Coluna Apex, por Andre Jung: Conflitos e incertezas
A F1 chega em seu período de férias e, se na pista belas disputas voltaram a acontecer, nos bastidores a categoria permanece uma incógnita. Acredito que o Liberty Media não imaginava tamanha encrenca quando adquiriu os direitos comerciais das mãos de Bernie Ecclestone
Quando o GP da Hungria nasceu, em 1986, foi indiscutível o arrojo de Bernie Eclestone em avançar a F1 até a Cortina de Ferro. Então, a maioria dos muitos jornalistas que acompanham 'in loco' as provas da temporada jamais haviam pisado em solo 'comunista'.
Para satisfação geral, a Hungria não era um bicho papão, o verão em Budapeste é alegre e a pista, mesmo travada, era também desafiadora, capaz de provocar, ainda na edição de estreia, um pega antológico.
Com a criação da União Europeia e os acordos trabalhistas que começaram a vigorar em todo o continente, o GP da Hungria passou a anteceder as férias obrigatórias que a categoria teve de incorporar.
Dessa forma, o GP magiar tornou-se um momento onde jornalistas, público e equipes fazem um balanço do campeonato e suas tendências, dentro e fora da pista.

(Ilustração: Marta Oliveira)
Relacionadas
Dentro da pista, a Ferrari segue desperdiçando oportunidades, na Alemanha foi Vettel quem jogou fora uma vitória fácil, em Hungaroring, foi a Ferrari que não aproveitou as chances que teve para provocar uma batalha direta entre Vettel e Hamilton pela vitória.
Demorou para chamar seu piloto para trocar pneus, expondo Vettel a um trenzinho de retardatários em disputa direta que ele teve de superar perdendo muito do precioso intervalo para a Mercedes de Bottas que havia construído, depois ao falhar no pit-stop e devolver o alemão atrás do finlandês, praticamente encerrando as chances de ver seu piloto vencedor.
Assim, Hamilton vai descansar mais tranquilo, sobre o colchão de 24 pontos de vantagem, construído apenas nas duas últimas provas.
Se na pista belas disputas voltaram a acontecer, nos bastidores a F1 permanece uma incógnita. Acredito que o Liberty Media não imaginava tamanha encrenca quando adquiriu os direitos comerciais das mãos de Bernie.
O regulamento que passará a reinar a partir de 2021 continua em acalorada discussão, e nos bastidores os times menores enfrentam a insolvência completa. Uma mistura explosiva que tem de um lado dois dos grandes nomes da história da categoria, hoje incapazes de fazer frente sequer aos times 'B' das equipes de fábrica.
A Williams está perdida, Claire sendo contestada por todos, assim como Paddy Lowe. Sem recursos, sem liderança, sem pilotos de primeiro nível e sem perspectiva. A McLaren, depois de anos de arrogância, resolveu assumir sua própria crise. Não tem patrocínio, não tem um carro competitivo e não tem motor vencedor. Hoje, resta às duas ex-potências usar seus poderes normativos para combater a transformação da Force India, que já os tem superado nos últimos anos, em time 'B' da Mercedes.
Desde que entrou na F1, a Haas tem sido duramente criticada por correr com o que seria uma Ferrari disfarçada, conseguindo desempenho surpreendente para um time recente. Com a 'volta' da Alfa Romeo – na verdade Ferrari -, que passou a estampar sua marca nos carros da Sauber, o antes claudicante time suiço tornou-se habitual frequentador do Q3.
O processo iniciado por Red Bull quando constituiu a Toro Rosso agora passa a fazer parte da estratégia das montadoras, mas a implicação esportiva desse modelo é enorme, delimitando claramente quem pode e quem não pode aspirar por vitórias e abrindo caminho para que equipes 'B' atuem nas corridas para o benefício de seus financiadores. Em caso análogo, Esteban Ocon, piloto Mercedes, recentemente deu rápida passagem para Lewis Hamilton, ainda que em luta por posição, para facilitar a vida do time que o tem sob contrato.
A brilhante Force India, que com bravura e competência tem sido a quarta força nas temporadas recentes, hoje se vê em grande enrascada financeira, buscando alternativas para sobreviver. Tem dois pilotos excelentes, um carro decente e como prêmio por sua performance encontra a ruína. Tem alguma coisa muito errada com a F1.
Enquanto isso…
… as propostas de compra da equipe rosa estão na mesa, a de Lawrence Stroll é considerada por muitos uma estratégia da Mercedes para fazer seu time 'B' sem alarde…
… para impedir que aconteça, McLaren, Williams e Renault não estão dispostas a permitir que o novo proprietário receba, extraordinariamente, os milhões que a equipe teria direito – caso permanecesse com o mesmo dono – conforme sua classificação ao final da temporada.
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!