Escolha de Button para companheiro de Alonso expõe pouca paciência da McLaren com novatos na F1

A McLaren optou pela experiência ao escolher Jenson Button como companheiro de Fernando Alonso para a temporada 2015. A decisão também expôs a pouquíssima paciência que a equipe inglesa desprende aos novatos na F1. Kevin Magnussen foi a mais recente vítima. Antes dele, Sergio Pérez já havia sido mandado embora depois de apenas uma temporada

A McLaren decidiu ter a experiência como aliada para encarar a temporada 2015 da F1, ano em que vai reeditar a parceria técnica com a Honda — no fim dos anos 80, as duas marcas dominaram o Mundial, especialmente nos duelos entre Ayrton Senna e Alain Prost. A gigante japonesa agora vai voltar a fornecer os motores ao time de Woking a partir do próximo ano. Diante desse cenário, a esquadra britânica preferiu não arriscar e tratou de colocar Jenson Button como parceiro de Fernando Alonso. Os dois campeões serão os responsáveis por liderar o projeto McLaren-Honda na F1. Mas o anúncio feito nesta quinta-feira (11) também expôs uma peculiar postura da equipe inglesa com relação a jovens pilotos. Pela segunda vez consecutiva, a escuderia abre mão de um novato. 

Sob o comando da mão pesada de Ron Dennis, a McLaren nunca foi um lugar condescendente com erros de seus comandados na pista. Esse comportamento sempre custou muito caro e quase invariavelmente colocou os novatos na rua. A sisuda esquadra britânica é tradicional e conservadora, seus passos são bem calculados e raramente as decisões são tomadas de forma precipitada ou no calor do momento. O exemplo maior disso foi mesmo a demora para que a opção para 2015 saísse. E o lado mais jovem saiu perdendo de novo. Kevin Magnussen acabou preterido pelo time, no fim das contas.

Sergio Pérez ficou na McLaren apenas um ano (Foto: getty Images)

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A manobra do time repetiu a ação do ano passado, quando a esquadra demitiu Pérez depois de apenas um campeonato. O mexicano chegou à equipe inglesa para substituir ninguém menos que Lewis Hamilton, que havia decidido dar continuidade à carreira na Mercedes, depois de um vínculo de 13 anos com Woking.

Sergio ganhou a chance na McLaren, credenciado pela velocidade e pelo desempenho arrojado que apresentou à frente da suíça Sauber em 2012, quando fazia apenas seu segundo ano na F1. Só que a vida na Inglaterra não foi fácil para o jovem, que em nenhum momento lembrou o rápido e ousado competidor dos dois primeiros anos de Mundial.

Pérez ainda entrou em conflito com Button e acabou perdendo a queda de braço. No fim, Sergio deixou a equipe com o 11º posto no Mundial de Pilotos e 49 pontos, contra 73 do britânico.

Outro jovem que teve passagem curta pela McLaren foi Heikki Kovalainen. O finlandês desembarcou no time em 2008, depois de apenas um ano na Renault. Mas não foi páreo para Hamilton e acabou preterido ao final de 2009, para dar lugar ao então recém-campeão Jenson Button.

Kevin Magnussen estreou na F1 neste ano (Foto: Getty Images)

E a história se repete

Para o campeonato deste ano, o dinamarquês, campeão da World Series em 2013 e já desempenhando papel de reserva na McLaren, foi chamado para o lugar de outro que começava a trilhar caminho nas equipes de ponta: Sergio Pérez.

Só que Magnussen começou muito bem a temporada de estreia na F1. Já na primeira corrida obteve um segundo lugar. Mais que isso, mostrou um desempenho sólido e sem erros. E até deixou a impressão de que poderia realmente superar o experiente companheiro Button. Porém, a temporada foi de altos e baixos para Kevin.

Ao longo das 19 corridas, o jovem danês conseguiu terminar 12 vezes entre os dez primeiros. É fato também que o MP4-29 da McLaren deixou a desejar em muitas oportunidades e só voltou a esboçar alguma recuperação na parte final do ano. Ainda assim, o filho de Jan Magnussen se viu envolvido em disputas ferrenhas como a que marcou o GP da Bélgica em um duelo com Fernando Alonso, ou com Valtteri Bottas na Itália ou ainda o envolvimento no acidente com Felipe Massa, na primeira volta da etapa da Alemanha — a maior polêmica do ano também.

Apesar do arrojo, Magnussen também foi traído por erros e pela falta de consistência em algumas etapas, situação que fez o colega Button se colocar em situação de vantagem na classificação geral da temporada. Enquanto o britânico completou o ano em oitavo, o novato foi apenas o 11º. A diferença entre eles foi de 71 pontos.

O grid completo de 2015 na F1
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DUPLA DE PESO

A opção foi pela experiência: Fernando Alonso e Jenson Button são os titulares da McLaren na temporada 2015 do Mundial de F1. O tão aguardado anúncio, que fecha o grid do próximo campeonato, saiu nesta quinta-feira (11) na fábrica da equipe em Woking, na Inglaterra.

Alonso retorna à escuderia depois de uma passagem extremamente conturbada em 2007, há oito anos. Campeão mundial com a Brawn em 2009, Button vai ter a oportunidade de defender a McLaren pelo sexto campeonato seguido em 2015.

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NÃO TIROU O DEZ

Quando assinaram e uniram forças em 2009, Ferrari e Fernando Alonso tinha um objetivo em comum: conquistar títulos. Após a fracassada temporada 2014, os destinos de piloto e equipe voltam a se separar – sem o título. No entanto, Alonso ainda tem palavras de carinho com a escuderia de Maranello, onde acredita ter vividos os melhores anos de sua carreira. Para Alonso, seu nível enquanto esteve na Ferrari foi melhor que eu qualquer outro momento. O espanhol ainda destacou seus números em comparação ao companheiro de 2014, Kimi Räikkönen, mostrando ter sido muito superior.

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MUDANÇA DENTRO
E FORA DAS PISTAS
Lewis Hamilton passou por altos e baixos após a conquista do título mundial em 2008. Para retornar ao topo da F1, superou crises, desentendeu-se e fez as pazes com o pai, e mudou de equipe em busca de um novo desafio. A recompensa chegou na forma do bicampeonato
 
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