Com “coração dividido”, Mercedes vê jogo de equipe como decisão correta e defende “vencedor” Bottas
Pivô do polêmico jogo de equipe executado pela Mercedes na Rússia, Toto Wolff defendeu a manobra que permitiu a Lewis Hamilton vencer em Sóchi. O austríaco destacou o sacrifício de Valtteri Bottas pela vitória e avisou: “Estaria preparado para fazer a mesma coisa amanhã”
Dois dias depois de se colocar como o grande pivô do polêmico jogo de equipe orquestrado pela Mercedes para permitir a Lewis Hamilton vencer o GP da Rússia, no último domingo (30), Toto Wolff voltou a falar sobre a inversão de posições entre o britânico e Valtteri Bottas no Parque Olímpico de Sóchi. O dirigente austríaco defendeu a atitude tomada pela escuderia tetracampeã do mundo como forma de aumentar a liderança tanto no Mundial de Pilotos como no de Construtores e destacou a forma como Bottas sacrificou sua vitória para ajudar Hamilton. Wolff classificou o finlandês como um “piloto vencedor”.
“A verdadeira fortaleza de uma equipe está nas pessoas que estejam preparadas para se sacrificar pelo grupo. Valtteri estava disposto a sacrificar sua vitória em Sóchi para ajudar com a proteção da nossa dobradinha e aumentar nossa vantagem nos dois campeonatos, e disse que estaria preparado para fazer a mesma coisa amanhã”, comentou o chefe da Mercedes em prévia veiculada pela equipe às vésperas do fim de semana do GP do Japão.
Wolff seguiu exaltando seu segundo piloto pela atitude demonstrada na Rússia e também pelo desempenho no fim de semana. O dirigente entende que Bottas tinha totais condições de terminar a jornada em Sóchi no topo do pódio.

Toto Wolff defendeu o jogo de equipe da Mercedes em Sóchi (Foto: Reprodução)
“Isso te diz tudo o que precisa saber em termos de qualidade e integridade da sua personalidade. Valtteri mostrou em Sóchi que é um piloto vencedor: conquistou a pole, controlou a corrida e tinha ritmo para vencer, também mostrou que é um grande cara de equipe quando precisamos dele nesta última fase da temporada”, pontuou.
Por outro lado, o dirigente austríaco voltou a defender o jogo de equipe como algo necessário para aproximar a Mercedes da conquista dos dois títulos em disputa na temporada.
“Não é uma decisão fácil, ainda que tenha sido a correta pelos pontos. Acho que todos nós tivemos o coração dividido no domingo, mas não existe uma norma estrita que você possa aplicar em todos os casos. Dizem que nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o inimigo, e vivemos isso na Rússia, com a forma como se desenrolou a corrida”, salientou.
A julgar pelas palavras de Wolff, a Mercedes considera lançar mão novamente de ordens de equipe nesta reta final da temporada para preservar a liderança de Lewis Hamilton, que parte para a conquista do pentacampeonato mundial neste ano.
“Cada decisão tem seu contexto próprio e pode ser que tenhamos que enfrentar mais momentos difíceis antes do fim do ano, mas vamos enfrentar cada um deles juntos, como uma equipe sólida. No fim das contas, saímos de Sóchi liderando ainda mais os dois campeonatos, mas sabemos que isso não significa nada porque ainda tem uma luta com a Ferrari”, disse.
No Mundial de Pilotos, Hamilton tem 50 pontos de vantagem para Sebastian Vettel, restando cinco corridas para o fim da temporada. Nos Construtores, a diferença é quase idêntica: a Mercedes lidera com 53 pontos de frente para a Ferrari. Ainda assim, Wolff vê uma batalha acirrada pelos dois títulos.
“Não podemos dar nada por garantido e vamos continuar 100% nas próximas corridas. Ainda está muito apertado, como demonstrou o ritmo de Sebastian no domingo e a pressão a qual ele nos submeteu”, concluiu.
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