Aston Martin diz que “há muitos motivos” para déficit na F1 e evita culpar motor Honda
Pedro de la Rosa reconheceu que a Aston Martin está "4s ou 5s" atrás das rivais, mas garantiu que a equipe já sabe exatamente o que há de errado com o AMR26
Embaixador da Aston Martin, Pedro de la Rosa corroborou o que foi dito por Lance Stroll no decorrer da semana e admitiu que a equipe está, sim, muito atrás das adversárias neste início de temporada 2026 da Fórmula 1. No entanto, em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO no Bahrein, o ex-piloto mostrou confiança no trabalho que está sendo realizado para reduzir essa diferença o quanto antes.
Com um amplo investimento realizado na sede de Silverstone ao longo dos últimos anos, a escuderia liderada por Lawrence Stroll esperava se colocar como uma das principais forças do grid este ano. Porém, o que se viu até aqui foi completamente o oposto: um time com sérias questões de confiabilidade e falta de desempenho considerável em comparação com outros times.
O novo acordo com a Honda para o fornecimento de unidades de potência e a chegada de Adrian Newey para liderar o projeto foram alguns dos fatores que elevaram as expectativas em cima da Aston Martin. O desembarque tardio do ‘Mago da Aerodinâmica’, inclusive, que só começou a trabalhar na fábrica a partir de 2 de março do ano passado, foi apontado como um dos motivos das dificuldades atuais.
“É sempre fácil falar quando já passou, mas não funciona assim no automobilismo. Talvez, se tivéssemos começado antes, se Adrian tivesse estado aqui não em 2 de março, mas alguns meses antes, se a Honda não tivesse ido embora e depois voltado… São muitos ‘ses’. A verdade é que estamos lentos, não estamos onde queremos estar”, começou De la Rosa.

“Vamos montar um plano, sabemos exatamente o que está errado e vamos trabalhar nisso. Precisamos olhar para frente, não para trás. É fácil culpar o fato de termos começado tarde — houve muitos motivos. O importante é que sabemos quais são, e isso nos dá confiança de que, não sabemos se será no próximo mês, mas aos poucos a diferença vai diminuir”, continuou.
Ao ser questionado se a Aston Martin está sofrendo mais seriamente em alguma área específica, o dirigente deixou claro que é difícil afirmar. Durante os testes da F1 no Bahrein, muito foi dito sobre a incapacidade do motor Honda de alcançar a mesma potência das rivais nas retas, o que fez com que Fernando Alonso e Lance Stroll ficassem até 30 km/h mais lentos em determinados momentos.
“Tudo é um pacote. Hoje em dia é impossível apontar se é o motor, a aerodinâmica, a parte mecânica ou os pneus — tudo é um conjunto”, explicou. “Especialmente com esses novos regulamentos, o desempenho de frenagem impacta a velocidade de reta, porque depende de quanta energia você consegue recuperar na frenagem”, pontuou.
“Se a estabilidade na freada é muito boa, [o piloto] pode reduzir uma marcha a mais, o que significa ter mais energia na reta seguinte. Então acho que é preciso tornar o carro mais forte em todos os aspectos, e é isso que estamos buscando”, apontou De la Rosa.

“Estamos claramente atrás. E, como Lance disse, estamos 4s, 3s ou 5s atrás. Estamos claramente atrás e, quando você está perdendo ou deixando de ganhar esse tempo, é claramente o pacote como um todo. Não dá para dizer que é isso ou aquilo, porque há muitas áreas que já identificamos claramente e nas quais já estamos trabalhando em Silverstone para resolvê-las”, revelou.
“Não será uma solução da noite para o dia, não é um trabalho de cinco minutos — obviamente envolve muito trabalho, muito aprendizado e muita otimização. Mas temos confiança de que temos a equipe, temos os recursos, temos tudo no lugar. Então, sim, não estamos onde queremos estar, mas temos as pessoas. E isso é o mais importante”, encerrou o representante da Aston Martin.
A Fórmula 1 volta de 18 a 20 de fevereiro, também no Bahrein, com a segunda e última bateria de testes coletivos da pré-temporada 2026. Depois, segue para a Austrália, palco da abertura do campeonato, em 8 de março.
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