Equipes descartam proposta de lastro como punição por troca de motor na F1

A proposta levada às equipes previa a introdução de um peso adicional ao carro por cada peça trocada do motor. As equipes, porém, desaprovam e sugerem novas possibilidades

No início dos trabalhos do GP de Singapura, a Fórmula 1 aproveitou para apresentar uma nova proposta para substituir uma de suas regras mais polêmicas: as punições por trocas de peças do motor. O atual modo de punição na categoria prevê a perda de posições no grid, variando a cada elemento mudado – a unidade de potência é formada por seis partes. Assim, tem sido muito comum ver grids no domingo muito diferentes do resultado final da classificação no sábado. 
 
Mas, com o aumento do número de etapas e a diminuição do número de unidades de potência que as equipes podem usar a cada temporada, esse formato tem sido bastante criticado, pois a cada corrida, um número considerável de pilotos se vê obrigado a largar no fundo. No GP da Itália, Max Verstappen, Lando Norris, Pierre Gasly e Sergio Pérez foram os punidos da vez.
 
Com o objetivo de reduzir esse impacto, a Fórmula 1 propôs um novo modelo. Ao invés de perda de posições, os pilotos ganhariam um lastro – um peso adicional ao carro que dificultaria o rendimento. A proposta mantém uma ideia do modelo original: quanto mais importante for a peça, mais lastro o carro recebe. A troca de um turbocompressor levaria a adição de 5kg ao carro, enquanto uma unidade de potência inteira chegaria a 15kg ou mais. Mas os valores seriam calculados para “dar um efeito similar ao que representam atualmente as punições”.
Max Verstappen foi punido pela troca do motor na Itália e largou do fim do grid (Foto: AFP)
Assim, os carros largariam da posição que terminarem a classificação. A proposta evitaria casos de pilotos que desistem de participar do treino de classificação por já saberem com antecedência que vão largar na última fila, como o de Verstappen no GP da Itália.
 
A medida da F1, porém, não agradou os chefes das equipes. Na coletiva realizada na manhã desta sexta (20), em Singapura, os diretores da Alfa Romeo, Haas, Red Bull, Renault e McLaren comentaram sobre a possibilidade. Para todos, o formato atual das punições não está funcionando como deveria, mas o lastro só tornaria as coisas ainda piores.
 
“Eu acho que seria ainda pior para a corrida. Pelo menos quando você toma a punição você larga lá de trás e isso pode dar uma animada na corrida, mas se você acaba sendo punido com o lastro, pode ser pior”, afirmou Fréderic Vasseur, chefe da Alfa Romeo.
 
Christian Horner, da Red Bull, comentou que é preciso encontrar uma forma de punição que não tire o espetáculo da classificação do sábado: “Se nós olharmos para Monza, Max fez apenas algumas voltas no Q1, sem a intenção de se classificar para o Q2. Eu acho que precisamos de uma punição mais justa do que ir direto para o fim do grid. Precisamos considerar isso, para que você ainda esteja encorajando o piloto no sábado a buscar uma boa posição na classificação”
 
Outra possibilidade sugerida na coletiva, por Cyril Abiteboul, da Renault e Zak Brown, da McLaren, foi a troca da punição em posições no grid por adição de tempo, que poderia ser paga no pit-stop ou no final da corrida. “Eu acho que a punição com tempo é fácil de entender. Não mistura o grid, você paga no pit stop. A estratégia entra em jogo – quando você para, pneus, etc -, então eu acho que seria o mais simples, o que menos atrapalha, o mais fácil de entender e dá uma injeção de ânimo à corrida”, afirmou Brown.
 
Ainda em modelo inicial, a proposta deve ser melhor discutida pela categoria nas próximas semanas antes de se votar em uma decisão final. Por enquanto, o formato atual de punição com perda de posições no grid de largada se mantém.

A F1 volta a acelerar em Singapura na tarde deste sábado, ainda manhã no Brasil, a partir de 7h (horário de Brasília), enquanto a sessão que vai definir o grid de largada acontece às 10h. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REALSiga tudo aqui.

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