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Lewis Hamilton foi o grande vencedor do GP da Hungria. E mesmo sem vencer a corrida. Não andou bem nos treinos e também não foi bem no Q3, e, ao final da corrida, conseguiu um quarto lugar que não acrescenta muito ao seu currículo. Primeiro negro campeão no patamar mais alto do automobilismo, Lewis veio, viu e venceu, tornou-se tricampeão mundial, e no ano de 2017, em Hungaroring, fez história por manter sua palavra.
Vivemos tempos difíceis, de pós-verdade e outros absurdos, tempos onde vencer é o mais importante, onde palavra, caráter e honra são como lendas ingênuas dos antepassados. Tempos onde um gesto como o de Hamilton vira polêmica. Penso: é assim em todo o planeta ou será que isso é prerrogativa do Ocidente?
Fato é que, ao final da temporada, vença ou não, Hamilton terá feito a diferença. Se algum dia tive minhas humildes questões sobre ele, não tenho mais: Hamilton é o cara. Um título a mais será apenas mais um, a mensagem que Lewis passou ao nosso mundo materialista vale dez campeonatos.
Se ao final do ano ele tiver perdido o título por conta dos pontos que deixou de marcar na Hungria, irá trazer ainda mais importância ao seu gesto.
A atitude de Hamilton é só mais um aspecto de uma temporada que ao meu ver tem sido brilhante. Já coleciono um bom número delas, desde que começaram a ser transmitidas na TV assisti a todas e não tenho o que reclamar da de 2017.
(Ilustração: Marta Oliveira)
Nunca vimos um tetracampeão lutar contra um tricampeão por um título; Ferrari e Mercedes, duas das mais tradicionais ‘casas’ da história das corridas, palmo a palmo; diversos pilotos de enorme talento distribuídos pelo grid; carros muito velozes e belos pegas. Não posso reclamar.
A chegada do Liberty Media tem provocado mudanças notáveis. Atentos, não perdem os detalhes que aproximam as corridas do coração da plateia. Assim, a F1, ainda que com atraso, tenta reagir à revolução tecnológica que dia após dia vai soterrando o mundo como conhecemos.
Flavio Gomes, em recente pensata, trouxe uma conclusão bastante grave para os aficcionados; o automobilismo morreu. Analisou com bastante amplidão as consequências dos processos tecnológicos e suas implicações na indústria automobilística. O carro, estrela industrial do século XX, símbolo de um Era, perdeu glamour, não ocupa mais um lugar relevante na prateleira das intenções, está por tornar-se apenas um meio de transporte autómato. E, na esteira das mudanças, o motor a combustão já está sendo vetado em diversas nações desenvolvidas para um futuro próximo.
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Tudo isso no balaio, faz com que os esforços do Liberty Media sejam importantes embora remar contra a maré não seja uma coisa que tenha saída no longo prazo. Dito isso, 2017 tem sido um dos campeonatos mais bacanas que me recordo de assistir.
Fernando Alonso consegue se manter em evidência, mesmo sem um carro decente o público acompanha e torce por ele e o espanhol aproveita toda e qualquer chance de mostrar seu talento, na Hungria fez um corridaço, sem motor passou Sainz por fora, no braço, e ainda fez a melhor volta da prova, Fernando também é o cara.
Espertos para valorizar suas estrelas os novos comandantes aproveitaram a onda para destacar a icônica imagem fornecida pelo descanso do guerreiro no GP Brasil de 2015 para anunciar as férias de verão que separam as duas metades do campeonato, mais pontos para a Liberty.
Paul di Resta é um senhor piloto, não fez uma bobagem e conseguiu dar conta de guiar um carro desses pego de surpresa quando estava preparado apenas para segurar um microfone.
O incidente envolvendo Daniel Ricciardo e Max Verstappen ao que tudo indica parece superado; foi desespero do holandês que sabia que perder uma posição ali o condenaria a ficar atrás do australiano por toda a corrida, tentou frear onde não havia mais espaço e estampou de forma terminal o outro carro do time. Espero mesmo que superem, são uma das duplas mais interessantes do campeonato e será bom vê-los manter alguma camaradagem.
Sergio Peréz e Esteban Ocon formam outra dupla de ponta, estivessem num carro vencedor estariam entre os líderes. O mexicano tem resistido bem ao ímpeto e o talento do francês e, com um pressionando o outro, colocaram a Force India num confortável quarto lugar sem nenhuma ameaça do pelotão intermediário.
Por fim, na Hungria, depois de milhares de anos, ficamos sem um brasileiro no grid. Um prenúncio? Parece que sim. Ainda que se mostre competitivo, não será fácil ver Felipe Massa na Williams ano que vem e não temos outro piloto em destaque para assumir um cockpit.
Com Interlagos à venda e sem um brasileiro, podemos estar próximos do fim do GP Brasil que já coleciona 44 edições oficiais.
Enquanto isso . . .
. . . todas as atenções estão voltadas para Robert Kubica nos testes da Hungria, não há quem não queira ver o genial polaco voltar a guiar na F1.
BUEMI PERDEU PARA SI MESMO. E DI GRASSI FEZ POR MERECER TÍTULO DA F-E
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