Chefe da Honda critica e diz que esperava outra atitude da McLaren: “Lamento que toda a culpa caia sobre nós”

No fim de semana do GP da Itália, a mídia inglesa noticiou uma enorme insatisfação da McLaren com a Honda, a ponto de Ron Dennis ter chegado a pedir a cabeça de Yasuhisa Arai, diretor-esportivo da montadora japonesa. O engenheiro nipônico entende as deficiências do motor, mas disse que o chassi construído pela McLaren também é problemático

Na esteira do GP do Japão, Yasuhisa Arai deu uma entrevista bastante franca ao diário espanhol ‘El País’. O engenheiro, chefe da divisão esportiva e de F1 da Honda, reconheceu que o trabalho feito pela montadora de Sakura no seu retorno à categoria não tem sido tão eficiente como o esperado. Arai falou sobre o Calcanhar de Aquiles do motor Honda, o sistema de recuperação de energia, e acredita que a versão de 2016 será muito melhor. Mas por outro lado, o diretor-esportivo revelou certa decepção com a parceira McLaren. No fim de semana do GP do Japão, a mídia inglesa disse que Ron Dennis pediu a cabeça de Arai por estar insatisfeito com o trabalho feito por ele à frente da Honda.

Arai se mostra chateado porque, no seu ponto de vista, a Honda está levando toda a culpa por uma falta de desempenho global do MP4-30. O engenheiro de 58 anos admite que o motor precisa melhorar muito, mas que o chassi construído pela equipe britânica também é pouco eficiente, e isso vem se mostrando evidente ao longo de toda a temporada. O melhor resultado da McLaren foi alcançado por Fernando Alonso no GP da Hungria, quando terminou em décimo lugar.

O GP do Japão, que em teoria deveria ter sido de festa para a Honda, foi mais um capítulo de uma relação cada vez mais tensa com a McLaren. No calor da corrida, Alonso se mostrou muito irritado ao ter sido ultrapassado com extrema facilidade por carros do pelotão intermediário da F1: Felipe Nasr, Marcus Ericsson e Max Verstappen não tomaram conhecimento do bicampeão do mundo em Suzuka, que bradou ao ter sido passado pelo holandês da Toro Rosso ao dizer que o motor fabricado pela Honda é de “GP2”.

Arai não escondeu sua decepção com a McLaren e afirmou que o chassi MP4-30 também é problemático (Foto: Getty Images)

Arai já esperava por dificuldades em Suzuka e admitiu que a Honda sentiu a pressão por correr em casa. “Esta é uma corrida muito especial para a Honda. Além disso, este é o circuito mais complicado do mundo, tanto para o carro quanto para o piloto, de modo que sentimos um pouco de pressão. Antes de chegar aqui já sabíamos que teríamos problemas com a gestão de energia do motor”, declarou.

Ao ser questionado sobre a relação com a McLaren, Arai disse que, no geral, ela é boa, mas algumas arestas precisam ser aparadas. “A comunicação é boa, melhora a cada dia. Por isso não consigo entender os altos e baixos que vemos vivendo ultimamente, especialmente em Monza. A Honda está ciente da diferença que nos separa das equipes de ponta, sabemos em que lugar nós estamos e estamos trabalhando duro. Lamento que toda a culpa caia sobre nós, é triste.”

O chefe da Honda entende que tem o respaldo da McLaren, mas voltou a citar o ocorrido no fim de semana do GP da Itália. “Do ponto de vista técnico, sim. Mas, e aí volto a Monza, a atitude de parte da imprensa não deveria ter chegado a este nível. Obviamente, estamos decepcionados, mas essa negatividade não ajuda”, bradou.

Até sobre isso, Arai deixou claro que esperava outra atitude da McLaren. O diretor-esportivo da Honda entende que a equipe ajudou a criar tamanha tensão naquele fim de semana. “Sinceramente, sim. É responsabilidade da equipe não criar situações como aquela. Como equipe, deveríamos fazer o possível para estarmos unidos e não gerar divisão.”

“A Honda sempre tem sido honesta, explicamos em que ponto nos encontramos e o que temos de melhorar. Mas isso não foi feito como equipe e teria sido melhor dizer tudo. Lamentavelmente, só nossa parte tem sido feita. Se acrescentarmos que os resultados não estão aparecendo, parece que a Honda está mentindo, e não é assim”, falou o engenheiro.

O chefe da Honda não se arrepende de ter retomado a incursão da montadora como fornecedora de motores em 2015, reiterando que a falta de desempenho da McLaren Honda não se deve somente ao motor. “Sabíamos que seria muito complicado, contudo, ao mesmo tempo, estar aqui em 2015 nos permite aprender muito. Mas, de novo, não é responsabilidade apenas do motor, mas também da parte do chassi, que está sofrendo muito.”

Arai também falou sobre o principal problema que impede a Honda de ter um motor competitivo em 2015. “É no ERS [sistema de recuperação de energia do motor]. Nos circuitos com retas longas, a potência extra do ERS faz a diferença, e isso significa que perdemos uns 160 cv. É uma perda muito maior do que o que podemos ganhar com o motor de combustão. Será difícil solucionarmos este ano porque isso requer um redesenho do motor. Já trabalhamos com vistas à temporada que vem”, disse.

Por fim, o comandante da Honda entende que a fábrica de Sakura não errou quando a parceria com a McLaren remeteu aos anos dourados no fim da década de 80, criando assim expectativas além daquilo que o conjunto tem oferecido nesta temporada.

“Acredito que isso não nos afetou. Entendemos que se espera muito desta união e que os objetivos são muito ambiciosos. Quando Ron disse isso, ele não sabia em que ponto estava o motor, ele não sabia o que se poderia esperar dele porque não estava pronto”, concluiu Arai.

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