Ex-engenheiro da Williams deseja criar programa de computação que permita a qualquer pessoa projetar carros de F1

Nicolas Perrin chegou a ser engenheiro na Williams e na Manor Marussia, mas seu maior projeto está ainda por nascer. Perrin deseja desenvolver um software que dê oportunidade a pessoas de todo o mundo criarem suas versões da carros da F1 sem que, como fazem as equipes atuais, tenha segredos em IPs trancados

Quem gostaria de projetar e desenvolver um carro de F1 para ir às pistas? Talvez muita gente tenha esse desejo, mas entre força de trabalho, necessidade de espaço e poderio financeiro necessários, o sonho fica distante de ser contemplado. Mesmo assim, há quem se interesse em fazer isso de forma independente. É o caso do engenheiro Nicolas Perrin. 
 
O francês, que teve momentos de trabalho na F1 pela Williams e pela Manor Marussia, tem uma ideia de como deve ser a próxima geração de carros e tem um design básico e um plano. Agora ele quer ajuda de ideias diferentes de projeto. Qualquer um pode contribuir.
 
Não é apenas na F1 que se estende o plano, mas para Le Mans também. Para construir, de fato, um carro da F1, a estimativa é de que um mínimo de cerca de R$ 9 milhões seja necessário. 
 
O método de Perrin é diferente. Ele se pega no fato de que as equipes da F1 trancam certas informações, até de designers de games, na segurança de códigos de IP. Na sua equipa, a qual o lema é 'Somos um time', a ideia é deixar o código de IP aberto. 
Nicolas Perrin (Foto: Sky Sports)
Assim, com o software disponível, ninguém seria dono da propriedade intelectual do carro e todos poderiam criar sua versões. Segundo ele, designers gráficos já estão desenvolvidos. Ele garante que é uma equipe de verdade.
 
"É um time real. Não é virtual no sentido de que só existe na internet. Vai ser um time real com pessoas reais e carros de corridas reais correndo em pistas reais na F1 e em Le Mans.", garantiu em entrevista ao site da TV britânica 'Sky'.
 
"É global, porque pessoas de qualquer lugar do mundo podem se envolver e compartilhar conhecimento, design, comenicação entre todos que querem se envolver. É aberto ao público", seguiu.
 
Mas como seria numa equipe vencedora? As pessoas desenvolvem o projeto, e alguém de renome recebe os louros?
 
"A maioria das pessoas vai usar nosso software como hobby, por diversão ou para aprender. Se alguém realmente talentoso oferecer soluções válidas, vamos considerar um papel de especialista dentro do 'Somos um time' e pagar como um funcionário. Precisamos de uma equipe de especialistas pagos de qualquer jeito. Desse jeito, eles vêm do mundo todo e sabemos que são talentosos", prometeu.
 
Se a equipe um dia vencer, os segredos estão disponíveis para as rivais. Valeria a pena?
 
"O dia que nossos competidores diretos começarem a nos copiar, significa que fomos bem sucedidos no interesse de nos estabelecermos como líderes. Vai ser positivo, e aumentar nossa base – que é o objeitvo – vai criar mais oportunidades", explicou.
 
Mas começar é difícil. Se o projeto for espalhado, no entanto, mais parceiros potenciais podem aparecer. É como no filme 'Campo dos Sonhos': construa, e eles virão. É no que Perrin acredita.
 
"É difícil conseguir as primeiras empresas e parceiros, mas quanto mais confiança você consegue, mas gente chega. E aí, uma vez que você é grande o bastante, podemos ir e falar com os detentores dos direitos da F1 e mostrar que temos toda essa gente, todos esses parceiros e seria bom para o campeonato nos ter. Estou certo de que atingiremos um tamanho que nos permita ter essas discussões, e as portas vão abrir no futuro", continuou.
 
Para Perrin, a Linux é um bom exemplo. Derrotada ano após ano pela Microsoft, focou em outros métodos. Hoje, lidera a tecnologia mobile na parceria com a Android. 
 
"As pessoas trabalhando na F1 ou em mudanças, estão analisando o projeto com um olho positivo. Eles estão vendo para perceber o quão grande pode se tornar. Não somos uma ameaça, é o oposto. E por estarmos nos estágios iniciais, não há problema. Precisamos crescer muito, e acho que muita gente quer ver onde podemos chegar, porque podemos ser uma resposta para alguns dos problemas atuais", encerrou

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