Chefe da Mercedes aponta “precedente difícil” criado por ordem da McLaren na Itália

Toto Wolff, que já gerenciou uma batalha tóxica entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg na Mercedes, avaliou que a decisão da McLaren fará surgir uma série de novas questões em ocasiões futuras

A decisão da McLaren de ordenar a Oscar Piastri que cedesse passagem a Lando Norris, no GP da Itália do último domingo (7), rendeu muita repercussão no universo do esporte a motor. Além dos próprios pilotos, Max Verstappen e até Damon Hill, Toto Wolff — chefe da Mercedes — também opinou. E, com a experiência de quem gerenciou uma das batalhas mais bélicas de todas, entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg, o austríaco levantou um ponto importante.

Durante a corrida, a McLaren decidiu inverter os pilotos por ter errado na parada de Norris e causado a ultrapassagem de Piastri. No entanto, Wolff questionou: até onde vai o ato de equilibrar corridas? O austríaco ressaltou que a decisão pode parecer justa, mas traz outros questionamentos. E o principal deles é: como decidir quando interferir e quando deixar as coisas rolarem?

“E se a equipe cometer outro erro, mas não em um pit-stop? Você troca os dois pilotos?”, questionou Wolff. “Igualmente, fazer um piloto que está tentando alcançar outro perder os pontos, devido a um erro da equipe, também não é justo. Acho que teremos nossa resposta, se foi certo ou não, no fim da temporada — quando as coisas esquentarem”, afirmou.

“Se a equipe cometeu um erro e inverteu as posições, [parece] uma decisão absolutamente justa”, pontuou. “Por outro lado, o que é um erro de equipe? E se, da próxima vez, o carro não ligar e você perder uma posição? Ou se a suspensão quebrar. O que você faz?”, perguntou.

Wolff analisou ordem da McLaren no GP da Itália (Foto: Marco Miltenburg/Racepictures)

Wolff afastou a comparação envolvendo Norris e Piastri com Hamilton e Rosberg. Segundo ele, a disputa da Mercedes entre 2014 e 2016 envolvia “dois animais diferentes no carro, que ‘não faziam prisioneiros’ lutando um contra o outro”.

Mesmo assim, o chefe da equipe alemã voltou a ressaltar que a ordem da McLaren abriu um precedente importante. Agora, ficará no ar a dúvida sobre o que a equipe considera um erro válido de reparar por meio de ordens — o que pode desagradar bastante a um piloto ou outro. Para Wolff, o time precisa decidir por um caminho e segui-lo até o fim.

“Você pode ter uma cascata de eventos, ou precedentes, que podem ser muito difíceis de gerenciar. O mais importante é ter uma estratégia clara. Ou você age assim, ou decide por agir de outra forma. Ou tenta correr, ou tenta equilibrar as coisas da maneira mais justa. Você precisa decidir um caminho — e é um problema de luxo. Eles não perdem mais esse campeonato”, finalizou o chefe da Mercedes.

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