CEO da Fórmula E diz que F1 “tem de ouvir fãs”, mas pondera: “Muito cedo para opinar”
Jeff Dodds admitiu que novo regulamento da Fórmula 1 gerou mudanças no estilo de corrida que exigem tempo de compreensão e pediu paciência diante de duras críticas
O regulamento da Fórmula 1 2026 segue dividindo opiniões paddock afora, com posicionamentos divergindo entre urgir por mudanças imediatas e pedir calma antes de tomar quaisquer decisões. É deste último lado que está Jeff Dodds. O CEO da Fórmula E avaliou as mudanças trazidas pelo novo conjunto técnico e destacou que o novo formato de corridas ainda precisa de tempo para ser plenamente compreendido por equipes, pilotos e fãs.
Com a chegada do novo regulamento de motores, que, além de utilizarem combustíveis sustentáveis, possuem cerca de 50% de participação da parte elétrica, a F1 passou a enfrentar problemas de perda de potência devido ao descarregamento das baterias.
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Assim, durante o processo de recarga, os pilotos perdem potência ao longo da corrida, o que facilita a ultrapassagem por parte do carro que vem logo atrás, uma vez que a diferença de velocidade entre eles pode superar 50 km/h.
Segundo Dodds, o atual cenário apresenta diferenças claras em relação às temporadas anteriores, com mais trocas de posição ao longo das provas. Ainda assim, o dirigente da Fórmula E ponderou que é cedo para julgamentos definitivos, já que o grid ainda está em fase de adaptação aos novos carros e às exigências de gestão de energia.

“As corridas estão diferentes, não há como negar. Mas ainda é muito cedo para opinar. Os pilotos precisam se acostumar ao carro e as equipes precisam tornar os monopostos confiáveis. Há coisas que gosto, como mais ultrapassagens e mais ação na pista, mas também há desafios, como a necessidade de lidar com diferentes ritmos de corrida e o uso mais frequente do lift and coast“, analisou.
Não apenas pilotos e equipes precisam se adaptar à nova realidade, mas também o público — tópico destacado por Dodds. Para ele, a dificuldade de compreensão está ligada à quebra de um padrão histórico da F1, tradicionalmente associada a corridas no limite e menos dependentes de gestão.
“Somos criaturas de hábito. Gostamos das coisas de determinada forma e vimos um estilo de corrida muito semelhante por muitos anos. Agora temos algo diferente, com mudanças complicadas. Então as pessoas estão tentando assimilar”, afirmou.
“Algumas pessoas gostam da ideia de acelerar ao máximo, com menos estratégia e agora não é tão fácil entender isso. No fim, acredito que o melhor carro ainda vencerá, então não vejo uma mudança nesse aspecto. Mas entendo que os fãs tenham opiniões divergentes e elas são valiosas, temos de ouvi-las”, seguiu.

Apesar do cenário, o CEO da Fórmula E evitou críticas diretas à F1. Segundo ele, a experiência gerindo a categoria elétrica mostrou a dificuldade de equilibrar espetáculo e competitividade em um campeonato global e pregou calma antes de fazer qualquer mudança de rotas.
“Sei o quão complicado é gerir uma categoria de automobilismo em escala global e o quão difícil é agradar aos fãs. Por isso, apoio e compreendo totalmente os desafios que a F1 enfrenta e desejo o melhor a eles. Mas acredito que ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão”, concluiu.
A Fórmula 1 agora entra em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.
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