Ferrari diz que entrada da Andretti na F1 só valeria a pena por “razões mega boas”
Frédéric Vasseur questiona a entrada da Andretti-Cadillac na categoria, alegando que a equipe americana traria pouco valor financeiro e diluiria o fundo de premiação
A entrada de novas equipes no grid da Fórmula 1 nos próximos anos não está sendo bem aceita pelos times atuais da categoria. Mesmo um grande nome tentando entrar como a Andretti-Cadillac, as discussões sobre o aumento no número de carros se mantém. Entre os dirigentes que permanecem céticos sobre o assunto, está o chefe de equipe da Ferrari, Frédéric Vasseur, que questiona o valor que a equipe americana adicionaria ao esporte.
O time de Michael Andretti é uma das cinco equipes que apresentaram uma “Declaração de Interesse” à FIA (Federação Internacional de Automobilismo), um processo de seleção administrado pelo órgão regulador que visa avaliar a conformidade do projeto de uma equipe na F1.

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“Minha posição é que as 10 equipes atuais fizeram grandes esforços para estar no grid, mesmo quando era difícil a sobrevivência na categoria para algumas delas. Agora, se tivermos de receber outra equipe, deve ser por razões mega boas”, analisou Vasseur antes do GP da Inglaterra deste fim de semana.
A Andretti acredita ter todos os ingredientes e recursos – técnicos e financeiros – para se tornar um concorrente vencedor na F1, além da notoriedade e do DNA da família fundadora, profundamente enraizados em décadas de sucesso no automobilismo americano.
Mas o dirigente da Ferrari não vê motivo para aceitar uma 11ª equipe no esporte que diluiria o atual fundo de premiação da Fórmula 1 só por sua origem. “O fato de ser uma equipe americana não é um bom motivo. Porque, para mim, em primeiro lugar, já temos um time dos EUA, graças à Haas. E o segundo é que, se você quer ficar mais popular em um país, se trata dos pilotos”, disse Vasseur.
“Veja o que aconteceu na Holanda. É o maior sucesso do mundo hoje, e eles não têm uma equipe, eles têm o Max [Verstappen]. Acredito que, em primeiro lugar, já temos um bom sucesso nos EUA. Porém, se você quer aumentar o sucesso lá, é mais uma questão de ter um piloto americano, para mim. Não é sobre uma equipe”, explicou.
Vasseur comentou ainda que sua posição seria a mesma ainda que um grande fabricante procurasse entrar na categoria. “Se alguém quiser entrar agora, também tem de beneficiar a todos no paddock. Isso significa que eles têm de trazer algo para a F1. Não acho que a nacionalidade da equipe seja uma vantagem”.
Os esforços da Andretti-Cadillac são pessoalmente apoiados pelo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem. O dirigente argumenta que, se o pedido de entrada da equipe passar por todos os rigorosos critérios estabelecidos pelo órgão regulador, ele não pode rejeitar um projeto apoiado pela empresa-mãe da Cadillac, a General Motors [GM].
Além de Vasseur, Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, também questionou a verdadeira contribuição da gigante dos automóveis americana para o projeto da Andretti na Fórmula 1. A GM é uma grande marca, mas estou interessado em saber qual é o modelo [de negócio] deles. Não presumo que eles vão construir uma instalação como a nossa. Acredito que seja apenas um reforço de marca”, disse o dirigente inglês ao Motorsport.com.
Horner também acredita que a associação da GM com a Andretti não é comparável à parceria da Ford com a Red Bull e que a questão financeira ainda impera na decisão. “A Ford não está fingindo ser uma participante da Fórmula 1. A GM está associada à Andretti no momento, que atualmente não tem uma vaga. Agora, a FIA conduzirá seu processo. Acho que, como em todas essas coisas, há a questão logística de como acomodar a 11ª equipe. Mas a realidade é que tudo se resume a quem vai pagar por isso? E se isso diluir [o dinheiro] entre as 10 equipes existentes, é claro que teremos um problema com isso. A Liberty Media não vai querer diminuir sua parte da receita. Então é aí que chegamos a um impasse”, completou o inglês de 49 anos.
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