Análise: medo de boicote coloca holofotes sobre reivindicações das equipes médias

Falar em boicote colocou as demandas de Sauber, Lotus e Force India sob os holofotes no Circuito das Américas. Real ou não, a ameaça chamou a atenção para um problema concreto que coloca em risco o futuro da categoria

Monisha Kaltenborn, Vijay Mallya e Gerard Lopez agiram como se não fosse com eles quando começou a circular pelo paddock da F1 uma ameaça de boicote ao GP dos Estados Unidos deste domingo (2). Mas Bob Fernley, o braço-direito de Mallya, não ia jogar lenha na fogueira à toa, e o medo do motim contribuiu para que os reivindicações fossem ao menos ouvidas com maior atenção.

Fazia muito tempo que não se falava em algo assim na F1, o que indica que a categoria está chegando a um ponto crítico nessa crise financeira que vive. Uma crise que acontece não pela falta de dinheiro, mas pela gestão que é feita dele.

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Há muito dinheiro no bolo, porém mal dividido. Até Bernie Ecclestone admitiu. Pela primeira vez, não simplesmente acusou os times menores de má gestão. Disse que sabe o que está errado e que não sabe como consertar.

Não dá para tratar a crise financeira das equipes como um problema só delas (Foto: Getty Images)

Tudo o que Sauber, Lotus e Force India querem é uma F1 com menos desigualdade entre as grandes equipes e aquelas que têm fechado a conta com alguma dificuldade — quando fecham. Para Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull, dinheiro não é problema. Para as outras, é.

Também ficaram insatisfeitas por terem sido deixadas como minoria na formação do Grupo de Estratégia, que se tornou um órgão regulador.

Pleitear uma redução de custos e uma distribuição mais igualitária do dinheiro não é querer que a F1 volte à década de 1970. Nem tem como. Acontece que a categoria se tornou tão cara que até mesmo as montadoras — que contribuíram e muito para essa inflação — pularam fora.

Hoje, o Mundial não está em uma posição em que pode bater no peito e se orgulhar de ser a elite do automobilismo, pois o risco de apenas nove times começarem o próximo campeonato é enorme — e, se nada mudar, Sauber e Lotus continuarão correndo o risco de deixar de existir. Brincar com o perigo neste momento significa que a F1 pode ter apenas 14 carros em um futuro não muito distante.

Esse flerte com o boicote é uma forma de as equipes médias avisarem para as grandes que estão dispostas a fazer de tudo para acelerar o debate.

Há mais de meia década se fala que é preciso reduzir os custos, mas nada vai para a frente. A ideia de teto orçamentário quase resultou em uma debandada geral, o tal RRA (acordo de restrição de gastos) foi para as cucuias, as propostas que são dadas não implicam em reduções significativas e criaram um motor que se mostrou extremamente impopular por um preço três vezes mais alto.

Ecclestone parece ter entendido a mensagem e estar disposto a abraçar a causa. Mas se o recado ainda assim não for compreendido, até que uma greve não seria má ideia.

DOMÍNIO INESPERADO

Nico Rosberg saiu dos treinos de ontem dizendo que tinha desempenho para tirar dos bolsos. Nunca foi tão sincero e verdadeiro. A classificação que fez neste sábado (1) em Austin foi espantosa, a ponto de chegar a colocar 1 segundo sobre Lewis Hamilton em uma das sessões. A diferença, no fim das contas, acabou sendo de 0s402, mas não deixa de ser espantoso e assombroso pelo que vinha sendo feito pelo inglês. De qualquer forma, a Mercedes ocupou sem sustos a primeira fila.

Valtteri Bottas foi quem se deu melhor entre os mortais e ganhouio a disputa interna contra Felipe Massa na Williams.

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