Coluna Rookie Text, por Vitor Fazio: Vergne vai, Vergne vem
Jean-Éric teve sua chance com a Andretti e foi o melhor piloto em Punta. Fez a pole — sem conhecer o carro, nem ser o melhor em voltas rápidas — e ainda liderou uma quantidade razoável de voltas antes de sua bateria zerar. Tudo bem, acontece. O importante era aparecer como um grande nome e começar a projetar um recomeço em 2015
Carreiras de pilotos não costumam ser regulares, nem seguir alguma espécie de padrão. O que existe hoje pode simplesmente sumir amanhã. É muito efêmero, e todos precisam estar prontos para o dia em que as coisas vão começar a dar errado. Jean-Éric Vergne viu tudo ir pelo ralo quando foi demitido pela Toro Rosso, dias atrás. Mas teve a sorte de ver as coisas se acertarem quando fez uma apresentação primorosa na etapa da F-E em Punta del Este.
Vergne é fruto da academia de pilotos da Red Bull, conhecida por jogar no mundo gente como Sebastian Vettel. Apesar disso, é bem comum ver as coisas darem errado para o pessoal de lá, que costuma chegar à F1 e disputa parcas corridas antes de levar um chute nos fundilhos sem maiores pudores da cúpula dos energéticos – Helmut Marko e seus amigos. A exceção óbvia é o tetracampeão.

Relacionadas
Quando Jean-Éric e o hoje aclamado Daniel Ricciardo assumiram seus postos na equipe de Faenza — no lugar dos ignorados Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari —, todos esperavam bastante competitividade entre os pupilos da vez. Sabia-se que seriam expostos e que as chances de fracasso seriam altas também. Como sabemos, o australiano triunfou e o francês afundou.
Mas Vergne foi rápido. O suficiente para furar o anúncio de sua própria demissão via Twitter e suficiente também para arranjar outra categoria ainda em 2014. Isso tudo porque a F-E, grata surpresa dos últimos meses, está sendo gentil com os desgarrados da F1. Sébastien Buemi, Jaime Alguersuari, Nick Heidfeld, Lucas Di Grassi, Jarno Trulli… Os carros elétricos estão fazendo justiça com aqueles que não conseguiram brilhar no campeonato mais famoso do mundo. O gaulês certamente se encaixa nesse grupo.
Jean-Éric teve sua chance com a Andretti e foi o melhor piloto em Punta. Fez a pole — sem conhecer o carro, nem ser o melhor em voltas rápidas — e ainda liderou uma quantidade razoável de voltas antes de sua bateria zerar. Tudo bem, acontece. O importante era aparecer como um grande nome e começar a projetar um recomeço em 2015.
Se você sabe qual é o outro ramo da equipe Andretti, é capaz de perceber que certa categoria de monopostos dos Estados Unidos está nos planos. Essa nova oportunidade que pode surgir é justíssima. Vergne é tão bom quanto Ricciardo e seria capaz de fazer frente a nomes aclamados do meio do grid como Nico Hülkenberg e Romain Grosjean.
Numa F1 cada vez mais seleta e esvaziada, é natural que menos gente tenha chances de brilhar. A demanda por vagas é alta; a oferta é baixíssima. Errado seria ficar preso à categoria de Bernie Ecclestone, esperando por qualquer migalha que nunca sobraria.
Poucos conseguem se desapegar de um sonho da forma que Vergne fez, o que é louvável. Claro que um bom final de semana nas praias uruguaias ainda não diz muito sobre o que será da segunda parte da carreira de Jean. Ele pode ser um fracasso retumbante se tentar o sucesso na subestimada Indy, contra gente bem mais experiente. Também pode ser que ele cale todos que só veem nele um coadjuvante do automobilismo.
Independente disso, o importante é que essa segunda parte vai existir, seja como for. Vergne foi, mas já está voltando.
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!