Em duas F1 diferentes, Pérez é bola sete e candidato a ápice da carreira ao mesmo tempo

Sergio Pérez é inegavelmente uma das figuras mais em voga na Fórmula 1 atualmente. Tem nas mãos o carro sensação do ano, a Racing Point, e a chance de atingir o ápice da história na categoria. Ao mesmo tempo, demissão paira

Há duas Fórmula 1: uma na pista e outra nos bastidores. Sergio Pérez vive momentos bastante distintos em cada uma delas. De um lado, o da pista, deveria ter brigado pela vitória numa prova e, embora ainda não esteja em grande momento, tem a possibilidade de viver seus melhores dias; do outro, atrás das câmeras e nos confins do paddock, está prestes a perder o emprego.

As duas coisas estão quase nada relacionadas, de forma até incomum. A não ser que Pérez tenha um ano completamente acima do que parece ser possível, a decisão entre a permanência ou desemprego dificilmente terá algo a ver com a pista.

O ponto é simples: a Racing Point vai virar Aston Martin, equipe de fábrica, e já tem o melhor carro de sua história. Assim, a oportunidade de ter um tetracampeão mundial como Sebastian Vettel é absolutamente irresistível – não é todo dia que um dos maiores pilotos da história está no mercado dando sopa e praticamente sem competição.

Pérez merece ser defenestrado? Não, claro. Lance Stroll é um piloto inferior, mas vocês sabem do que se trata: é filho do dono, o homem do dinheiro, Lawrence Stroll. Não será demitido. O próprio Pérez admitiu nos últimos dias que “é óbvio” quem perderá a vaga para Seb.

A sensação é que o mexicano só ainda não está no mercado por conta da gratidão da equipe com ele. Pérez chegou em 2014, trouxe muito dinheiro da Escuderia Telmex que, em vários momentos, segurou a equipe de pé. Depois, com as muitas dívidas da então Force India com seus patrocinadores, foi Pérez quem entrou na justiça atrás dos pagamentos. Foi a ação dele que desencadeou eventos que, no fim das contas, possibilitaram a compra por parte do consórcio de Stroll.

Mas a Racing Point atual é forte demais, dá até para argumentar que é o melhor carro que Pérez já teve: melhor até que a McLaren de 2013. É o terceiro carro do grid, ligeiramente à frente da própria McLaren e com vantagem para a Ferrari. Está atrás da Red Bull, sim, mas compete. E Pérez é o cara, não existe dúvida.

No GP da Áustria que abriu o campeonato, deveria ter brigado pela vitória após o safety-car a algumas voltas do fim dar a possibilidade de juntar pelotão e atacar as Mercedes, mas a Racing Point errou na estratégia, manteve Pérez de pneus duros gastos em vez de colocar macios novos, como fez Alex Albon. Acabou perdendo posições.

Depois disso, recuperou-se de uma classificação ruim de maneira impressionante na Estíria, mas errou na parte final: na hora de tomar o quarto lugar de Albon, cometeu erro de novato, quebrou o carro e acabou ainda ultrapassado por Lando Norris. Na Hungria, foi sétimo. Os 22 pontos no campeonato marcam um sexto posto que tende a subir. Os pódios são objetivo real e irão aparecer, mais dia, menos dia, em 2020.

Com oito pódios na carreira – o máximo num mesmo ano foi em 2012, com três – e nunca mais que o sétimo lugar do Mundial de Pilotos, o mexicano de 30 anos tem tudo para bater as marcas e alcançar o grande ano na categoria. E, mesmo assim, perder o emprego para voltar a uma equipe em condições bem mais difíceis em 2021, seja Haas ou Alfa Romeo. Sorte e azar cruzados e ao mesmo tempo e por motivos totalmente paralelas é uma alegoria perfeita da F1.

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