Coluna Apex, por Andre Jung: Surpresas e respostas

Um tapa de pelica que deve ser difícil de encaixar; não era só o motor que a Honda levava para o time de Alonso, também deixava uma montanha de dólares que financiava o desenvolvimento do chassis e ajudava a pagar os boletos que chegam

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Para quem gosta de F1 o GP do Bahrein foi excelente: prova cheia de ultrapassagens – uma delas memorável -, incidentes, estratégia, surpresas e suspense. Difícil esperar mais. Ainda assim há quem reclame; a esses recomendo assistir outra coisa.

 
Que das surpresas Pierre Gasly foi a maior não parece haver dúvida, o jovem talento da academia Red Bull brilhou durante todo o final de semana. Fez o quinto tempo do Q3, largou da quarta posição, beneficiado pela punição de Hamilton, correu o tempo todo como o melhor do resto e chegou num brilhante quarto lugar.
 
Opa, peraí, mas, mas… aí não deveria estar Fernando Alonso? Não é a Mclaren, livre da Honda, com os Red Bull na alça de mira, que deveria ocupar essa vaga? De fato, a Mclaren conseguiu pontuar com seus dois carros, numa sensível melhora em relação ao ano passado, porém, a piccola Toro Rosso, hoje provida do motor e de toda a gana da Honda, deu um salto gigante.
 
Um tapa de pelica que deve ser difícil de encaixar; não era só o motor que a Honda levava para o time de Alonso, também deixava uma montanha de dólares que financiava o desenvolvimento do chassis e ajudava a pagar os boletos que chegam em Paragon (o quartel general da McLaren, em Woking).
 
A Renault pôs grande pressão sobre a Red Bull para que decida se vai ou não renovar o fornecimento de motor até o final de maio. Depois do Bahrein, podemos ver que uma Red Bull Honda em 2019 não é nada improvável.
 
A Mclaren corre o risco de ficar chupando um pirulito amargo. Longe de seu objetivo original do projeto Honda, que era se tornar a equipe oficial de fábrica do gigante japonês, voltaram a ser equipe cliente de uma montadora que tem sua própria esquadra (como nos últimos tempos de motor Mercedes). Além disso, continuam sem um patrocinador-máster, o que deve estar causando prejuízos que no médio prazo devem se fazer sentir.
 
Marcus Ericsson também surpreendeu, um dos poucos a optarem por uma só parada, foi veloz e consistente pontuando pela primeira vez na carreira. Parece lidar bem com a disputa com Charles Leclerc, menino prodígio da Ferrari, conseguindo apagar o mar de desconfiança que por anos cercou sua capacidade.
(Arte: Marta Oliveira)

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A Mercedes, em pequena desvantagem no Bahrein, foi estrategicamente perfeita, colocando muita pressão sobre as Ferrari, mas ao final deu Vettel por pequena margem.

 
No entanto o grande momento de Vettel parece ter sido sua intervenção, para usar essa palavra tristemente em moda, durante a pergunta que um repórter holandês fez a Lewis Hamilton, após o inglês ter sido flagrado classificando como “idiota” a manobra que resultou no abandono de Max Verstappen, quando assistia a imagem do incidente dos monitores na sala onde os três líderes esperam para ir ao pódio.
 
É comum ouvirmos apitos nas conversas dos pilotos com suas equipes selecionadas para vir à público durante as corridas. Ruído alto, concentração total e adrenalina não deixam para boas maneiras e xingamentos ocorrem a toda hora. Nesse quesito Vettel está entre os mais explosivos e desbocados. O GP do Azerbaijão do ano passado foi um bom retrato da impulsividade do alemão, e acontecimentos assim, quando bem explorados, tornam-se tema de muita discussão e aquecem as rotativas (expressão arcaica do Século XX).
 
É dever do repórter tentar extrair de seus entrevistados algo mais do que uma conversa protocolar, nesse caso, jornalista doméstico, tentando cavar uma história que desse mais gancho à cobertura da curta corrida de Verstappen no Bahrein.
 
A atitude de Vettel teve um pouco de causa própria, porém, no contexto da corrida, significou um gesto cavalheiresco em direção ao maior rival, como que a compensar a rudeza na temporada passada. Ao criticar a atitude do repórter, e suas intenções, o alemão parece ter retomado o caminho da rivalidade respeitosa que mantiveram no início de 2017.
 
Por fim, a performance lastimável da Williams, difícil dizer se o carro é tão ruim, aparentemente os problemas da equipe são muito profundos e tem a ver com falta de comando. Claire passou um bom tempo do ano passado em licença-maternidade, voltou no final de 2017 para tomar a polêmica decisão de barrar Kubica, já tido como certo para 2018, e promover Sirotkin com um discurso de que ele ia surpreender os críticos.
 
Gerou enorme desgaste com seus fãs, seus patrocinadores e provavelmente seu staff. Os críticos podem repetir o famoso “eu te disse” de boca cheia, o que parecia ruim ficou pior. Difícil prever uma saída; as entrevistas pós corrida de seus pilotos mostravam dois jovens, meio alienados, falando da boa corrida que realizaram, Stroll contente de ter batido o colega estreante que por sua vez dizia ter aprendido muito. Sem liderança na pista ou nos boxes, o time, que já perdeu a Martini para 2019, tem poucas chances de encerrar o campeonato  de construtores fora do último lugar.
 
Enquanto isso . . .
 
. . . Francesco Cigarinni passa bem depois de mais uma vacilada na luz verde da Ferrari . . .
 
. . . hoje os cubos de roda dos F1 chegam a ter diversos sensores – os da McLaren carregam processadores . . . 
 
. . . já é tempo de se desenvolver um sistema que só libere o carro quando  sensores confirmem sua fixação . . .
 
. . . com pouco mais de 2s de parada, a decisão de soltar o carro tem de ser tomada num tempo que induz ao erro . . .

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