Alonso vê anos 2000 como melhor fase da F1 e cita domínio da McLaren com Senna e Prost: “As corridas eram muito chatas”

Fã da McLaren-Honda justamente devido ao domínio da equipe britânica com Ayrton Senna e Alain Prost, Fernando Alonso entende que o período não foi bom para a F1 porque tornou as corridas muito chatas. Em contrapartida, o bicampeão do mundo entende que o melhor momento para o esporte foi nos anos 2000 com a chegada de novas montadoras e da ida para novos horizontes

 

Muito mais do que um bicampeão mundial de F1, Fernando Alonso é um amante e estudioso do esporte. E como tal, se permite a comentar sobre a categoria em diversas épocas. O espanhol sempre se declarou um grande fã da McLaren-Honda antes mesmo de ser o líder da união entre a escuderia de Woking e a montadora japonesa. Entretanto, Alonso entende que a época de domínio de Ayrton Senna e Alain Prost, no fim dos anos 1980 e começo da década de 1990, foi bastante chata para a F1, que tinha muitas corridas previsíveis e desprovidas de emoção. 

 
Em contrapartida, Fernando entende que a década de 2000, que marcou a entrada de montadoras como a BMW, Toyota e Honda, além da adoção dos motores V10, foi a melhor da F1, quando os índices de audiência subiram de forma destacada. Porém, esta mesma década foi marcada, antes dos dois títulos mundiais de Alonso, de um enorme domínio da Ferrari com Michael Schumacher, que faturou cinco dos seus sete títulos mundiais entre 2000 e 2004. Foi com Schumacher, aliás, que Alonso travou grande rivalidade antes de faturar o bicampeonato em 2006.
 
Ao falar à revista britânica ‘Autosport’ sobre o domínio de Senna e Prost na McLaren no passado, Alonso não se furtou ao avaliar. “A F1 era muito chata naquela época. Se você assistir agora a uma corrida de 1985, 1988 ou 1992, você vai dormir durante a corrida porque nela só estavam as McLaren, o quarto colocado levava uma volta e havia 25s entre cada carro. Havia dez carros abandonando porque a confiabilidade não era boa.”

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A McLaren dominou a F1 no fim dos anos 1980 e começo da década de 1990 (Foto: Getty Images)
“Agora os índices de audiência e os espectadores estão caindo, como aconteceu nesses anos chatos na década de 80, quando Senna, Prost e o pessoal tinha de economizar combustível, poupar pneus e coisas assim, então agora é chato da mesma forma como era naquela época”, salientou.
 
No entanto, a avaliação de Alonso ao falar sobre a F1 nos anos 2000 é bastante positiva. “Acho que a F1 cresceu muito. Muitas montadoras entraram na F1 nos anos 2000: BMW, Toyota, havia muita gente chegando. Os números de audiência e espectadores foram ao máximo. Nós abrimos a F1 para novos países: corremos na Coreia do Sul, corremos na Índia, corremos em Singapura, duas corridas na Espanha, e isso era o máximo.”
 
“E nós não entendemos essa situação, provavelmente. Os custos eram muito altos, a tecnologia era muita avançada, e algumas montadoras caíram fora”, acrescentou. Hoje, apenas quatro grandes fabricantes de automóveis fazem parte da F1: Honda, Ferrari, Mercedes e Renault. Quanto aos circuitos, Singapura permanece, mas outras praças como Índia, Coreia do Sul e Turquia já não fazem parte do calendário do Mundial há tempos.
Em contrapartida, Alonso entende que a F1 nos anos 2000 viveu sua melhor fase (Foto: Ferrari)
Mas Alonso entende que há um pouco de nostalgia quando muitos fãs analisam a F1 do passado como a melhor de tempos mais recentes.
 
“Quando você para de correr, você se transforma em um ídolo. Quando você está correndo, você é criticado. Quando você para de correr, você é fantástico, é o que aconteceu com Felipe Massa, com Mark Webber. O povo dos anos 1980… eles são grandes campeões, são grandes ídolos. E agora, nesta geração de Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, eles vão ser os ídolos dos meninos que estão no kart agora”, disse.
 
Por fim, Alonso não escondeu a frustração com a F1 atual, mas demonstrou esperança em ver o cenário mudar para melhor com a adoção do novo regulamento técnico, que deve tornar, a partir deste ano, os carros muito mais desafiadores e, ao mesmo tempo, mais prazerosos aos pilotos do grid.
 
“Os recursos, os orçamentos dessas equipes, a tecnologia que nós estamos usando permitem que esses carros sejam máquinas fantásticas e provavelmente além de qualquer física que o ser humano respeite. Agora, nós não temos essa impressão. Nós temos um carro que é muito lento sem aderência. Então nós estamos sentando em um monoposto, mas com a impressão de que é um GT”, criticou Alonso, sem deixar de ter esperança nas grandes mudanças que estão por vir.
 
“Acho que isso vai fazer com que a pilotagem seja empolgante e divertida porque nós vamos sentir a aderência e vamos poder acelerar bem nas curvas”, concluiu.
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