De repente, Nico Rosberg acordou. E voltou a ser o combativo piloto da primeira metade de 2014. Agora bate de frente com Lewis Hamilton e vence. Só tem um problema: a competitiva performance veio tarde demais. E por quê? A questão que não quer calar também incomoda a Mercedes.
Impondo um domínio ainda mais impressionante, especialmente na primeira parte da temporada, Hamilton garantiu o título – o terceiro da carreira na F1 – com quatro provas de antecedência, contando com um erro de Rosberg na corrida que lhe deu a taça. Até a etapa norte-americana, Nico havia sido uma presa fácil.
Mas esse erro especificamente parece ter sido decisivo para a virada do alemão. A história do
GP dos EUA mostrou um Rosberg derrotado. O piloto perdeu para o companheiro já na primeira curva, quando tomou um chega para lá. Depois, quando liderava e tinha a chance de prolongar a luta pela taça, escapou do traçado texano ainda escorregadio e permitiu o avanço do oponente, que pode então celebrar a conquista maior.
Lewis Hamilton comemorou muito a vitória e título em Austin (Foto: Getty Images)
Após a corrida no Texas, Nico ainda teve de enfrentar uma brincadeira nada saudável de Hamilton, que jogou o boné do segundo lugar em seu colo. Já na sala de entrevistas, o filho de Keke reclamou da postura excessivamente agressiva de Lewis na pista, lamentou o erro e culpou o vento. O britânico, por outro lado, ironizou as queixas e as desculpas nas declarações seguintes.
Aquilo não caíra bem. A Mercedes, no papel do chefe Toto Wolff, tentou apaziguar os ânimos, poupando cada lado e deixando claro que não há problemas entre os dois. Sempre político, o austríaco defendeu o arrojo do tricampeão, mas também soube entender o lamento do #6. Niki Lauda, por sua vez, pôs fogo ao criticar Rosberg.
"Eu cheguei a dizer que Nico estava pilotando com raiva e não tenho certeza sobre isso, é o que, pessoalmente, eu vejo. Eu posso estar errado. Mas penso que Nico está ainda se desenvolvendo como piloto", afirmou o chefe da esquadra prateada.
Só que as palavras e atitudes de Hamilton parecem ter provocado a ira no sempre contido Rosberg. Que passou também a contratacar fortemente – o que não é bem o seu estilo. E isso não só aos microfones, mas principalmente na pista.
"Quando eu fui para o México, eu já tinha renovado as minhas motivações. Uma grande cidade, uma pista nova, ótima, um carro fantástico e mais algumas coisas que o Lewis disse após Austin me trouxeram motivação extra para virar a página e ganhar dele", disse o alemão.
"Eu tive de renascer. Austin foi uma etapa muito dura, além de tudo, eu perdi o campeonato lá. Doeu demais", completou.
Rosberg e Hamilton na cerimônia do pódio (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Depois da corrida brasileira, Nico celebrou muito o triunfo, enquanto via o colega Lewis dizer que “algo mudou no carro da Mercedes e que precisa compreender a razão da mudança”. Ainda intrigado, o inglês também admitiu não saber o motivo para ter perdido velocidade “de uma outra para outra”, especialmente em classificação.
A questão é que, neste momento, nem mesmo Rosberg sabe explicar o motivo de tamanho desempenho. O chefe Wolff menos ainda. “Alguma coisa aconteceu”, disse o austríaco.
Ainda que pese a teoria de que Hamilton já não está tão concentrado assim, ele mesmo deixou claro que seu foco continua o mesmo, e isso é comprovado pelas discussões que vem travando com a equipe prateada no que diz respeito às estratégias. Lewis não gostou do comportamente da Mercedes ao impedir uma alteração na tática de paradas, e isso aconteceu tanto no Hermanos Rodríguez quanto em Interlagos. Pode-se dizer que a reação de Rosberg, ainda que tardia, está de fato incomodando.
E incomoda não só a Hamilton, mas a Mercedes também. Isso porque se Rosberg realmente ressurgiu como um forte, a tensão dentro da garagem prateada vai aumentar mais do que já está. Neste fim de temporada, a cúpula alemã apenas tenta minimizar as ironias e os comentários maldosos de cada lado, além da rivalidade, que pode retomar o caminho deixado no ano passado e realmente se tornar concreta.
O GP de Abu Dhabi, que enfim encerra o campeonato neste fim de semana, pode até ser a deixa do que esperar em 2016, uma vez que ambos vão correr livres e sem pressão. E pode também ser um vislumbre do que o próprio time alemão vai encontrar a partir da Austrália, no próximo ano.
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PADDOCK GP EDIÇÃO #7: ASSISTA JÁ
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