Diretor revela que temor por choque cultural impede Honda de buscar profissionais na concorrência na F1

Yasuhisa Arai, diretor de competições da Honda, descartou novamente procurar ajudar externa para tentar fazer progredir a unidade de energia da fabricante japonesa. O engenheiro teme por um choque cultural

Diretor de competições da Honda, Yasuhisa Arai afirmou que o temor de um choque cultural está por trás da relutância da fabricante japonesa em buscar engenheiros nas equipes e montadoras rivais na F1, como forma de evoluir mais rápido a unidade de potência nipônica.

Recentemente, o diretor de corridas da McLaren, Éric Boullier, sugeriu que a fornecedora procurasse na concorrência alguns nomes de peso que poderiam ajudar a acelerar o progresso das unidades de energia, especialmente devido à experiência anterior desses profissionais com os motores V6 híbridos, que foram introduzidos na F1 no ano passado.

Em seu retorno ao Mundial nesta temporada, a Honda tem enfrentado diversas dificuldades para evoluir seu motor, não só em termos de confiabilidade, mas também há uma clara falta de potência na comparação com as adversárias. E a paciência já está se esgotando pelos lados da McLaren.

Diretor da Honda, Yasuhisa Arai fala sobre os projetos da fornecedora (Foto: Getty Images)

Arai, entretanto, deixou claro que não tem intenção alguma de procurar novos engenheiros na concorrência. "É uma ideia maravilhosa, mas eu acho que seria difícil assinar agora com algum engenheiro da Ferrari ou da Mercedes", disse o japonês em entrevista à revista inglesa 'Autosport'.

"Por exemplo, também seria difícil para ele trabalhar conosco. Culturalmente, somos bastante diferentes, o equipamento, a simulação. Tudo é distinto. Ele pode ser altamente qualificado, mas levaria muito tempo para entender como operamos. Além disso, nós, como Honda, queremos que os nossos funcionários permaneçam conosco por um longo tempo, então, quando alguém vem e fica por seis meses e depois sai, é muito mais difícil. Não é assim que as coisas funcionam por aqui", acrescentou.

E Arai não parou por aí. O diretor da Honda ainda descartou outra ideia de Boullier, a de usar os recursos da McLaren para tentar reduzir a diferença para as rivais. "Entre o motor e o chassi, embora ambas as áreas sejam importantes, há uma enorme diferença tecnológica. Se alguns engenheiros do setor de chassi passassem para o lado do motor, é algo que não vai funcionar. O mesmo aconteceria se nós passássemos para o lado McLaren, seria muito difícil."

"Nós apenas precisamos entender e trabalhar juntos, sentar e conversar, analisar ideias e tentar tomar caminhos diferentes para resolver os problemas", completou.

Por fim, Arai ainda disse que, apesar das culturas distintas, as duas empresas estão trabalhando em harmonia. "Nós estamos trabalhando juntos, discutindo as situações. Agora, estamos na metade da temporada, já conversamos muito com Éric e com os demais engenheiros, e espero que possamos deixá-los orgulhosos ao fim desta segunda parte do ano", encerrou.

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