho junto da dupla, conquistando uma vitória e dois pódios na temporada, o suficiente para o trio da WRT somar 85 pontos e ficar em quarto no campeonato.
Já Dudu Barrichello, que foi a sensação da temporada passada ao conquistar o prêmio de Revelação do WEC, estará mais focado no IMSA SportsCar, mas também presente no Mundial de Endurance. Desta vez, formará o trio da Heart of Racing com Gray Newell e Jonny Adam.
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O WEC dá início à temporada 2026 com as 6 Horas de Ímola, inicialmente a segunda etapa do calendário, mas que agora abre o campeonato entre os dias 17 e 19 de abril.
6H de Ímola do WEC 2026: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique
| Data | Sessão | BRA* | CBV | POR/ANG | MOZ |
| Sexta-feira (17) | Treino livre 1 | 5h15 | 7h15 | 9h15 | 10h15 |
| Sexta-feira (17) | Treino livre 2 | 10h15 | 12h15 | 14h15 | 15h15 |
| Sábado (18) | Treino livre 3 | 5h30 | 7h30 | 9h30 | 10h30 |
| Sábado (18) | Classificação | 9h30 | 11h30 | 13h30 | 14h30 |
| Domingo (19) | Corrida | 8h | 10h | 12h | 13h |
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