F1

Ao vencer por pouco em Spa e Monza, Ferrari só ‘passa de ano’ no conselho

A Ferrari se viu com um carro não tão melhor que o da Mercedes na Bélgica e na Itália, em pistas de alta velocidade. As vitórias vieram através de boas estratégias e do grande momento de Charles Leclerc, mas faltou uma atuação realmente convincente

Grande Prêmio / VITOR FAZIO, de Berlim
As férias de agosto costumam anteceder um momento de reformulação nos carros da Fórmula 1. Grandes atualizações são preparadas, levando em conta a experiência de 12 corridas com pontos altos e baixos. Não havia, entretanto, pacote no mundo que mudasse o favoritismo da Ferrari para os GPs da Bélgica e da Itália – a equipe italiana precisava aproveitar o motor mais potente da F1 atual para vencer em pistas de alta velocidade. E venceu as duas, através de Charles Leclerc. Só que, pegando emprestado o clichê muito utilizado no futebol, a turma de Maranello ficou longe de convencer.
 
Uma olhada simples no resultado final das duas provas já explica o motivo. Em Spa, Leclerc cruzou a linha de chegada apenas 0s9 antes de Lewis Hamilton, segundo colocado. Uma semana se passou e, em Monza, Leclerc voltou ao alto do pódio com margem de meros 0s8 sobre Valtteri Bottas, que pegou o bastão da Mercedes na tentativa de desbancar os vermelhos. Estamos longe de poder afirmar que Charles venceu de forma inconteste em qualquer uma das etapas.
 
Os motivos para o aperto são vários. Para começo de conversa, existe o fato de que a vantagem da Ferrari sobre a Mercedes em velocidade máxima, apesar de existente, não opera milagre. O carro da Mercedes passou o ano inteiro se portando bem em curvas de baixa, média ou alta, e isso é um fator importante mesmo em Spa e Monza. Tanto que nenhuma das classificações trouxe um vareio ferrarista sobre os demais.
Charles Leclerc trouxe duas vitórias, mas esteve longe de ser algo fácil (Foto: Beto Issa)
Depois, o fato de que a Mercedes tem por hábito crescer nas corridas. A Ferrari não tem como forçar um motor ao longo de 40 ou 50 voltas da mesma forma que força em uma num Q3. A Mercedes soube jogar com isso, mas já saia no prejuízo – afinal, largava atrás dos carros avermelhados.
 
Seria muito fácil aproveitar esse texto para criticar alguma estratégia da Ferrari em Monza. Só que, de forma inesperada, a equipe italiana não ficou devendo no quesito. Pelo contrário: dá para dizer que o que venceu os GPs da Bélgica e da Itália para a escuderia foi saber jogar o jogo da F1.
 
Em Spa, a equipe italiana tomou a decisão dura de sacrificar a corrida de Vettel para garantir a vitória com Leclerc. O alemão parou cedo, o que permitiu ficar na frente de Hamilton na segunda metade de prova. Foi assim que o britânico perdeu tempo que se provaria decisivo, já que faltou tempo para atacar Charles.
A Ferrari ao menos pode dizer que já venceu corrida em 2019 (Foto: AFP)
Em Monza, a Ferrari precisava se virar com um carro só, já que Vettel se tirou de combate. E se virou muito bem: a decisão de colocar Leclerc na pista com pneus duros foi corretíssima, permitindo a vitória. Se Charles voltasse à pista com médios, seria presa fácil para Bottas nas voltas finais, dado o desgaste e os pneus mais gastos.
 
Em outras palavras, a notícia boa – decisões estratégicas sãs da Ferrari – combateu a notícia má – motor bom não é suficiente para dar um laço no carro equilibrado da Mercedes. Ninguém na Ferrari é capaz de dizer que está chateado de alguma forma, mas ainda falta um fim de semana realmente bom, daqueles que merecem uma estrelinha, para que se possa dizer que a escuderia encontrou um rumo em 2019.
 
Até lá, fica a dependência de que o conselho de classe permita que a Ferrari de fato consiga dizer que passou de ano.
 

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