Chefe da Mercedes rechaça abandonar barco e diz que “não pensou” em pedir demissão
Toto Wolff, chefe e diretor-executivo da Mercedes, rejeitou qualquer possibilidade de deixar equipe e garantiu que ainda contribui. Mais que isso, especulou um futuro como o dos donos de franquias nos esportes americanos
É fato conhecido por todo o mundo do esporte a motor que a Mercedes viveu dois anos complicados em sequência. Após quase uma década de domínio na Fórmula 1, a Red Bull tirou o trono e disparou. Mesmo assim, Toto Wolff, que é chefe de equipe e diretor-executivo (CEO), da equipe, garante: não vai sair de cena tão cedo e sequer considerou fazer isso durante o período.
Segundo Wolff, motivos para ficar não faltam, mas os principais são que ainda se vê muito útil e não crê que haja alguém com mais vontade e capacidade de tocar a equipe do que ele próprio.
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“É difícil, porque eu fico martelando a mim mesmo. Dá para dizer que é um problema de física e não de mística ou organização. Erramos a física. Fico questionando a mim mesmo e minha contribuição o tempo inteiro, porque sinto que o time sou eu, como vários outros sentem também. Em momentos difíceis, acordo de manhã [e pergunto] o que eu preciso fazer”, contou.
“Não pensei nisso [pedir demissão], porque ainda acho que consigo contribuir para a equipe na minha área de especialidade, que é manter tudo amarrado, mesmo que eu seja bem emotivo às vezes. Mas o pessoal me conhece muito bem, sabe que eu tenho esses momentos difíceis no domingo à noite”, apontou.

“Posso contribuir. Infelizmente, ainda não encontrei alguém que eu pudesse dizer ‘acho que essa pessoa tem mais energia, mais gana, habilidade’ e todos esses fatores que acredito serem importantes para se tornar um chefe de equipe”, defendeu-se.
Sem saber quando quer deixar a equipe de lado, Wolff só diz ter cuidado para não passar do ponto.
“Vimos exemplos de chefes de equipe que já não estavam no auge, como Ron Dennis ou Frank Williams. Você não quer nunca ficar preso nessa situação. Em 2012, eu queria muito ser o chefe de equipe da Williams, e fizemos isso juntos [Wolff e Williams]. Meu cargo era diretor-executivo, porque forcei, de certa maneira, quando disse para Frank ‘quero tocar isso aqui’. Sinto que nunca estarei nessa situação”, opinou.
Apesar das dificuldades dos últimos dois anos, o chefe e CEO garante que não há uma cultura de culpar personagens nos interiores da Mercedes.
“Isso é algo que temos estabelecido na equipe desde 2013: culpamos o problema, não a pessoa. Somos um ambiente seguro, ninguém foi demitido por falta de desempenho. Sempre encontramos soluções”, afirmou.
“Se um departamento não tem desempenho, é culpa minha, porque não estabeleci as bases corretas ou não contratei as pessoas certas. Não faz sentido culpar alguém que não esteja fazendo um trabalho bom o bastante, porque todos estão tentando o máximo. É como pensamos. Não há cultura de pontar dedos, apenas trabalhamos, algo que me orgulha”, disse.
Por fim, mesmo com o desejo de permanecer e sem o entendimento cultural de que precisa de uma reconstrução de pessoal, Wolff se diz aberto a mudanças no organograma. No futuro, enxerga até a possibilidade de assumir de fato um papel de dono nos moldes estabelecidos nos esportes americanos. Wolff, é bom lembrar, é dono de cerca de 30% da AMG, divisão de esportes da Mercedes.
“Sempre estou de olho na estrutura de organização para o futuro. Talvez seja diferente, sem um chefe de equipe ou um CEO. Como líder do esporte da Mercedes, sou responsável por 2.500 pessoas, toda a parte de motor, toda a parte de chassi e todos os outros programas esportivos da Mercedes. Sou dono do time, então olho com uma perspectiva dos próximos 20 anos. Gostaria de lutar pelos títulos desse período”, avaliou.

“Quando eu sentir que é momento de mudar a liderança, não vou me importar se é bom ou ruim: faremos isso juntos e com muitas outras pessoas ao lado. Para mim, isso não é como um treinador querendo sair em alta e deixar um legado. É mais como: não vou a lugar algum. E espero que consigamos ganhar mais e mais, mas não sinto que alguém me deve isso”, comentou.
“Em algum momento, talvez haja uma liderança diferente nas operações do dia a dia, mas não vai querer dizer que não estou envolvido. Quando olho para equipes dos Estados Unidos, temos Robert Kraft ou Jerry Jones [donos, respectivamente, de New England Patriots e Dallas Cowboys, franquias da NFL]. Estão envolvidos em tudo que seus times fazem, mas o time tem um técnico, um gerente, um CEO e toda uma estrutura que comanda as ações diárias”, finalizou.
Com a temporada encerrada, a Fórmula 1 retorna apenas no ano que vem, no dia 2 de março, com a estreia do campeonato no GP do Bahrein.
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