Análise: ousadia de Hamilton para se livrar da McLaren o tornou campeão e homem

Lewis Hamilton acertou quando decidiu cortar o vínculo de 13 anos com a McLaren. O desgaste no relacionamento com a singular equipe britânica não permitiria sua independência. Na Mercedes, Hamilton encontrou a liberdade que precisava para crescer. E se mostrou ousado e corajoso

Até pouquíssimo tempo atrás, era inimaginável separar a imagem de Lewis Hamilton da McLaren. De muitas formas, as histórias, os sucessos e as ambições se misturavam, eram coisas demais em comum. A equipe inglesa encontrou no menino britânico, de curiosa origem caribenha, o que procurava há tempos. Encontrou nele um vencedor e aquele que levaria o time a muitas glórias, repetindo o arrojo e a velocidade de outro que nome que ficou bastante marcado em Woking. Nome também que inspirava Hamilton.

Só que a diferença era que Lewis cresceu no quintal da McLaren e foi moldado por ela. Teve um apoio fundamental da gigante da F1 nas categorias de base e esse mesmo apoio o ajudou a estrear no Mundial com tranquilidade e sem pressão, mesmo dividindo os boxes com o já bicampeão Fernando Alonso.

Lewis Hamilton teve coragem e ousadia para deixar a nave-mãe e mudar os rumos da carreira (Foto: Getty Images)

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Hamilton, portanto, estabeleceu um vínculo mais do que profissional com aqueles ingleses. Lewis era tratado quase como um filho, sempre protegido e aconselhado. Mas tudo isso tem um preço. E no caso de Hamilton foi alto demais. Tanto a cúpula da equipe britânica quanto seu próprio pai, Anthony, trabalharam muito para manter o jovem sob a rédea curta, dentro de uma espécie de redoma. Uma forma de garantir que todo o investimento seria recompensado, como foi.

Na estreia, o então piloto de 22 anos conseguiu fazer frente a Alonso, mas não foi capaz de vencer o Mundial, terminando com uma importante segunda colocação, uma posição melhor que o rival. Ainda viu o espanhol deixar a equipe no ano seguinte e aí não teve mais problemas com companheiros de time. Em 2008, veio o título, e a ligação piloto-equipe parecia que seria eterna. Só ques os anos seguintes se mostraram diferentes de um script de sucesso. Ao contrário, a convivência e a cobrança trataram de desgastar demais essa relação. Lewis sabia que precisava sair de casa.

De temperamento forte, Ron Dennis sempre transferiu esse traço da personalidade para o trabalho na equipe e também no trato com seus pilotos. Apesar da boa relação com Lewis, a personalidade dominadora de Dennis acabou por afastar o piloto. Mesmo depois, quando o dócil Martin Whitmarsh assumiu a chefia foi possível agradar ao cada vez mais impaciente Hamilton.

A gota d’água acabou sendo a temporada 2012, ano que marcaria a renovação de contrato de Lewis. Hamilton e a McLaren vinham em uma novela de meses e meses de negociações para a renovação de contrato. Confiante, a escuderia britânica achava que seria apenas uma questão de tempo e de uma oferta polpuda. Mas a coisa não saiu exatamente assim.

O inglês já não demonstrava mais o mesmo entusiasmo de outrora e as poles e as vitórias também não eram mais tão comemoradas assim. A alegria deu lugar à impaciência e certa intolerância com os erros e os abandonos por problemas mecânicos. Por conta da frágil confiabilidade da MP4-27, Hamilton viu suas chances de disputar o título minarem. E foi aí que a Mercedes e Niki Lauda viram uma brecha para tirar o piloto da McLaren.

É claro que o trabalho do tricampeão pesou para a assinatura com a equipe alemã. Mas a coragem e a ousadia de Hamilton, duas de suas principais características na pista, foram também importantes para o passo dado.

Mercedes levanta Hamilton para comemorar título de 2014 (Foto: AP)

Lewis não teve medo de encarar o novo. E acertou. A vida na Mercedes se mostrou menos incômoda e mais livre, leve e solta. Lewis estava finalmente sozinho para decidir a própria existência. Conseguiu crescer com as próprias pernas. É verdade que o primeiro ano no time prateado não foi fácil, a adaptação levou tempo, mas o britânico foi paciente. Soube aproveitar o potencial da esquadra prateada em todos os aspectos, cativar de engenheiros a mecânicos, passando pelos chefes.

Quando chegou a hora, Hamilton não decepcionou. E não perdoou nem o amigo de tantos anos. Ao perceber que tinha nas mãos o carro certo e uma equipe afinada ao seu redor, Lewis se impôs. Foi duro em todos os embates diretos que teve com Nico Rosberg, usou da pressão e de todas as armas que teve ao seu dispor, mas foi honesto e limpo. E teve liberdade para decidir sobre tudo, das estratégias aos projetos pessoais. O que se vê agora é o homem Lewis Hamilton dono do próprio nariz. E campeão.

CAUSA DANO E FERE F1

O ano é 2014, mas o chefão da F1 Bernie Ecclestone ainda nega de forma veemente. Toda sua história e responsabilidade por transformar a categoria em um show global e na máquina de fazer dinheiro que é hoje, não devem ser esquecidas, mas o futuro não pode ser negligenciado. A F1 precisa se alinhar com o ramo da comunicação no Século XXI e necessita saber melhor o que fazer com todo o dinheiro que contabiliza

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O PRIMEIRO CARRO DE AYRTON SENNA

O primeiro carro usado por Ayrton Senna na F1 foi colocado à venda no Reino Unido. A Cars International, que trabalha com carros históricos, informou que a Toleman com que o tricampeão do mundo estreou na categoria está em negociação. O modelo é o TG183B #5, guardado até o início dos ano 90, quando foi adquirido e restaurado pelo americano Mike Earl.

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A REVISTA WARM UP e o GRANDE PRÊMIO abriram nesta terça-feira (2) sua já tradicional votação de 'Melhores do ano'. Depois de votação interna dos jornalistas da equipe da AGÊNCIA WARM UP, cinco candidatos foram indicados em cada uma das 11 categorias, e os vencedores serão definidos pelos leitores em votação popular que fica aberta por uma semana, até o dia 8 de dezembro.

 
O recordista de indicações é Rubens Barrichello, campeão da Stock Car, que concorre nas categorias 'Melhor piloto que compete no Brasil', 'Melhor piloto de Turismo/Endurance/Rali' e 'Melhor piloto brasileiro'. A categoria principal, 'Melhor piloto de 2014', tem os seguintes candidatos: Daniel Ricciardo, Lewis Hamilton, Marc Márquez, Valentino Rossi e Will Power.

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