Análise: em declínio, Sauber ainda depende de Nasr e espera por novo diretor-técnico

Há três corridas longe do top-10, a Sauber vai ficando para trás no confronto direto com as outras equipes intermediárias. A ascensão ilusória no início do ano dá lugar a uma queda real, que pode ser ainda mais acentuada nas próximas etapas. O time conta, principalmente, com o talento de Felipe Nasr, as atualizações no carro e no motor Ferrari a partir de Spa e o reforço do recém-contratado Mark Smith para reagir

A Sauber continua em queda livre na temporada 2015 da F1. Depois de um começo excepcional — e ilusório — no campeonato, quando conquistou um incrível quinto lugar no esvaziado e atípico GP da Austrália com o estreante brasileiro Felipe Nasr, além de um oitavo posto com o sueco Marcus Ericsson, o time chefiado por Monisha Kaltenborn passou a enfrentar dificuldades e ver, ao mesmo tempo, a ascensão das outras equipes do pelotão intermediário. O resultado disso é refletido na tabela do Mundial de Construtores.

Depois da grande jornada em Melbourne, a escuderia suíça somou pontos em apenas duas corridas: o GP da China, com Nasr fechando em oitavo e Ericsson, em décimo, e em Mônaco, quando Felipe chegou em nono. Mas já são três corridas longe do top-10 e, enquanto times do meio do grid, como Lotus e Force India, começam a subir, a Sauber vem em curva descendente. De Mônaco para cá, o time anglo-indiano marcou 22 pontos, enquanto a Lotus somou 13. A Toro Rosso anotou quatro e até mesmo a McLaren pontuou. Mas nada da Sauber.

Assim, o time fica ainda mais dependente do talento de Nasr, mas baseia suas esperanças de melhora em dois outros fatores: a chegada do diretor-técnico Mark Smith e também o novo pacote aerodinâmico e melhoria no motor Ferrari, o que só deve estar pronto para ser incorporado ao C34 no GP da Bélgica.

Felipe Nasr sequer conseguiu largar na sua corrida de 'casa' em Silverstone (Foto: Reprodução/TV)

“Sabemos que outras equipes estão fazendo mais”, reconheceu Monisha em entrevista à revista britânica ‘Autosport’ no fim de maio, quando o time ainda ocupava o quinto lugar no Mundial de Construtores. “Mas temos de seguir nosso próprio caminho. Estamos trabalhando em uma grande atualização. Não chega a ser uma versão B do carro, mas vamos ter boas novidades”, declarou a advogada indo-austríaca, afirmando que partirá para uma solução diferente — e menos radical em relação à Force India.

Até lá, a vida de Nasr e Ericsson deve continuar sendo difícil. Nem mesmo a próxima etapa, o GP da Hungria, pode oferecer algum otimismo extra à dupla. O circuito magiar é muito travado e exige demais dos freios, que foi um dos pontos críticos da Sauber na Áustria, por exemplo. E para complicar ainda mais, o C34 tem pouca eficiência aerodinâmica, o que vai justamente na contramão de Hungaroring, que requer muito downforce dos carros.

A escuderia helvética perdeu uma grande chance de quebrar a sequência negativa em Silverstone. Antes mesmo da corrida, na sua volta de saída para alinhar no grid, Nasr enfrentou uma pane na caixa de câmbio e sequer teve condições de disputar o GP da Inglaterra, corrida que ele considera como de casa. Foi uma prova com muitos abandonos: nada menos que seis pilotos ficaram pelo caminho: Jenson Button, Romain Grosjean, Pastor Maldonado, Max Verstappen, Daniel Ricciardo e Carlos Sainz.

Marcus Ericsson não conseguiu superar a McLaren de Fernando Alonso em Silverstone (Foto: Beto Issa)

Ericsson resistiu até o fim, mas não conseguiu passar a claudicante McLaren Honda de Alonso, que acabou conquistando, de forma suada, seu primeiro ponto na temporada.

Já se sabia que a Sauber teria um fim de semana difícil, como fora apregoado pelos próprios pilotos e também pelo chefe de engenharia, Giampaolo Dall’Ara. Em uníssono, todos deixaram claro que o GP da Inglaterra seria bem complicado, muito por conta das características de alta velocidade de Silverstone, o que acabou por se confirmar.

Kaltenborn disse que o domingo no circuito britânico foi muito infeliz para o time. Nasr corroborou com as palavras da chefe e disse que até poderia ter lutado por pontos se tivesse ao menos largado em Silverstone. “Um dia muito infeliz para mim. Vendo o número de carros que abandonaram, era uma corrida em que poderíamos ter tirado vantagem de algumas situações.”

Um alento ao brasileiro é que Hungaroring lhe traz boas recordações. Sobretudo em relação ao ano passado, quando o piloto, então na GP2, conseguiu um bom desempenho e largou na pole da corrida 1. Além do bom desempenho de Nasr na Hungria, outra esperança da Sauber é a chegada de Smith, que chega para ocupar uma função vaga no time desde 2012, quando o talentoso James Key, um dos pilares de um dos melhores momentos do time, deixou Hinwil para se unir ao corpo técnico da Toro Rosso.

Com passagens pela Jordan, Red Bull Force India e, mais recentemente, pela Caterham, o engenheiro britânico se une ao time na próxima segunda-feira, 13 de julho. A opção da Sauber pela experiência de Smith foi classificada por Nasr como uma “jogada inteligente”. Monisha, por sua vez, entende que a chegada de Mark será importante para distribuir melhor os trabalhos entre os outros profissionais da área técnica e ajudar no desenvolvimento do time em curto, médio e longo prazo.

Mark Smith é uma das esperanças da chefa Monisha para reação da Sauber na segunda metade da temporada (Foto: Getty Images)

“Ele se encaixa bem em nossa estrutura e tenho certeza de que, com ele vindo para assumir os trabalhos, como os mais abrangentes, e estar em todas as áreas da nossa comissão técnica, as pessoas poderão ter mais capacidade de se concentrar em suas áreas específicas”, disse Kaltenborn na última sexta-feira em Silverstone.

A grande missão de Smith nesta sua chegada à Sauber é ajudar o time a melhorar a eficiência aerodinâmica do C34. Para alcançar este objetivo, o engenheiro terá as próximas semanas antes do GP da Hungria e boa parte do período de quase um mês de pausa que a F1 fará durante o verão europeu.

Caso as atualizações que serão levadas a Spa-Francorchamps correspondam à expectativa, e Smith consiga melhorar o downforce do carro, então a segunda fase do campeonato poderá ser mais animadora para a Sauber. Até lá, porém, o momento é de muito trabalho para evitar um declínio ainda maior.

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