Ferrari afirma que foi “interessante” analisar assoalho da Red Bull: “Fez coisas diferentes”
A batida de Sergio Pérez em Mônaco revelou ao mundo as soluções encontradas pela Red Bull para otimizar a força aerodinâmica do seu assoalho — um trabalho observado de perto pela rival Ferrari
O retorno do efeito-solo à Fórmula 1 em 2022 transformou o assoalho em uma parte vital para o sucesso aerodinâmico do carro. E foi a Red Bull a equipe que melhor conseguiu desenvolver o conceito nos últimos dois anos graças às soluções encontradas pelo projetista Adrian Newey e companhia — muito diferentes das demais equipes, na análise do diretor-técnico da Ferrari, Enrico Cardile.
Como o assoalho fica por baixo do carro, é praticamente impossível ter acesso ao trabalho do adversário, a menos que o bólido seja içado por algum motivo — geralmente, um reboque que não possa ser feito sem a ajuda de um guindaste. E foi exatamente isso que aconteceu na classificação do GP de Mônaco, sexta etapa da temporada 2023.
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Ainda no Q1, Sergio Pérez perdeu o controle do carro na Sainte Dévote e bateu forte, dando início à inglória sequência de cinco GPs fora do Q3. Só que o pior foi ver RB19 nas alturas, uma vez que as ruas Monte Carlo dificultam a retirada de um carro da pista.
As imagens do assoalho da Red Bull rapidamente viralizaram nas redes sociais e fizeram a alegria das demais equipes do grid — a Mercedes, por exemplo, admitiu que tratou de assegurar um bom pacote de fotos para estudar o trabalho da arquirrival.

“Faz parte do nosso trabalho analisar os carros dos nossos adversários, então é mais uma foto na nossa base de dados”, disse Cardile à revista alemã Auto Motor und Sport sobre as fotos tiradas em Mônaco. “Mesmo que nossos carros sejam diferentes, foi interessante analisar o assoalho da Red Bull porque eles fazem muitas coisas de um jeito diferente dos outros”, acrescentou, ressaltando que “para tirar proveito de uma foto, é preciso vê-la com os óculos certos”.
“Você tem de se desligar do seu próprio carro e ver a imagem geral. Uma cópia individual nunca funcionou, menos ainda com estes carros, onde milímetros podem fazer uma grande diferença. Mas podemos tentar entender o que eles estão querendo alcançar com esses formatos e se inspirar”, completou Cardile.
Coincidentemente, a Ferrari foi a única equipe a vencer além da Red Bull em 2023, com Carlos Sainz no GP de Singapura. Fora isso, os taurinos impuseram um domínio jamais visto na categoria, levando 21 de 22 corridas realizadas.
Para 2024, o time de Maranello prometeu alterações profundas, ainda que evite o termo ‘revolução’ pela ausência de mudanças no regulamento. O diretor-técnico, no entanto, já havia confirmado que a Ferrari terá nas pistas um carro “totalmente novo”.
“A Red Bull é o melhor exemplo de que existe carro versátil. Só é preciso trabalhar duro e ter os objetivos certos”, concluiu.
A Fórmula 1 volta às pistas de 21 a 23 de fevereiro para a realização dos testes coletivos das pré-temporada, no circuito de Sakhir, no Bahrein.
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