Criticado por chefe da Racing Point, CEO da McLaren responde: “Nunca tomei uma multa”

A Fórmula 1 colocou lado a lado Otmar Szafnauer, Zak Brown e Cyril Abiteboul, dirigentes da Racing Point, McLaren e Renault, respectivamente, em entrevista coletiva nesta manhã de sexta-feira em Barcelona. Em pauta, claro, toda a polêmica sobre a ‘Mercedes rosa’ e a punição imposta pela FIA à equipe de Silverstone. No meio da conferência, sobraram provocações

A polêmica sobre a ‘Mercedes rosa’, o Racing Point RP20, e as punições impostas pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) por conta de irregularidades no projeto dos dutos dos freios traseiros do carro da equipe de Silverstone, está bem longe de arrefecer. Nesta semana, McLaren e Williams decidiram não ir adiante e descartaram apelar da decisão tomada pela entidade, que aplicou multa de € 400 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) e retirada de 15 pontos no Mundial de Construtores. Em contrapartida, Ferrari e Renault, a grande artífice dos protestos que culminaram nas sanções, optaram pelo recurso.

A Fórmula 1 escalou lado a lado, em uma das rodadas de entrevistas coletivas com dirigentes, nesta sexta-feira (14), justamente Otmar Szafnauer, chefe da Racing Point, Zak Brown, CEO da McLaren, e Cyril Abiteboul, diretor e comandante da Renault. O tema central da discussão, claro, foi toda a polêmica que cerca a ‘Mercedes rosa’ nesta temporada.

Semana passada, Brown questionou a legalidade do carro, contestou a punição aplicada pela FIA e foi rebatido por Szafnauer, que falou grosso.

McLaren e Racing Point se enfrentam nas pistas e também nos bastidores, com intensa troca de polêmicas declarações (Foto: McLaren)

“Neste aspecto, Zak Brown é um ignorante porque ele não é um engenheiro. Ele não tem ideia do que está falando. Zero. E estou surpreso sobre o quão pouco ele conhece das regras da Fórmula 1. Para mim, parece que ele conhece muito mais sobre a história do automobilismo do que ele faz na F1”, bradou o dirigente de origem romena.

Nesta manhã, diante das câmeras em Barcelona, o executivo norte-americano aproveitou a oportunidade para responder Szafnauer.

“Grande parte do que Otmar falou é verdade. Não sou engenheiro. Mas, como diretor-executivo, nunca tomei uma multa, um euro sequer, muito menos € 400 mil. E Otmar achou que eles estavam perdendo 7,5 pontos até que a [emissora] Sky lhe avisou que não tinha sido assim”, disse.

Para completar, Zak ironizou o carro que mais vem chamando a atenção da Fórmula 1 nesta temporada. “Eu o convido para que ele se junte a mim. Ele também tem um carro histórico com o qual está correndo agora mesmo”.

Racing Point “deveria perder todos os pontos”, defende Renault

A rusga entre Racing Point e Renault não é de hoje e começou com uma polêmica muito antes de a ‘Mercedes rosa’ ser concebida. No GP do Japão de 2019, a equipe de Silverstone descobriu uma irregularidade no sistema de freios do carro da rival anglo-francesa. A peça foi apontada como ilegal porque caracterizava um dispositivo de auxílio para os pilotos. A Renault perdeu 9 pontos, sendo 8 pelo sexto lugar de Daniel Ricciardo e 1 pelo 10º de Nico Hülkenberg em Suzuka.

Dez meses depois, Abiteboul entende que a Racing Point deveria sofrer a mesma punição, ou seja, perder todos os pontos das etapas em que atuou com peça considerada ilegal pelos comissários.

“Esperávamos uma punição consistente em razão das outras sanções que já vimos antes, como a que nós aceitamos no ano passado em Suzuka, quando violamos o regulamento desportivo e não o técnico, fomos desclassificados da prova e perdemos todos os nossos pontos”, lembrou o engenheiro francês.

Racing Point e Renault travam batalhas dentro e fora das pistas desde 2019 (Foto: Racing Point)

“Não houve desconto para a Renault, então não sei por que deveria ter para a Racing Point. Eles deveriam perder todos os pontos de todas as etapas em que apresentamos um protesto”, criticou.

Assim como aconteceu no último domingo do GP dos 70 Anos, a Racing Point foi chamada à sala dos comissários, mas escapou com somente uma advertência, ou reprimenda, como a sanção é chamada pela FIA. Para o chefe da Renault, trata-se de um cenário até bizarro.

“Isso nos leva a uma situação um tanto estranha em que, depois de cada evento, Otmar é chamado pelos comissários, que vão ver que os dutos de freio são iguais, que não foram mudados, e aí ele recebe uma advertência. Nós vamos ter essa situação em dez corridas, ou algo assim, em que eles vão receber advertências”, concluiu.

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