Diretor da Force India cita crise de 2008 e fala que saída da Red Bull pode causar “a mudança que a F1 precisa”

A Force India acredita que só algo grande e extremo pode provocar a mudança que a F1 precisa para melhorar o show e resolver o problema dos custos. Bob Fernley, o diretor-adjunto da equipe indiana, afirmou que só algo como a saída da Red Bull do Mundial poderia causar o impacto necessário para que a categoria mude de vez

Uma possível saída da Red Bull do Mundial é uma situação extrema, mas que pode forçar uma revisão necessária dos regulamentos e mudar a F1. A opinião é de Bob Fernley, o diretor-adjunto da Force India. A maior das categorias do automobilismo é alvo constante de críticas e está, por meio de equipes e dirigentes, em uma busca constante por mudanças para melhorar o espetáculo, aumentar a popularidade e reduzir custos. Mas nada ainda se mostrou eficaz o bastante.

Diante desse cenário, o dono da marca das bebidas energéticas, Dietrich Mateschitz, já ameaça deixar o campeonato se nada mudar, ainda que pese o fato de que o time também não atravessa sua melhor fase. Em meio à falta de competitividade dos motores Renault, a Red Bull deixou o papel de protagonista e está longe da briga por vitórias neste ano. Ainda assim, o chefe da esquadra austríaca, Christian Horner, garantiu que a intenção continua sendo permanecer no Mundial.

Red Bull ameaça deixar a F1 se nada mudar (Foto: Red Bull Content Pool)

Fernley, entretanto, possui uma visão diferente. E afirmou que as saídas de Honda, Toyota e BMW da F1 entre 2008 e 2009 provocaram uma grande revisão das regras, incluindo medidas eficazes para o corte substancial dos gastos nos anos seguinte. Por isso, o chefe da equipe indiana acha que o mesmo pode acontecer agora, com o movimento da Red Bull.

"Nós só fizemos as coisas certas para a F1 quando a Honda e a BMW deixaram o campeonato, e nós entramos em uma crise econômica, o que trouxe alguma sensibilidade de volta", disse Fernley em declaração à revista inglesa 'Autosport'.

"Então, nós tivemos algumas das melhores corridas em muitos anos, como resultado disso. Por isso, acho que o mesmo pode acontecer de novo. Alguma coisa grande precisa acontecer para que as pessoas percebam a real situação e passem a procurar uma solução para o problema, ao invés de querer introduzir medidas de interesses próprios", completou.

"Isso não significa que precisa ser uma equipe independente. Se você olhar para as discussões que estão acontecendo no momento com a Red Bull, isso poderia ser facilmente o outro lado da moeda. Ou seja, pode ser algo que desencadeei uma mudança. O mais importante para as equipes independentes é ter certeza de que eles são competitivos o bastante e que possam sobreviver durante esse processo, porque eles também fazem parte da solução. Porém, até que chegar a esse ponto não haverá mudanças", acrescentou o inglês.

O chefe da Red Bull, entretanto, acha que uma mudança é possível, mas desde que tudo seja devidamente analisado. E vai além. Para Horner, todas as equipes vão precisar em algum momento fazer concessões para chegar a um consenso. "A realidade é que qualquer que seja a mudança será apenas para 2017", disse.

"Mas é importante que tomemos um caminho correto e que todo mundo reconheça que precisamos melhorar o espetáculo e criar um produto atrativo. E provavelmente todos nós teremos de dar um pouco de cada um para conseguir isso", emendou.

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