Desempenhos discrepantes e desgaste dos pneus: as chaves do agitado GP dos 70 Anos

A quinta etapa da temporada 2020 do Mundial de Fórmula 1 foi divertida e marcada por uma incrível variedade no campo estratégico. Venceu quem melhor sabe fazer a diferença com o carro que tem às mãos. Max Verstappen alcançou o feito improvável de triunfar diante da favorita Mercedes com velocidade bruta, pilotagem livre de erros e boa gestão do desgaste de pneus

O GP dos 70 Anos da Fórmula 1 do último domingo (9) não teve um final tão chocante quanto o fim de semana anterior em Silverstone, porém teve muita ação graças ao desempenho muito discrepante dos carros em relação aos pneus. Seguem abaixo os momentos da corrida que mais chamaram minha atenção:

– Discrepância de desempenho dentre Sebastian Vettel e Charles Leclerc: em 2019, a performance da dupla de pilotos da Ferrari foi semelhante, com o monegasco demonstrando mais velocidade bruta, porém com Vettel administrando bem suas corridas. Em 2020, entretanto, Leclerc está claramente muito superior ao tetracampeão. Charles conseguiu administrar extremamente bem seus pneus para terminar em quarto, enquanto Seb rodou sozinho na primeira volta e sequer pontuou;

Max Verstappen largou com pneus duros e deu nó tático na Mercedes (Foto: AFP)

– Qualidade de Max Verstappen como piloto: muito se discute a influência do piloto no desempenho dos carros de Fórmula 1, e o holandês mostra claramente que faz muita diferença dentro de sua equipe. Velocidade bruta, pilotagem livre de erros e boa administração de pneus permitiram a o jovem piloto da Red Bull enfrentar e vencer as Mercedes. Mal vejo a hora de vê-lo pilotando um carro com maior potencial para o título;

– Falta de ritmo de corrida das Racing Point: como a maioria dos fãs de Fórmula 1, estava na torcida pelo pódio de Nico Hülkenberg, que infelizmente não aconteceu. Mas, mais que isso, foi decepcionante ver tanto Nico quanto Lance Stroll não conseguirem manter suas posições na parte final da corrida. Segundo a equipe, ‘Hülk’ precisou fazer uma terceira parada por conta de vibrações excessivas do carro e, com isso, perdeu posições importantes na corrida. E o canadense não conseguiu conter Alexander Albon no fim da corrida. Para uma equipe com tanto potencial, a Racing Point deixou novamente a desejar;

Lewis Hamilton e sua brilhante administração de pneus: novamente, o hexacampeão cuidou excepcionalmente bem de seus compostos, conseguindo estender seu segundo stint, o que permitiu que ultrapassasse Valtteri Bottas no fim da corrida. Admiro a coragem de Hamilton e da Mercedes de ficarem com pneus tão gastos por tanto tempo na pista após os problemas do GP da Inglaterra na semana interior, inclusive;

– Pirelli e seus pneus: me pergunto até que ponto é um bom marketing para a fábrica de Milão termos corridas sendo definidas por desgaste excessivo dos pneus. No GP da Inglaterra, muitos pneus literalmente não aguentaram a corrida. E agora, no GP dos 70 Anos da Fórmula 1, notamos claramente pneus incrivelmente deteriorados. Creio que este será um ponto de discussão dentre a Pirelli e a Fórmula 1 no desenvolvimento de compostos futuros dos pneus.

Concordam ou discordam dos pontos levantados? Compartilhem suas opiniões conosco através das redes sociais. A próxima corrida acontece em 16 de agosto, o GP da Espanha, em Barcelona.

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