“Acidente mudou minha vida para sempre”: Grosjean admite ano sabático em 2021

Piloto da Haas falou em voltar à Fórmula 1 em Abu Dhabi para ver se ainda quer correr ou se sente medo, mas deixou claro que já pensa em não correr em lugar nenhum no próximo ano

Romain Grosjean assumiu que pode passar um ano sem correr após o grave acidente que sofreu no GP do Bahrein. Inicialmente, o franco-suíço cogitava uma mudança para a Indy, mas agora quer descobrir primeiro se ainda tem a mesma paixão e se não tem medo, por exemplo.

O piloto de 34 anos passou três noites no hospital, mas foi liberado na quarta-feira. Romain segue no Bahrein e tenta se recuperar para correr em Abu Dhabi, última etapa do campeonato de 2020.

No domingo passado, Grosjean procurava espaço para ultrapassar ainda nos primeiros metros do GP do Bahrein, mas tocou na AlphaTauri de Daniil Kvyat e seguiu em alta velocidade na direção do muro. O guard-rail não conteve o bólido, que partiu ao meio e explodiu após um impacto de 53G.

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Romain Grosjean ressaltou a necessidade de ter pessoas treinadas nas pistas da F1 (Foto: Reprodução)

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Romain ficou 28s sob fogo, mas conseguiu sair sozinho do carro e pular o que restava do guard-rail para ser amparado pela equipe médica da Fórmula 1, que chegou prontamente ao local do acidente. O franco-suíço teve queimaduras nas mãos e no tornozelo.

“Estava rápido demais, mas não sabia que tinha tocado Kvyat”, disse Grosjean à imprensa francesa. “Não o vi. Estou incomodado por tê-lo cortado, mas ele estava no meu ponto cego na saída da curva 1. Olhei duas vezes no retrovisor, porque saí da curva mais rápido do que os outros”, relatou.

“Tinham detritos na esquerda, então me coloquei na direita. Para mim, não tinha ninguém lá. Foi um toque leve, mas aí teve o choque com a barreira, que não pareceu violento. Eu fechei os olhos”, detalhou.

Ao perceber as chamas, Grosjean contou que pensou que acabaria “como Niki Lauda”.

“Estava tudo laranja, o que foi muito estranho, mas entendi que estava pegando fogo quando o plástico na minha sobreviseira pegou fogo”, falou. “Tentei sair, mas não consegui, então disse a mim mesmo que não era possível, não podia terminar daquele jeito. Tentei mais uma vez, mas ainda estava preso. Sentei mais uma vez. É um momento estranho quando você vê a morte tão perto quanto eu vi”, reconheceu.

“Pensei em qual parte queimaria primeiro e se iria doer. Sofri um impacto de 53G na minha cabeça, então, obviamente, estava um pouco atordoado. Mas aí fiz força como um louco, pois meu pé esquerdo estava preso embaixo do pedal”, relatou. “Disse a mim mesmo que ainda não tinha escorregado para o outro lado, então coloquei as minhas mãos no fogo e as luvas ficaram todas pretas, eu senti dor. Sabia que estava queimando as mãos, mas era a solução para viver”, justificou.

O piloto da Haas relatou que começou a “tremer por causa da dor” no centro médico, onde Jean Todt, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) apareceu pedindo o telefone da esposa de Romain, para que pudesse falar com ela.

Ainda, o franco-suíço contou que “não teve problema” em ver as imagens, mas ressaltou que a Fórmula 1 precisa tirar lições do que aconteceu com ele.

“Temos de entender a razão de as minhas luvas terem queimado tão rápido, e o motivo de meu apoio de cabeça ser saído e me bloqueado. Podemos melhorar isso”, opinou. “Mas capacete, roupa intima e macacão foram incríveis, porque foi isso que me salvou. Também precisamos entender o motivo de a barreira ter aberto daquele jeito. Jean me pediu para ir a FIA e trabalhar com eles”, falou.

Romain contou, também, que Sebastian Vettel foi visitá-lo no hospital na segunda-feira e os dois chegaram à conclusão de que é preciso “ter fiscais treinados, talvez os mesmos em todos os lugares”.

“O que me salvou é um bombeiro militar profissional. Aquele senhor sabia exatamente o que estava fazendo e me salvou”, reconheceu.

Por fim, Grosjean, que antes pensava em uma mudança para a Indy, deixou claro que a prioridade no momento é correr em Abu Dhabi e, depois, ver como se sente.

“Quero descobrir do que sou capaz, se ainda quero fazer isso, se minha paixão ainda está lá, se não estou com medo”, afirmou. “Minha dúvida não é se esse acidente pode acontecer outra vez, mas de jamais querer que meus entes amados passem por isso tudo outra vez”, apontou.

“Há uma semana, ficar um ano fora parecia impossível. Hoje, disse a mim mesmo que poderei fazer kitesurf, pedelar, ver meus filhos, me divertir, beber um bom vinho. Esse acidente mudou minha vida para sempre”, completou.

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