Estrategista da Mercedes dosa expectativa em SP, mas torce por chance de “fazer diferença”

O brasileiro Leonardo Donisete da Silva atua como estrategista sênior da Mercedes e explicou ao GRANDE PRÊMIO que quanto mais na ponta a equipe conseguir brigar, mas a tática se torna crucial

Única equipe a ter vencido na temporada 2025 da Fórmula 1 sem ser McLaren ou Red Bull — que ainda disputam o Mundial de Pilotos —, a Mercedes chega a São Paulo no posto de franca atiradora para aproveitar a chance que aparecer. E é nesse ponto que um brasileiro em especial pode ter papel fundamental para dar a George Russell ou Andrea Kimi Antonelli tal oportunidade durante a corrida que acontece neste fim de semana, em Interlagos.

Trata-se de Leonardo Donisete da Silva, hoje estrategista sênior da Mercedes e que trabalha na equipe há nove anos. Durante a passagem da F1 por Interlagos, ele recebeu a equipe do GRANDE PRÊMIO e falou sobre a expectativa para a etapa brasileira, confessando que, na verdade, sempre encara cada evento sem grande espera, e por algumas razões.

“As pessoas sempre me perguntam ‘Como você está se sentindo para esse fim de semana’, e a resposta é sempre ‘Não sei’, porque você só descobre quando o carro anda”, disse Leonardo, explicando, na sequência, que as etapas anteriores fornecem uma espécie de panorama para o fim de semana. É, no entanto, uma previsão inicial.

“Se olharmos os números, por exemplo, a gente prevê que provavelmente a McLaren será o carro mais rápido na corrida, e a gente espera estar 0s2, 0s3 atrás. Ao longo de semana, você revê, coleta dados a cada treino, e aqui tem sprint, então ela é meio que um prelúdio do que vai acontecer no domingo”, continuou.

Leonardo está na Mercedes há nove anos e falou sobre a estratégia durante as corridas (Foto: Evelyn Guimarães/Warm Up)

“Como estrategista, tento levar todos esses problemas da forma mais objetiva possível e tento não me deixar levar pela ideia de que esse evento vai ser bom ou ruim, porque, para mim, não faz diferença, o trabalho meio que é o mesmo”, acrescentou o engenheiro.

Apesar de certa previsibilidade, a intensa operação de toda a Mercedes para preparar o carro da melhor forma possível abre caminho para que a tática escolhida para o fim de semana possa ser convertida em vitória. Nas duas vezes em que a Mercedes terminou este ano no degrau mais alto do pódio (Canadá e Singapura), foi a equipe dominante, e Leonardo vê isso como “a melhor estratégia para qualquer time”.

Mas nem sempre é assim, por isso cada treino é fundamental para que o grupo de estratégia possa “fazer a diferença”, como ele destacou, já que descontar diferenças muito grandes de tempo de um dia para o outro é quase impossível.

“Diria que a gente se diverte mais quando estamos no topo e na briga”, disse Leonardo. “Como estrategista, se teu carro é 0s5 mais rápido que todo o resto, a gente não tem muito o que fazer, então eu sempre brinco que a melhor estratégia de qualquer time é ter o melhor carro, pois resolve todos os problemas, mas nas corridas em que você está no topo e realmente na briga [pela vitória], 0s1 atrás do outro, é quando a gente tem a oportunidade de fazer a diferença”, salientou.

Há também outro fator que sempre traz um tempero e tanto ao GP de São Paulo: a chuva. Para este ano, a previsão maior é para o sábado, que aponta até 80% de chances, mas a probabilidade já variou bastante ao longo dos últimos dias. Nesse ponto, ele explicou ao GP que as informações meteorológicas são checadas pelas equipes nos mesmos portais, por exemplo. “Não tem muito segredo”, acrescentou.

George Russell em Singapura: Mercedes é única que bateu McLaren e Red Bull em 2025 (Foto: AFP)

“Tem algumas considerações que a gente faz. Por exemplo, se você tem a convicção de que a classificação ou a corrida vai ser chuvosa, você pode tomar uma decisão diferente a respeito da asa que você usa. Na classificação, usamos vários pneus macios, mas se temos certeza de que acontecerá no molhado, podemos usá-los em outro lugar. Mas, no geral, diria que sempre tento olhar cada evento da forma mais analítica possível, sem me deixar levar pela expectativa de um ou de outro”, seguiu.

“Outro exemplo que posso dar é Las Vegas. Foi nosso melhor evento [em 2024], então vamos ter uma expectativa ao chegar lá, mas tento o máximo possível não me deixar levar por isso. Se a gente dominar de novo, vai ser perfeito, mas a gente tem de estar preparado para não ser esse o caso”, encerrou o estrategista.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 7 a 9 de novembro, em São Paulo, 21ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações, sprint e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Interlagos para acompanhar todas as emoções da etapa com os repórteres Pedro Henrique Marum, Evelyn GuimarãesLuana Marino e Daniel Balsa.

GP de São Paulo de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre11:3013:3015:3016:30
Classificação sprint15:3017:3019:3020:30
Corrida sprint11:0013:0015:0016:00
Classificação15:0017:0019:0020:00
Corrida14:0016:0018:0019:00

*Horário de Brasília

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