F1 na Espanha põe Mercedes na roda contra Ferrari e McLaren. E Red Bull só observa

A Fórmula 1 viveu uma sexta-feira mais normal em Barcelona e já vislumbra uma batalha real entre Mercedes, McLaren e Ferrari, enquanto a Red Bull apenas acompanha o fluxo, como alguém que espera pelo melhor momento para mostrar as armas. Mas a verdade é que o GP da Espanha tende a revelar a real hierarquia de forças e, se for como nos treinos, o campeonato tem uma nova chance de surpreender o público

A Fórmula 1 enfim dá a largada real para a fase europeia da temporada e a partir de agora será possível ter uma noção mais exata da ordem de forças do grid. É claro que a Red Bull segue ditando o ritmo, especialmente por ter em suas garagens o tricampeão Max Verstappen, mas é igualmente correto dizer que a vantagem de outrora dos taurinos já não existe mais. No entanto, uma questão persiste: qual é a diferença de fato dos líderes? O GP da Espanha tenta entender, aproveitando a passagem por Barcelona, que possui uma das pistas mais completas e conhecidas do calendário. E diante do que se viu nesta sexta-feira, as indicações de que a F1 caminha para uma disputa parelha estão cada vez mais acertadas.

Isso porque o dia começou com a liderança da McLaren de Lando Norris, mas foi o comando de Lewis Hamilton à tarde que deixou a sensação de um equilíbrio maior. Sem condições adversas, como no Canadá, o primeiro dia de atividades na Catalunha serviu para desenhar um esboço do que o fim de semana promete. A Mercedes, de novo, se mostrou rápida e deu a entender que quer briga. É bem verdade que os alemães não levaram nenhuma grande atualização, mas têm um assoalho revisado e focaram no acerto aerodinâmico, tentando tirar o máximo de performance da inovadora asa dianteira, que parece, enfim, entregar o ritmo que os engenheiros imaginaram. Quer dizer, as novidades introduzidas entre Mônaco e Montreal seguem funcionando bem. O W15 ainda apresentou forte desempenho nas curvas de alta velocidade e parece mais à vontade em temperaturas mais elevadas, apesar dos temores de Hamilton.

O heptacampeão obteve o tempo mais rápido do dia em 1min13s264 em cima dos compostos vermelhos macios. O piloto do carro #44 ainda tentou esticar a simulação de classificação, mas não foi tão bem sucedido. De fato, para a disputa da pole, encontrar a melhor janela de funcionamento dos pneus será um ponto ainda mais importante em um piso abrasivo e exigente como o do traçado catalão. “O TL2 foi muito melhor, o carro estava ótimo. A pista estava muito quente, então foi difícil para os pneus, especialmente nos long runs. No geral, porém, não senti que estávamos muito longe de entrar na briga na frente”, disse o inglês.

Embora realmente tenha um ritmo de classificação cautelosamente interessante, a Mercedes ainda mostrou um déficit que variou entre 0s2 a 0s4 em relação ao desempenho em condições de corrida para McLaren e Red Bull. Mesmo assim, a equipe de Toto Wolff enxerga o copo meio cheio. “Tivemos um primeiro dia sólido na pista aqui em Barcelona. Demos um passo à frente com as atualizações que levamos para Mônaco e Montreal, mas tem sido encorajador ver que o carro está funcionando bem em uma pista com muitas curvas de alta velocidade”, explicou Andrew Shovlin, diretor de engenharia do time.

“Nosso ritmo em volta lançada parece competitivo e bastante próximo do de outras equipes. É sempre difícil saber onde você está na sexta-feira, dada a variedade de modos de potência [do motor] e cargas de combustível. Mas já tivemos bons primeiros dias seguidos de uma classificação complicada”, alertou.

De toda a forma, os alemães estão próximos, o que se torna também uma questão para a Ferrari. A escuderia desembarcou na Espanha com o objetivo de apagar para sempre o desastre do GP do Canadá, em que terminou zerada. Por isso, os comandados de Frédéric Vasseur entregaram um pacote de peças novas dos mais agressivos. A principal mudança na SF-24 foi feita na asa traseira, com a introdução de um mecanismo que permite mais mobilidade e oferece mais downforce em pistas de alta velocidade. O time de Maranello também traz modificações no assoalho, difusor e até na geometria do halo para buscar maior eficiência aerodinâmica.

Por conta dos novos elementos, os ferraristas optaram por dividir os trabalhos entre a dupla de pilotos, para uma comparação mais precisa das mudanças. Portanto, no primeiro treino do dia, apenas Carlos Sainz andou com as atualizações. Charles Leclerc ficou com a versão mais antiga, com exceção da asa traseira. O monegasco não se acertou com essa esquisita configuração, enquanto o espanhol pareceu mais confortável. Na sessão complementar, o dono do carro #16 recebeu o pacote completo e também enfrentou problemas. Ficou nítido que há um trabalho ainda a ser feito na Ferrari de Leclerc. De todo modo, Sainz foi apenas 0s022 mais lento que Hamilton no TL2. Charles, no entanto, fechou em sexto.

Em termos de ritmo de corrida, a equipe vermelha está muito bem, poucos milésimos atrás dos taurinos. “Parece tudo muito acirrado com a Mercedes, vai ser disputado, afinal, nas últimas duas corridas, por 0s1, perde-se duas, até três posições e acho que será assim até o final da temporada. O que significa que temos de colocar todos os recursos para fazer um bom trabalho e tudo funcionar na pista”, afirmou Vasseur.

Carlos Sainz foi o segundo melhor do dia com uma Ferrari totalmente revisada (Foto: Ferrari)

A Ferrari está de volta à disputa e deve novamente entrar em confronto com a McLaren, que continua muito forte. E apesar de não entregar atualizações em Barcelona, o MCL38 exibiu uma bela performance em volta única. Terceiro colocado na tabela, Norris ficou a apenas 0s055 de Hamilton. O repaginado carro laranja tem como característica principal a versatilidade, por isso não deve encontrar dificuldades particulares em Barcelona e estará na briga da pole. A simulação de corrida também coloca o time em posição de força, ainda que apareça apenas um pouco atrás das rivais Ferrari e Red Bull.

“Um dia útil de treino em Barcelona. Não tivemos grandes problemas, completamos nosso programa todo, o que inclui ajustar o acerto ideal do carro, fundamental em uma pista com curvas longas e nessas condições de calor. Trabalhamos bem os pneus, a janela dos macios para classificação, as melhores escolhas na corrida. Acho que temos boas informações que vamos estudar durante a noite”, confirmou o chefe Andrea Stella.

Acertadamente, o italiano reforçou a visão de que as equipes principais do grid estão em condições parecidas mais uma vez. “A briga lá na frente parece muito apertada, como tem sido ultimamente.”

Então, há a Red Bull. Os líderes do campeonato ficaram longe da ponta da folha de tempos no segundo treino. Verstappen foi o quinto, a 0s240 de Hamilton, enquanto Sergio Pérez terminou apenas em 13º. Os taurinos também levaram novidades para a Espanha, tentando solucionar as falhas de freios e solavancos. O RB20 é mais severo do que o carro anterior e, portanto, menos dócil. Até por isso, os engenheiros em Milton Keynes trabalharam muito em um novo sidepod, capaz de explorar com mais eficiência a pressão da entrada de ar para atingir um melhor nível de resfriamento, sobretudo por conta do calor europeu. A equipe também precisou fazer alterações no assoalho para acomodar o novo equipamento. As asas também sofreram mudanças, e Verstappen foi quem testou as duas versões. O holandês acabou ainda optando pelo conjunto antigo de asas.

Lando Norris se saiu bem nos treinos livres da sexta-feira na Espanha (Foto: McLaren)

Por conta do trabalho de comparação, Max enfrentou mais um dia de treinos pouco linear. Reclamou muito da instabilidade do carro azul marinho e pediu mudanças. Mas não se engane, a Red Bull ainda está no comando do jogo e, neste sábado, deve encontrar performance, sobretudo o tricampeão. “Acabamos por experimentar algumas configurações, então estamos apenas tentando fazer o ajuste fino. Não tivemos nenhum problema, o que é bom. Então, fomos ajustando as coisas.”

É um otimismo que assusta as rivais, especialmente diante do apuro que os energéticos viveram nas últimas provas — mesmo na vitória no Canadá. Agora, entretanto, o cenário na garagem austríaca parece menos dramático e, sim, o favoritismo segue por ali, mas se seguirá como antes é o que a classificação deste sábado começa a responder.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP da Espanha de Fórmula 1 e transmite classificação e corrida em segunda tela, em parceria com a Voz do Esporte, na GPTV, o canal do GP no Youtube. Além disso, debate tudo que aconteceu na pista com o Briefing após treinos livres e classificação, além de antes e depois da corrida. No sábado (22), o TL3 será às 7h30 (de Brasília, GMT-3), ao passo que a classificação está marcada para as 11h. Por fim, a largada está marcada para as 10h do domingo.

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