Ferrari crê que equipes “subestimaram” força dos quiques causados pelo efeito-solo

Apesar da preocupação com instabilidade, o chefe de Ferrari, Mattia Binotto, afirmou que a solução para o problema é teoricamente simples

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Utilizado de maneira recorrente no início da década de 1980, o termo ‘porpoising’ novamente é destaque no paddock da Fórmula 1. A palavra está diretamente ligada ao efeito-solo e despertou atenção em Mattia Binotto, chefe de equipe da Ferrari, durante os testes em Barcelona. Na verdade, o ‘porpoising’ – ou quiques, num bom português – foi um dos principais assuntos da semana.

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O motivo é que, com o retorno do efeito-solo, os novos carros, em contato com oscilações na pista, estão entrando em estado estol, termo utilizado na aviação. O estado de estol é gerado quando uma maior quantidade de ar é canalizada na área superior do carro em comparação com a inferior, o que faz o eixo dianteiro subir e descer diversas vezes, semelhantes aos quiques dos golfinhos em alto mar.

Nos testes de Barcelona os pilotos sentiram a força dos saltos durante a pilotagem em alta velocidade na superfície da reta principal do Circuito de Montmeló. É um movimento que causa perda repentina de carga aerodinâmica nos carros. Assim, os quiques.

Ao notar o impacto dos quiques, o chefe da Ferrari afirmou que as equipes não consideraram o problema com antecedência. “Acho que a maioria de nós pelo menos subestimou o problema e agora estamos na fase de aprendizado”, afirmou. O italiano também revelou que o corpo técnico ferrarista já está em busca por soluções.

“A solução é teoricamente simples, otimizando o desempenho e tentando evitar o salto do carro. Mas pode ser um exercício menos fácil do que se pensa. Tenho certeza de que a equipe chegará a uma solução em algum momento, mas ainda não sabemos quanto tempo levará. E, quem chegar primeiro, acho que poderá contar com vantagem considerável no início da temporada”, acrescentou.

Em contrapartida, o chefe da Alfa Romeo, Fréderic Vasseur, ressaltou que esse efeito não é simples de ser simulado durante as avaliações no túnel de vento ou nos testes no simulador, o que pode ser uma das justificativas para as equipes terem sido pegas de surpresa. “Alguns comportamentos não são fáceis de imitar no túnel de vento ou no simulador. Todos enfrentamos o mesmo problema”, disse.

Apesar disso, Vasseur segue a linha de Binotto ao afirmar que o ‘porpoising’ tem uma solução que não é complexa e destacou que quem conseguir resolver o problema com antecedência vai levar vantagem. “Não é um grande dilema técnico, ser eficiente é que será a chave. A velocidade com que a equipe vai reagir será crucial para poder ir bem nas primeiras corridas. Tenho certeza que depois de três ou quatro grandes prêmios não falaremos mais sobre esse porpoising, mas é a questão do momento”, concluiu a figura que dá as ordens na Ferrari.

O GRANDE PRÊMIO cobre in loco a primeira semana de testes da Fórmula 1 no Circuito de Barcelona-Catalunha com Eric Calduch. Além disso, o GP acompanhou tudo AO VIVO e EM TEMPO REAL.

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