Brawn defende necessidade, mas reconhece que algumas ordens de equipe são “sem sentido”
Atual diretor-técnico da F1, Ross Brawn entrou no debate e reconheceu que algumas ordens de equipe acabam “sem sentido”. Ex-chefe de Ferrari e Brawn GP, dirigente ressaltou que essas decisões são sempre motivadas pelo interesse do time e não para favorecer um ou outro piloto
Diretor-técnico da F1, Ross Brawn deu seu palpite em relação ao uso de ordens de equipe no Mundial. Conhecedor do assunto, o dirigente reconheceu que “algumas dessas decisões se mostraram sem sentido”, mas afirmou que a opção é sempre feita pelo bem do time e não para favorecer um ou outro piloto.
A polêmica das ordens de equipe voltou à baila em Hockenheim, quando a Ferrari tentou pedir discretamente a Kimi Räikkönen para entregar a posição para Sebastian Vettel, mas foi forçada pelo finlandês a fazer o pedido de forma mais explicita.

Ross Brawn reconheceu que algumas ordens de equipe acabam sem sentido (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
A esquadra italiana, no entanto, não foi a única a se valer do expediente na Alemanha. A Mercedes pediu claramente para que Valtteri Bottas não atacasse Lewis Hamilton nas voltas finais em Hockenheim.
Apesar de Räikkönen ter cumprido com o papel de escudeiro, o resultado da Ferrari não foi dos melhores, já que Vettel bateu e não completou a corrida, com Hamilton aproveitando para vencer, seguido por Bottas e Kimi. Com o resultado, Lewis recuperou a liderança do Mundial, abrindo 17 pontos em relação ao #5.
Conhecedor do tema por seus anos de Ferrari e Brawn GP, Brawn afirmou que as ordens de equipe nascem sempre de uma busca pelo melhor resultado para a equipe.
“Durante todos os anos que passei no pit-wall, em várias ocasiões eu tive de pedir para um piloto para fazer um sacrifício, não por nosso desejo de favorecer o companheiro de equipe dele, mas para que o resultado final fosse o melhor para o time”, disse Brawn após o GP da Alemanha. “É verdade que, olhando para trás, algumas dessas decisões se mostraram sem sentido, mas posso garantir que você toma essas decisões acreditando que até mesmo um único ponto pode ser decisivo quando se trata de ganhar ou perder o campeonato”, seguiu.
Ainda, Brawn avaliou que o pedido da Mercedes para que Bottas não atacasse Hamilton em Hockenheim foi mais difícil de engolir do que a orientação da Ferrari para Räikkönen em relação a Vettel.
“Provavelmente, foi mais fácil para Räikkönen deixar Vettel passar com pneus mais novos, mas para Bottas ouvir que tinha de manter a posição e não atacar Hamilton, que estava com pneus mais velhos, talvez tenha sido um pouco mais difícil, levando em conta que, naquele momento, restavam apenas algumas voltas”, concluiu.
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