Chefe da Ferrari pede paciência para sair da crise e considera mudanças organizacionais

Em entrevista coletiva pouco depois do GP da Hungria, Mattia Binotto deixou claro: ainda vai levar tempo para a Ferrari entender quais os problemas que geram o déficit de performance da SF1000 e também para melhorar o desempenho do carro. “Quanto? Não tenho a resposta”

Com três etapas já disputadas neste começo de temporada 2020 do Mundial de Fórmula 1, a Ferrari amarga a quinta posição do Mundial de Construtores e soma 27 pontos, sendo que 18 tentos vieram de um inesperado segundo lugar de Charles Leclerc no GP da Áustria. No último fim de semana de GP da Hungria, a equipe de Maranello apresentou alguma evolução e colocou Sebastian Vettel em quinto no grid, lado a lado com Leclerc. Na corrida, contudo, o alemão foi melhor e cruzou a linha de chegada na sexta posição. Mas o monegasco, mesmo depois da punição imposta a Kevin Magnussen, da Haas, ficou fora da zona de pontuação, em 11º no circuito magiar.

Para uma equipe com a tradição e o poderio financeiro da Ferrari, o cenário é de enorme crise. Uma crise que se desenhou desde os testes de pré-temporada, em fevereiro, e que se confirmou no início da temporada. A falta de performance da SF1000 traz muitas interrogações e nenhuma resposta que a justifique. Assim, Mattia Binotto, chefe da Ferrari, diz que a equipe já pensa em mudar tudo: seja no carro, seja até na organização interna.

Mattia Binotto
Do carro à organização interna: Mattia Binotto fala em mudar tudo na Ferrari (Foto: Scuderia Ferrari)

“Acho que vimos em Barcelona que não éramos rápidos o bastante, mas não esperávamos uma situação tão difícil. Portanto, certamente é pior se comparado com as expectativas. Com três corridas seguidas e algumas semanas para Silverstone, vai ser importante em Maranello considerar todos os aspectos do carro e da organização: seja o que for que precisemos melhorar”, explicou o dirigente ítalo-suíço pouco depois do GP da Hungria.

Binotto falou sobre as melhorias que a Ferrari levou às pressas para o GP da Estíria, na semana passada, mas entende que as atualizações surtiram pouco efeito a respeito de rendimento do carro em si.

“Acho que as atualizações que trouxemos na Áustria melhoraram a correlação entre túnel de vento e pista. Pelo menos, abordamos esses pontos. Mas o déficit em termos de performance ainda está lá. Falta velocidade nas retas e nas curvas. No geral, o carro deve melhorar em todas as áreas. É muito simples”, disse.

Quando questionado sobre o congelamento do chassi e de partes do motor para 2021, Binotto entende que a mudança na regra traz uma dificuldade ainda maior para a Ferrari nos tempos em que quase nada dá certo.

“Certamente, não ter liberdade total vai tornar nosso trabalho mais difícil. Acho que só podemos entender o quanto podemos diminuir a diferença quando entendermos completamente o motivo pelo qual somos tão lentos. Simplesmente estamos num estágio em que é muito cedo para saber. Então, vamos primeiro nos concentrar em tentar entender o carro e onde podemos progredir muito em breve. E aí vou responder mais tarde sua pergunta”, comentou.

Ao ser perguntado quando vai ser possível encontrar o caminho para obter uma melhor performance com a SF1000, o chefe da Ferrari não soube responder, mas pediu tempo e paciência até lá. “Vai levar muito tempo, não é algo que pode ser abordado em poucas semanas. Então, acho que vai ser necessário paciência”.

“Como disse antes, quando você precisa melhorar em todas as áreas, porque estamos com déficit de velocidade em todas as áreas, não é algo que um simples truque vai resolver, uma solução simples ou um pacote simples. Vai levar tempo. Quanto? Ainda não tenho a resposta”, concluiu Mattia Binotto.

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