Com dupla explosiva Ocon-Pérez, Force India supera gigantes e crise interna e segue como ‘a melhor do resto’ na F1

Repetir o quarto lugar no Mundial de Construtores alcançado em 2016 era uma meta ambiciosa para a Force India. Ainda mais com a chegada do jovem Esteban Ocon, que provou seu talento logo de cara. Mas manter o top-4 não foi nada fácil, uma vez que o francês mandou às favas a política de boa vizinhança com Sergio Pérez e travou uma das rivalidades mais explosivas da temporada

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Alcançar um patamar de excelência, no esporte e na vida, só não é mais difícil do que mantê-lo. Em 2016, a Force India alcançou o maior feito da sua história de quase dez anos na F1 e finalizou o Mundial de Construtores em quarto lugar. O time de Silverstone tinha uma dupla madura e equilibrada em Sergio Pérez e Nico Hülkenberg. Mas a inesperada saída do alemão rumo à Renault fez os comandados de Vijay Mallya se mexerem. E, com a bênção da Mercedes, velha parceira e fornecedora de motores, o escolhido para substituir Nico foi o jovem e promissor Esteban Ocon. Uma aposta que, ao lado de ‘Checo’, deu muito certo. Mas também deu muita dor de cabeça a Otmar Szafnauer, Bob Fernley e companhia. Justamente porque a ‘união’ foi deveras explosiva.

 
Quanto à temporada em si, 2017 foi o melhor ano da história da Force India, ao menos em teros de pontos conquistados. Se é verdade que o time não subiu ao pódio, como nos três últimos anos, por outro lado marcou 187 pontos, superando gigantes como Williams, Renault e a McLaren para se consolidar como ‘a melhor do resto’ pelo segundo ano seguido. Mas não foi nada fácil comemorar mais uma conquista.
 
‘Checo’, até por estar na equipe desde 2014 e ser o piloto que mais conquistou pódios pela Force India, quatro, teria a condição natural de líder internamente, sendo até uma espécie de ‘mentor’ de Ocon no seu primeiro ano verdadeiramente por um time capaz de lutar por bons resultados na F1. O fato é que Esteban jamais aceitou se ver em um patamar inferior ao do mexicano e tratou de mostrar isso na pista. Só que as disputas muitas vezes passaram muito do ponto, como no Azerbaijão — onde os dois tinham até chance de vencer — e no trepidante GP da Bélgica.
Ocon e Pérez viveram um ano turbulento e até de guerra, mas de bons resultados para a Force India (Foto: Force India)
O que mais impressionou em Ocon foi que o francês conseguiu manter o mesmo nível da Force India mesmo após a saída de um piloto de considerável experiência como Hülkenberg. E os duelos com Pérez só aconteceram porque os dois tiveram performance muito parecida ao longo de boa parte da temporada. E isso se reflete categoricamente na tabela de pontos do Mundial de Pilotos. 
 
Pérez zerou em apenas três corridas e marcou 100 tentos, fechando em sétimo, como o ‘melhor do resto’, tirando os competidores das três melhores equipes do grid. E Esteban, que só não marcou pontos em Mônaco no Brasil, não ficou muito atrás, com 87. Para se ter uma ideia da relevância da temporada de Ocon, Hülkenberg marcou 72 no ano passado, que teve um GP a mais em relação a 2017.
 
A Force India começou a temporada claudicante, como foi também em 2016, chegando até a indicar uma luta mais franca com a Williams pelo quarto lugar do Mundial de Construtores. Mas a partir do GP da Rússia, onde os VJM10 renderam muito bem com seus dois pilotos, a diferença se acentuou, e jamais a Williams se mostrou em condições de brigar com o time de Silverstone. Embora não tenha conquistado nenhum pódio no ano — o que não acontecia pela última vez desde 2013 —, a Force India emendou boas corridas, com raras exceções, como em Mônaco, a única em que seus dois carros ficaram fora do top-10.
Montreal marcou o início do embate de fato entre os dois (Foto: Force India)

 

 

 


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O começo da tensão

 
Mas se o carro era bom e os pontos vinham em profusão, o que poderia dar errado para a equipe? Pérez não queria ser batido por um ‘quase novato’ como Ocon. E o francês queria provar ao mundo porque fora escolhido como a grande aposta da Mercedes para o futuro. O ‘sururu’ estava formado, e a primeira polêmica surgiu nas voltas finais do GP do Canadá. 
 
Em Montreal, ‘Checo’ e Esteban estiveram próximos desde o grid de largada e, com o desenrolar da corrida, indicavam que teriam até mesmo uma chance de lutar pelo pódio, já que o carro do terceiro colocado, Daniel Ricciardo, tinha um rendimento ligeiramente inferior. Mas os dois pilotos ‘rosáceos’ lutaram entre si, com Pérez defendendo a quarta posição de um intrépido Ocon. A equipe ‘lavou as mãos’ e liberou a disputa entre os dois. No fim das contas, os dois acabaram sendo superados por Vettel e terminaram logo atrás. Pérez em quinto, seguido por Esteban.
 
Após as tensas voltas finais no Canadá, o clima entre os dois era mais ameno. “Tivemos uma boa conversa após a corrida e também liguei para Sergio durante a semana, depois que todos estavam mais relaxados. Discutimos os nossos pontos e estamos preparados para o GP deste fim de semana. Não há qualquer tensão entre nós”, garantiu o jovem francês.
Ocon joga Pérez contra o muro em Baku. O caldo começava a entornar na Force India (Foto: Reprodução)
Só que a corrida seguinte do campeonato foi o insano GP do Azerbaijão. Novamente, a dupla da equipe anglo-indiana estava muito próxima. Pérez, que estava logo atrás de Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, foi quem viu mais de perto a ‘briga de trânsito’ entre os dois em Baku, aparecendo na terceira colocação. 
 
Assim, era o piloto que, considerando os problemas que os líderes tiveram, tinha maiores chances de deixar o Azerbaijão com vitória. Mas após uma relargada na volta 19, os dois se chocaram e caíram para as últimas posições. O prejuízo maior ficou todo com ‘Checo’, que abandonou. Ricciardo, que era o nono naquela volta, venceu de forma inacreditável em Baku.
 
Aí era a hora de a cúpula da Force India intervir. Szafnauer, diretor de operações, deu o brado retumbante: “A pior coisa que pode acontecer é bater com seu companheiro de equipe porque dá a oportunidade para outras equipes que teriam isso. É muito complicado porque também é um circuito de rua. Vamos revisar isso de uma forma profissional, vamos conversar com os pilotos e vamos dizer que isso é inaceitável. Não podemos ir uns contra os outros”. 
 
A essa altura do campeonato, em junho, o clima era muito pesado dentro dos boxes da equipe, com os pilotos praticamente não se falando. Apesar da chefia da Force India elevar o tom, nenhum dos dois queria ceder. E foi assim que novamente Pérez e Ocon voltaram a se estranhar na largada do GP da Hungria, o último antes das férias de verão. Período mais que indicado para que os dois pudessem esfriar a cabeça.
 
 

 


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A declaração de guerra

 
Só que o GP da Bélgica, quase um mês depois de Hungaroring, mostrou que os ânimos continuavam muito acirrados. Rápida, a Force India era, ainda mais em uma pista onde a equipe sempre mostrou boa performance. Porém, novamente Ocon e Pérez voltaram a se estranhar, mas daquela vez de forma extrema e até perigosa, por duas vezes no mesmo ponto: a descida para a Eau Rouge, um dos trechos mais rápidos de Spa-Francorchamps. ‘Checo’ apertou o companheiro de equipe contra o muro. Isso a mais de 300 km/h por hora. A guerra estava declarada.
 
“Precisamos ser profissionais na pista. Fora dela, nossa relação acabou”, disparou Ocon. “Vou falar a verdade para ele. Não tenho medo. Se quiser conversar de homem para homem, vou conversar”, falou o francês, chamando o colga para a briga. Nas redes sociais, Esteban se disse vítima até de tentativa de assassinato. 
 
Com a cabeça um pouco mais fria, o mexicano se defendeu. “Na primeira vez a culpa foi 100% minha. Preciso aceitar isso e admitir. Meu erro foi na largada, escolhi o modo [do motor] muito tarde e fiquei sem 50% da potência, acabei não o vendo. Acho que o Esteban foi muito otimista no segundo incidente, não tinha espaço para dois carros. Ele tinha uma reta inteira para fazer uma manobra. É uma pena que a gente tenha se tocado”, lastimou.
Novo incidente entre Ocon e Pérez deflagrou clima de guerra na Force India (Foto: Reprodução)
 
Novas diretrizes em tempo de paz
 
Foi a gota d’água até para a Force India. A partir daquele episódio, ficou decretado a proibição de qualquer disputa na pista entre os dois. Menos de uma semana depois da guerra em Spa, os dois fizeram as pazes, ainda que em frente às câmeras dos fotógrafos em Monza. Tudo o que a equipe queria era vê-los ao menos sob uma atmosfera profissional para confirmar o objetivo para a temporada: se manter em quarto lugar, como a melhor do resto na F1.
 
Com os panos devidamente aquecidos para evitar novas polêmicas, a Force India voltou a andar bem na reta final da temporada. Pérez foi quinto em Singapura e sexto na Malásia; Ocon andou por um bom tempo do GP do Japão em terceiro antes de fechar em sexto, com ‘Checo’ logo atrás — pedindo para a Force India para que o colega abrisse caminho, sem sucesso —, e a consolidação do grande momento do francês com outro sexto em Austin e o quinto lugar no GP do México igualando seu melhor resultado na carreira, logrado também em Barcelona.
Depois de tantos momentos de tensão, Ocon e Pérez fecharam a temporada em paz (Foto: Force India)
Na última prova do ano, Pérez e Ocon voltaram a andar próximos. Mas nem se quisessem poderiam brigar. Não por qualquer imposição da equipe, que tinha liberado a disputa depois de assegurar o quarto lugar no Mundial de Construtores. Mas porque a pista de Abu Dhabi não permitia qualquer tentativa de ultrapassagem.

Assim, os dois terminaram o ano em paz e comemorando os frutos de um ano positivo e histórico para a equipe. E igualmente intenso.

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