De Button a Merhi, Ricciardo elege pilotos mais subestimados da F1

Na quarentena, Daniel Ricciardo publicou um capítulo de seu diário listando os nomes mais subestimados com quem já correu. A lista inclui o campeão mundial Jenson Button e pilotos que não tiveram tanto sucesso na F1 como Marcus Ericsson e Roberto Merhi

Com a Fórmula 1 suspensa por conta da pandemia de coronavírus, Daniel Ricciardo aproveitou o momento para publicar um top-5 dos pilotos mais subestimados com quem já correu, e alguns nomes surpreenderam os fãs.
 
O primeiro mencionado foi o sueco Marcus Ericsson, que correu na Fórmula 1 entre 2014 e 2019. Ricciardo menciona os feitos que o piloto, que hoje corre na Indy pela Ganassi, alcançava nos tempos de automobilismo de base.
 
"Marcus sempre foi rápido quando disputamos. Ele foi pole em Macau em 2009, na F3, quando estávamos lá. Você não é um Zé Ninguém para fazer pole lá, e seis daquele grid posteriormente foram para a F1. Nas categorias de base, Marcus era muito bem avaliado e essa reputação não durou na Fórmula 1, mas a velocidade sempre esteve ali. Deu para ver isso na Alfa Romeo em 2018 contra o Charles Leclerc, mas a temporada foi passando e o Charles foi melhorando como um novato e se provou um piloto do mais alto escalão. Porém, sinto que a velocidade do Marcus era um pouco subestimada", publicou Ricciardo.
Marcus Ericsson (Foto: Indycar)
Falecido em 2015, Jules Bianchi foi mencionado por Daniel, que confiava no potencial do francês para vencer corridas e estar em um time grande caso não fosse o acidente no GP do Japão de 2014, cujo consequências causaram sua morte nove meses depois. O australiano também comentou que Charles Leclerc lembra muito o estilo de Bianchi.
 
"Não é como se Jules fosse subestimado, mas nunca vimos ele em um carro de ponta, então as pessoas não entendem o quão bom ele seria. Você pensa naquela corrida de Mônaco em 2014, quando somou os primeiros pontos da Marussia. Mônaco é como Macau, não tem jeito de arranjar resultado lá, é no mérito. Nas categorias de base, ele era o carro. Encontrei ele na Fórmula Medicine, na Itália, e mesmo com todos ali com 17 anos, ele era tratado por todo mundo já como um piloto de F1. O conheci e nos tornamos amigos, e rapidamente conheci o que ele tinha feito antes de eu ter chegado na Europa. É outro motivo porque essa história é tão triste, porque ele seria um piloto em um time grande e já teria vencido corridas agora. De algum jeito, sinto que Charles faz o que o Jules fez, é como se ele fosse uma versão atrasada do sucesso que o Jules teria", disse o australiano.
 
Vitantonio Liuzzi foi o primeiro companheiro de Ricciardo na F1 e também foi mencionado. O piloto italiano é conhecido por sua carreira no kart, especialmente o título mundial de 2001. Liuzzi permaneceu na Fórmula 1 entre 2005 e 2011.
 
"Meu primeiro companheiro na F1. Ele era, pelo que as pessoas diziam, um dos melhores kartistas de todos os tempos. Para quem cresceu no Kart, mesmo lendo apenas revistas australianas, Liuzzi era o cara nas propagandas, era o Schumacher do kart. Ele foi para a F1, mas nunca deu certo. Ele era rápido, e como novato, pude acompanhá-lo na HRT. Foi de abrir os olhos, ele estava no fim da carreira na F1 e agora posso admitir que o subestimei, então fui pego de surpresa pela velocidade dele. O ritmo de corrida provavelmente o decepcionou, mas a habilidade de forçar o carro em uma volta me chamou atenção. Me lembro de Budapeste, em 2011, quando achei que tinha arrasado na minha volta rápida e ele ainda me bateu. Ele tinha 100% de velocidade", declarou o australiano da Renault.
Vitantonio Liuzzi (Foto: F-E)
Roberto Merhi é considerado como uma promessa que não deu certo na Fórmula 1, mas foi valorizado por Daniel, que explicou alguns dos motivos que prejudicaram a campanha do piloto espanhol na Marussia em 2015.
 
"Dois pilotos da Marussia no meu top-5, acho que vocês não pensaram nisso. Merhi fez apenas um ano na F1, em 2015, mas corremos juntos na Fórmula Renault Italiana em 2007, quando me mudei para a Europa. Éramos os principais novatos naquele ano sem o melhor equipamento, então ele estava no meu radar. Fizemos a Fórmula Renault Eurocup no ano seguinte com Valtteri Bottas, mas ainda considerava Merhi como minha maior ameaça. Ele era como o Max Verstappen no jeito que controlava o carro. Tinha velocidade e era destemido, tomava riscos e senti que ele poderia crescer nos rankings. Eu acho que as coisas foram para o lado errado quando economia de pneus passou a ser mais importante. O estilo dele combinava com a Fórmula Renault porque era o mais rápido no jeito de pilotar aqueles carros. Ele arrasava naquele estilo, o que era impressionante, mas isso não se traduziu para a F1. Os pneus eram problema, já que eram mais frágeis. Acho que a abordagem não funcionou", disse.
 
Quem fecha a lista é o campeão mundial de 2009, Jenson Button. Ricciardo rasgou seda para o inglês, especialmente pela campanha de 2011, quando foi vice-campeão e ficou à frente de Lewis Hamilton, parceiro de equipe na McLaren.
 
"Como um campeão do mundo pode ser subestimado? Jenson teve grandes anos na F1, mas acho que em 2011, quando ele era companheiro do Hamilton na McLaren e o bateu é o que me leva a colocá-lo na lista. Ele o derrotou em todos os circuitos 'reais' como Suzuka e o ritmo de corrida era um dos melhores. Eu reconheço que o Jenson fez coisas diferentes dos outros, tinha uma boa equipe ao lado dele, mas era sutil, suave, um dos melhores que vi na chuva. Aquela vitória no Canadá, duas corridas antes de eu estrear na F1, foi uma das melhores da história”, completou.
 

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