Coluna Superpole, por Victor Martins: Os dez pontos da nova F1
O campeonato ainda não pegou no tranco, a segunda equipe é a Red Bull, Alonso vai esquematizar novamente sua saída da Ferrari, os novatos são bons, Marussia e Caterham nasceram assim, a Lotus quer ser ambas, e outras coisas
2) A segunda incrivelmente é a Red Bull. Pessoal tentou capar o touro para se ter boi manso, mas não é assim, à toa, que se é tetracampeão. É a maior recuperação dos últimos tempos, considerando o que Vettel e Ricciardo (não) andaram nos testes da pré-temporada. O RB10 é tão bem feitinho quanto seus antecessores, mas agora carrega um problema de quem lhe empurra pouco. Há ultimatos em cascata para que a Renault forneça um produto minimamente capaz de competir com os Mercedes, e se até maio ou junho o negócio não fluir, a graça vai ser ver o que Horner, Marko e Mateschitz vão matutar.
2A) A Red Bull sempre teve laços com a Volkswagen e seu grupo. Os caras vão estar no Mundial de Endurance bancando Mark Webber e seus parças. Se a Porsche tivesse feito um motor V6 para o WEC, a questão dos rubro-taurinos seria o quanto de dinheiro descarregar na mala para bancar a brincadeira. Mas os alemães optaram por um V4, e ainda tem 2.0 L de capacidade.

3) Escolado pelo que ocorreu em julho do ano passado, Alonso vai começar na sombra e na miúda a esquematizar novamente sua saída da Ferrari. Já se nota que o carro não vai muito além e que pelo enésima vez seguida vai ser figurante. Tem até quem diga que ouviu o espanhol dizer: “Se eu gostasse de quarto, seria dono de hotel”, algo do tipo, em referência aos resultados que conseguiu esse ano, mas a fonte não é muito confiável. Fato é que Alonso não vai brigar pelo título, e no fim do ano serão oito anos de pura seca. E um homem na seca não é muito responsável pelos seus atos.
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4) Os novatos são bons, mesmo: Magnussen mandou bem demais em Melbourne e foi razoável em Sepang, culpando-se até se ajoelhar frente à rainha Margrethe, Margô para os íntimos, pelo incidente com Räikkönen que lhe acrescentou dois pontos na carteira. Kvyat vai na sua e também terminou as duas nos pontos com uma Toro Rosso que é até boa, mas que padece do mesmo mal motorizado da prima-irmã.
5) As mudanças no regulamento desafrouxaram a corda que a Pirelli carregava no pescoço. Hoje, quase ninguém fala a respeito dos pneus, o quanto eles degradam e se são suficientemente seguros.
6) Quem nasceu para ser Marussia e Caterham, morre Marussia e Caterham. Até tinha alguma esperança de que houvesse uma evolução gritante, mas não. Quando muito, Bianchi e Kobayashi devem aparecer aqui e ali, esporadicamente – o Mito até brigou com Räikkönen e Grosjean na Malásia, só que é bem pouco. Se levar a sério o que falou no começo do ano, Tony Fernandes tira o time de campo e das pistas depois da etapa final em Abu Dhabi.
7) Não nasceu para isso, mas a Lotus quis ser Marussia e Caterham. Ou Lola, HRT, Andrea Moda, Forti Corse. Pode ser a influência de Maldonado #13.
8) A gente vai dizer muito ainda um lindo ditado: “Deem um carro de ponta para esse Hülkenberg, por favor”. O moleque senta a bota em qualquer carro que anda e está deixando Pérez no crocs – que todos sabem ser um aspirante de chinelo.

9) O som é horrível, OK, mas uma hora a gente acostuma com o som abafado dos V6 turbo. Em 2009, quando fizeram uma limpa nos carros e tiraram as aletas, além de achatarem e deixarem-nos mais altos, todo mundo estranhou aquele horror. Na metade da temporada, ninguém mais dava a mínima bola.
10) A Williams se empolgou demais e passou do ponto. Primeiro em relação ao desempenho: o carro até pode ser bonzinho, muito melhor que o do ano passado, mas essa história de ser segunda do grid é para aquele boi manso acima ter o melhor dos sonos num pasto aconchegante. O FW36 é Cascão: não lida nada bem com água. E mesmo em pista seca, está longe de ser até uma Red Bull semilenta. Daí veio o negócio do ‘Valtteri is faster than you’. Ouvindo todo o rádio da equipe durante as voltas finais da Malásia, é de se aplaudir Massa pela decisão de mandar a ordem educamente às favas e não à putaquepariu, sem sair xingando meio mundo pela frase que o atordoa há quase quatro anos. Ainda que não seja permitido no Bahrein, seria de bom grado o pessoal ali tomar escondido no paddock um Martini sabor humildade.
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Q1: A questão que fica: a Mercedes vai deixar Rosberg brigar com Hamilton?
Q2: A constatação: Ricciardo é bom piloto e surpreende.
Q3: Duas coisas que ninguém acha: o voo MH370 e Martin Whitmarsh.
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