Chefe da Mercedes diz que “não houve tempo de reagir” após anúncio de saída de Hamilton

Toto Wolff, chefe da Mercedes, disse que não teve tempo de negociar com pilotos como Charles Leclerc e Lando Norris porque a notícia da saída de Lewis Hamilton veio após extensões de contratos em outras equipes. Por outro lado, austríaco negou rancor

A notícia bombástica de que Lewis Hamilton havia assinado com a Ferrari para 2025 surgiu no início de fevereiro e pegou muitos fãs de surpresa. No entanto, houve quem se surpreendesse também dentro do paddock — e da própria Mercedes. Segundo Toto Wolff, chefe da equipe alemã, “não houve tempo de reagir” após a notícia dada pelo inglês, já que outros alvos do grid acabaram fora de alcance. No fim, Andrea Kimi Antonelli foi anunciado como substituto do heptacampeão.

“Eu já tinha no radar que Lewis iria embora. Não entendi o motivo de ele ter trocado de equipe antes de saber se seríamos competitivos, porém. Isso também não me deu tempo de reagir. Precisei ligar para nossos parceiros de forma emergencial e perdi a chance de negociar com pilotos que assinaram extensões de contratos semanas antes, como Charles Leclerc e Lando Norris“, explicou Wolff no livro da Mercedes sobre a temporada 2023.

“Sempre vejo uma oportunidade na mudança”, prosseguiu Toto. “Por um minuto, não acreditei no momento em que aconteceu. Então, conversamos sobre o que aquilo significaria para a equipe”, afirmou.

Apesar da surpresa, Wolff disse que não ficou chateado com a situação. A saída de Hamilton, inclusive, fez com que a Mercedes não precisasse encarar uma futura conversa sobre a aposentadoria do piloto, e Toto usou o futebol para argumentar que a busca por novos talentos precisa ser constante.

Lewis Hamilton vai correr na Ferrari em 2025 (Foto: AFP)

“Mas gosto da situação. Nos ajudou, porque evitou o momento em que teríamos de dizer ao piloto mais icônico do esporte que chegou a hora de parar. Há uma razão pela qual só assinamos um contrato de dois anos [no sistema 1+1]. Estamos em um esporte em que a cognição afiada é extremamente importante, e acho que todos têm um prazo de validade”, explicou.

“Então, preciso olhar para a próxima geração. É a mesma coisa no futebol: técnicos como Sir Alex Ferguson ou Pep Guardiola anteciparam as performances das estrelas e contrataram jogadores jovens que guiaram o time nos anos seguintes”, afirmou.

Por fim, Wolff garantiu que não houve nenhum tipo de mágoa entre ele e Hamilton pela opção de se mudar à Ferrari. O austríaco tratou como uma “decisão de negócios” e ressaltou a jornada que os dois encararam desde 2013.

Kimi Antonelli será o substituto do inglês a partir do ano que vem (Foto: AFP)

“Aquilo nos deixou um passo atrás e teve um impacto comercial. Mas encarei como algo pessoal? Não, foi uma decisão de negócios. Aproveitamos a jornada juntos, e agora temos nossos próprios objetivos. Isso não me alfinetou, minha casca é grossa. Tive alguns momentos duros na vida, e isso nem se compara”, finalizou o chefe da Mercedes.

Fórmula 1 agora volta às pistas para o GP de Las Vegas, nos Estados Unidos, entre os dias 21 e 24 de novembro. Depois, realiza corridas no Catar, última sprint do ano, e Abu Dhabi.

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