Ecclestone define GP da Bélgica como “desastre” e diz que tentaria correr na chuva

Bernie Ecclestone, ex-chefão da F1, acusa o Liberty Media de pensar apenas em dinheiro com o GP da Bélgica de duas voltas com safety-car. O britânico toma exemplos do passado para defender que o GP deveria acontecer normalmente, mesmo que arriscando a segurança dos pilotos

Assista aos melhores momentos do GP da Bélgica deste domingo (Vìdeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Bernie Ecclestone, ex-chefão da Fórmula 1, é mais um insatisfeito com os rumos do GP da Bélgica do último fim de semana. A corrida em Spa teve apenas duas voltas, sempre atrás do safety-car. O britânico ficou insatisfeito e deu seu pitaco: seria muito melhor forçar o começo da corrida, mesmo que isso colocasse a segurança dos pilotos em risco.

“Foi um desastre”, disse Ecclestone, entrevistado pelo site F1 Insider. “Você não pode controlar o clima, mas pode controlar como você lida com isso. Deu para ver que ninguém queria assumir responsabilidades e tomar decisões. No fim, fizeram tudo errado. Se fosse para fazer desse jeito, eu teria dado muito mais voltas atrás do safety-car. Primeiro, para ajudar a secar a pista e para torcer por um clima melhor. Segundo, para não ficar como ficaram agora. Dar duas voltas e depois parar não poderia ser mais revelador. Todo mundo percebeu que foi tudo por motivos comerciais”, acusou.

“Há contratos. Ao começar a corrida e fazer o mínimo de duas voltas para garantir um resultado, você cumpre o contrato. O organizador fica obrigado a pagar os donos dos direitos comerciais”, seguiu.

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GP DA BÉLGICA; BÉLGICA; SPA-FRANCORCHAMPS; MAX VERSTAPPEN; SAFETY-CAR;
Max Verstappen ao lado do safety-car no GP da Bélgica do último domingo (Foto: Dan Mullan/Getty Images/Red Bull Content Pool)

A realização de apenas duas voltas atrás do safety-car virou um ponto central da corrida. É que isso permitiu à Fórmula 1 a distribuição de pontos pela metade, mesmo que sem corrida propriamente dita.

Ecclestone tomou como exemplo corridas do passado, quando ainda era o homem-forte do lado comercial da F1. Nos GPs do Japão de 1976 e da Austrália de 1991, a categoria encarou chuva torrencial, mesmo que sob protestos dos pilotos.

“Eu faria o mesmo de sempre. Em Fuji em 1976, quando fizemos a primeira transmissão internacional de televisão, estava caindo o mundo. Era muito desagradável, mas eu queria começar a corrida. Eu disse a todos que ninguém era forçado a correr, que quem não quisesse não precisava, mas que ia mandar a corrida começar. O Niki Lauda foi aos boxes na primeira volta e desistiu. Eu achei que ele foi coerente. Em Adelaide [em 1991] choveu ainda mais do que em Spa. Os pilotos reclamavam e eu dizia que ninguém era obrigado a correr. Começamos a corrida, esperamos 14 voltas e percebemos que não fazia sentido. Mas fizemos o certo ao tentar”, ponderou.

Ecclestone, aos 90 anos de idade, já não participa da tomada de decisões na F1. O dirigente foi afastado ao fim de 2016, quando o Liberty Media comprou os direitos comerciais. Depois de um ano com um cargo simbólico, Bernie rompeu com o certame por completo. Desde então, passou a tecer comentários mais ácidos sobre a nova gestão.

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