Button defende manutenção do formato de classificação tradicional e diz que F1 precisa reduzir diferença entre equipes

Jenson Button avaliou que a F1 não deve buscar uma modificação no sistema de classificação, já que o piloto mais rápido é mesmo quem deve largar na frente. O britânico ponderou, entretanto, que é preciso aproximar todas as equipes do grid

O formato de classificação da F1 viveu um vai e vem nas últimas semanas. Depois de duas tentativas frustradas, o Mundial abandonou a ‘dança das cadeiras’ e promoveu o retorno do modelo anterior, que voltará a ser utilizado já neste fim de semana, em Xangai.

 
Apesar de toda a polêmica, Jenson Button acredita que não há nada de errado com o treino classificatório e defende que o treino que defende o grid seja mantido em seu modelo tradicional, com o piloto mais rápido largando na frente e o mais lento atrás.
Jenson Button avaliou que não há necessidade de mudar a classificação da F1 (Foto: Getty Images)
“A F1 nunca foi assim e não deveria ser assim”, disse Button. “Misture o grid em outras fórmulas, mas na F1, não é necessário. Tem outras coisas que podemos fazer para tornar o esporte melhor”, defendeu.
 
Button também rebateu a declaração de que ter os carros mais rápidos na ponta do grid prejudica do show e traçou um paralelo com o tênis.
 
“Isso é a F1, é o que nós fazemos. É como ir para Wimbledon e o cara que foi eliminado na primeira rodada terminar na final”, comparou. “O cara mais rápido deve começar na frente e o mais lento atrás — e aí você lida com isso na corrida”, seguiu.
 
“O esporte foi assim nos últimos 60, 70 anos”, lembrou. “Isso não mudou”, sublinhou.
 
Mesmo assim, Jenson afirmou que acha positivo que os times se juntem para bolar um novo formato caso uma mudança na classificação seja julgada como necessária.
 
“Acho que é uma grande ideia”, opinou. “Acho que são as pessoas certas para olhar para uma mudança na classificação se for necessária. Novas ideias são sempre empolgantes, é um esporte que está sempre mudando, a tecnologia está sempre mudando e acho que é ótimo que a gente veja melhorias e teste novas coisas”, ponderou.
 
“O importante é que, se tentarmos alguma coisa e não funcionar, a gente possa reverter para o que funciona”, defendeu.

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Button, porém, isentou a Mercedes de responsabilidade pela falta de espetáculo durante as corridas e considerou que a culpa é das demais equipes, que não conseguem se aproximar do time de Lewis Hamilton e Nico Rosberg.
 
“Acho que o ritmo delta é um pouco diferente, maior do que já foi — mas isso não é culpa da Mercedes, é culpa de todos os outros que não estão fazendo um trabalho bom o bastante”, apontou. “Então, não, a classificação deveria ser exatamente como é, o cara mais rápido larga na primeira fila. Mesmo assim está sendo mesclado, com as largadas ruins de Lewis e a ótima largada da Ferrari em Melbourne — está sendo bem misturado”, considerou.
 
“Acho que o problema é que tem uma diferença muito grande entre os dois primeiros times e o resto que as corridas não parecem empolgantes. Mas onde tenho corrido, tem sido muito empolgante, com muita ação”, falou. “Eu assisti a classificação do Brasil de 2003 e um segundo, acho, cobriu o top-15, cinco décimos para o top-10. E nós estamos muito longe disso no momento”, comparou.
 
“É uma pena, porque você olha para os carros e eles todos parecem a mesma coisa, então é incrível que tenha uma diferença tão grande nos tempos de volta”, declarou. 
 
Por fim, Button reconheceu que Mercedes e Ferrari provavelmente não querem ver uma mudança no regulamento de 2017, enquanto os demais times aprovariam uma modificação.
 
“Você tem de reduzir a diferença e talvez seja necessária uma mudança de regulamento para fazer isso, não sei”, considerou. “Tenho certeza de que no ano que vem a Mercedes e a Ferrari não querem mais nenhuma mudança no regulamento, ao passo que todos os outros times querem. É complicado”, encerrou.
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