F1
29/07/2017 14:00

De 18 horas agitadas a 18 minutos na pista: “nervoso e ansioso”, Di Resta larga camisa e ferro para substituir Massa

Levou um ano e meio para Paul di Resta ter sua primeira chance como titular da Williams. Chamado às pressas para substituir Felipe Massa, o escocês voltou a fazer parte de um fim de semana de F1 depois de deixar o grid no fim de 2013. Feliz por ter feito um bom trabalho nos 18 minutos em que esteve na pista no Q1, o primo de Dario Franchitti agradeceu à equipe britânica. E se empolgou com os novos carros do Mundial
Warm Up, de Hungaroring / FERNANDO SILVA, de Sumaré
 Paul di Resta (Foto: Williams)

Tão logo soube que Felipe Massa havia passado mal, na tarde da última sexta-feira em Hungaroring, Paul di Resta foi colocado de stand-by pela Williams. Nomeado desde 2016 como piloto reserva de uma das mais tradicionais equipes do grid, o escocês de 31 anos jamais havia  saído da suplência. No máximo, chegou a testar carros mais antigos e, na atual temporada, grava vídeos ao lado de Karun Chandhok mostrando os bastidores da Williams nos circuitos ao redor do mundo. Paralelo à sua carreira no DTM, onde é um dos seis pilotos da Mercedes, Di Resta foi chamado também para atuar como comentarista da emissora Sky Sports neste fim de semana em substituição a Martin Brundle, que passou mal às vésperas do GP da Inglaterra. Mas o piloto não poderia imaginar que teria de abrir mão da função na TV para voltar a guiar um carro de F1 em Hungaroring.
 
Foram 18 horas desde que foi avisado pela Williams das condições de Massa até ser novamente chamado pela equipe ao motorhome, onde foi comunicado que se tornara, a partir daquele momento, o substituto do brasileiro na sequência do GP da Hungria. Naquele momento, Di Resta passava sua camisa antes de entrar no ar antes do treino classificatório. De fato, Paul entrou em ação na classificação, mas na pista.
 
Jogado aos leões com um carro que só tinha ideia de como se comportava em razão dos parcos testes no simulador de Grove, Di Resta revelou em entrevista à Sky Sports ter ficado "assustado", mas foi bem e ficou longe de comprometer. Sua evolução em tempos de volta foi notável, deixando para trás qualquer sugestão de que seria eliminado da corrida por ficar fora do limite de 107%. Na sua quarta e última tentativa de volta rápida no Q1, o escocês cravou 1min19s868, ficando em 19º. O suficiente para superar a Sauber de Marcus Ericsson e ficar a apenas 0s7 da marca do titular Lance Stroll, 17º
Di Resta revelou ter ficado assustado antes de guiar o FW40 pela primeira vez (Foto: Williams)
No fim das contas, foi um resultado bastante aceitável para quem não participava de um fim de semana de F1 há quase três anos e meio, desde o GP do Brasil, o último da temporada 2013.
 
Em declarações veiculadas pela Williams, Di Resta confirmou que já estava de sobreaviso. Porém, ao mesmo tempo, não conseguiu conter o nervosismo e a ansiedade com a chance que lhe foi confirmada no fim da manhã na Hungria.
 
“As últimas 18 horas foram bem movimentadas, me preparando para pilotar caso acontecesse, mas não tinha certeza se iria guiar. Estava nervoso e ansioso. Você não tem certeza sobre vai ser sua capacidade quando chega lá. Estava passando minha camisa às 11h da manhã, me preparando para entrar na TV”, revelou o piloto, que ostenta o numeral #40 no carro usado por Massa entre sexta-feira e o terceiro treino na manhã de sábado.
A última vez que Paul di Resta disputou um fim de semana de GP foi no Brasil, em 2013 (Foto: Carsten Horst/Hyset)
Apesar de jamais ter guiado o FW40 em uma pista pra valer, Di Resta andou bem e não ficou surpreso por ter conseguido logo encaixar um desempenho decente. “Sinceramente, eu rapidamente me senti bem à vontade no carro. Não fiquei surpreso com nada, somente as voltas, que você pode fazer cada vez melhor. Ser jogado direto na classificação é a coisa mais difícil dentre as mais difíceis. Fazer isso em quatro voltas é um enorme desafio, mas não esperava estar tão perto tão logo, pra ser sincero”, disse o escocês, que citou um fato importante: não mexeu em nenhum detalhe do carro acertado por Massa.
 

“Segui com tudo o que Felipe fez até esse treino, como acerto nos freios, o acerto geral e os botões no volante, são todos acertos dele, então só pude ir melhorando cada vez mais. Mas claro que há mais capacidade para evoluir, buscar velocidade e confiança no carro. Esses carros são a coisa mais especial que você pode pilotar. É algo difícil alguém te pedir para ir direto para a classificação, mas às vezes se trata de você aproveitar as oportunidades”, acrescentou o piloto, feliz por ter conseguido aproveitar bem a chance.
Depois da chance inesperada, Di Resta expressou sua gratidão à Williams (Foto: Beto Issa)

No fim das contas, restaram palavras de gratidão à cúpula da Williams. “Agradeço à Williams pela oportunidade, à Claire e a Sir Frank Williams. Tive essa chance de entrar no carro e acelerar com a equipe acreditando em mim e na minha capacidade, espero poder recompensá-los. A equipe é fantástica”.
 
“Estive há um ano e meio esperando por isso. Hoje foi muito especial. Voltei a um carro de F1 e a equipe me preparou da melhor forma possível. Vamos para cima amanhã, para um dia longo e difícil, mas ao mesmo tempo muito ansioso para encarar o desafio e ver como vai ser”, completou Di Resta, feliz da vida com a chance inesperada de voltar ao grid do Mundial de F1.

O GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e em TEMPO REAL todas as atividades do fim de semana do GP da Hungria de F1 com o jornalista Flavio Gomes 'in loco' no circuito de Hungaroring.
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