Coluna Rookie Text, por Vitor Fazio: Fim da linha para Button

A McLaren não indica enorme vontade em renovar com Jenson Button para 2015. É uma sacanagem com o piloto que garantiu o quinto lugar do time no Mundial de Construtores, alguém que ainda tem muita lenha para queimar

Fim de temporada é um momento de reflexão. Não só sobre o que se passou ao longo do ano corrente, mas também sobre o que será dos dias que virão. Hoje, Sebastian Vettel recorda seus momentos na Red Bull, mas já antevê sua estreia pela Ferrari. Fernando Alonso lamenta a falta de títulos pela Scuderia enquanto torce por dias melhores na McLaren. Para Jenson Button, tão campeão do mundo quanto os outros dois, não há o que pensar. O britânico está prestes a ser despachado por Ron Dennis, para então sair da F1 à francesa. Não é o que um dos pilotos mais marcantes do grid merece.

Button não é o piloto mais talentoso de sua geração, tampouco o melhor britânico dos últimos anos. Alonso, Vettel e Hamilton têm, no geral, mais qualidade. Velocidade absoluta nunca foi a marca de Jenson, que compensa com inteligência e uma pilotagem sutil. Todavia, esses últimos atributos eram tão bem desenvolvidos que o inglês passou a se encaixar entre os cinco melhores da F1.

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E, aí, a McLaren me apronta a sacanagem – desculpem, só consigo pensar nesse termo para definir a situação — que está fazendo com ele. Vai demitir um de seus pilotos mais ilustres no apagar das luzes, em algum momento inconveniente de janeiro. Não vai ter nem festa de despedida em Woking, já que todos estarão de férias. Estamos falando de um campeão do mundo, ora bolas. Ver o novato Kevin Magnussen colocando o inglês em segundo plano é até trágico, em algum nível. E todos sabem que isso não está certo.

O mais chato é que Button ainda tem ritmo para seguir na F1. Aos 34 anos, não dá sinais de cansaço ou decadência. Não foi como Schumacher ou Mansell, que passaram do ponto. Com um carro de ponta, ainda incomodaria bastante, principalmente com a importância que a economia de pneus e combustível ganhou ao longo de 2014. Sua boa relação com a Honda, que remonta os dias de BAR, também seria de bom grado.

Jenson Button pode ter feito a última corrida na F1 em Abu Dhabi (Foto: Getty Images)

Mas devemos ser justos. A McLaren não demite só por maldade ou sadismo. Acomodar dois campeões do mundo sob o mesmo teto não é nada barato. Quando a dupla era Hamilton e Button, a equipe tinha o relevante apoio da Vodafone. Hoje, não há patrocinador principal — o dinheiro sai na medida que os resultados não vêm. A realidade é outra. Alonso chegando significa que o outro piloto não pode ter um salário muito alto. Nessa, Jenson é cortado.

Contenção de gastos, em outras palavras.

Sorry.

Não digo que a McLaren é obrigada a manter um piloto só porque os fãs assim desejam. Ron Dennis voltou e sabe o que está fazendo, isso lhes garanto. O chefão sabe do que Button é capaz e não daria esse chute na bunda se não fosse necessário. Mas creio que a forma de lidar com o caso está errada. Jenson vai sair sem chance de fazer uma despedida apropriada, sem saber se é o fim ou não, à medida que a novela Alonso vai se arrastando.

O que o futuro reserva para Jenson? Só deus sabe. Talvez resolva ficar parado em 2015 após o duro 2014 que teve. Em janeiro perdeu o pai; em novembro, o emprego estável e a vaga na maior categoria do automobilismo. São dois golpes duríssimos, mesmo para alguém bem resolvido como Button. Quando for a hora, será o piloto ideal para corridas de endurance, onde a inteligência prevalece em detrimento da velocidade pura. Tem potencial para ser bem sucedido em Le Mans, por exemplo. Seria um renascimento muito merecido, uma chance de expandir o elogiável currículo que já tem.

Fato é que, após tantos problemas na administração de sua demissão, o maior erro de todos vai ser a falta de um cockpit para Jenson Button.

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