Ferrari volta a vencer e retoma ritmo forte, mas por que ainda não é o suficiente?

A Ferrari iniciou a fase crítica da temporada antes da pausa das férias com duas vitórias importantes. Só que o sabor após Inglaterra e Áustria ainda é agridoce. Isso porque a escuderia bate-cabeça no pit-wall e tem na confiabilidade seu calcanhar de Aquiles

Depois da forma estelar com que se apresentou no GP da Austrália, ainda em abril, a Ferrari entrou em uma espiral de erros e problemas que parecia sem fim. Tanto que precisou de sete corridas para voltar a triunfar na Fórmula 1 – as duas vitórias deste começo de julho recolocaram a equipe italiana na briga, mas ainda de forma reticente. Embora tenha mostrado força no Red Bull Ring com o triunfo de Charles Leclerc, a comemoração não pode ser completa. A sensação é que os italianos deixaram escapar mais uma chance de virar o jogo, foi uma espécie de ‘empate’ na casa do adversário. A quebra de Carlos Sainz, quando já se aproximava de um possível segundo lugar, foi dolorosa e permitiu que a rival taurina perdesse pouco em um cenário de derrota em casa.

E isso acontece porque a escuderia possui arestas essenciais a serem aparadas, apesar da evolução feita em diferentes partes da F1-75. Ainda que a Ferrari tenha tomado decisões atrapalhadas no pit-wall, como aconteceu em Mônaco e na Inglaterra, por exemplo, onde os estrategistas impediram que Leclerc pudesse vencer, os abandonos por problemas mecânicos foram mais custosos ao longo dessa primeira parte de temporada. É fator de preocupação também entender que esses danos afligem mais à unidade de potência – é verdade que os italianos investiram demais nos motores para encarar a maior velocidade de reta da Red Bull e foram bem-sucedidos, mas é igualmente certo dizer que isso teve seu preço, muito mais em um momento que o desenvolvimento das peças está congelado. A boa notícia é que o regulamento permite mudanças para aprimorar a confiabilidade, e é nisso que trabalham os engenheiros em Maranello.

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Carlos Sainz sofreu uma falha de motor e abandonou o GP da Áustria. A unidade de potência da Ferrari estourou e quase causou um incêndio (Vídeo: F1)

O caso é que Leclerc e Sainz já foram obrigados a deixar corridas por problemas de motor duas vezes cada em 2022. O monegasco abandonou na Espanha e no Azerbaijão. Já o espanhol saiu da disputa também em Baku e, mais recentemente, na Áustria. Em todas essas oportunidades, a Red Bull venceu. Essa balança pesa no seguinte ponto: os taurinos têm lá suas dores de cabeça também, mas foram capazes de capitalizar mais nos fracassos da adversária italiana.

Um exemplo: quando deixou a disputa dos GPs do Bahrein e da Austrália com problemas, Verstappen não figurava na ponta e sequer vinha com chances reais de vitória. Agora, no cenário ferrarista, Leclerc liderava as etapas espanhola e azeri. E ao menos em Barcelona, repetia o domínio apresentado na Austrália.

Diante disso, o Mundial de Pilotos apresenta Verstappen com 208 pontos contra 170 de Leclerc, mas se considerar os abandonos, o monegasco poderia estar mais perto ou até na frente do holandês. O mesmo vale para o Mundial de Construtores. “A Ferrari poderia muito bem ter feito uma dobradinha aqui”, cutucou o chefe da Red Bull, Christian Horner, após a derrota para os vermelhos na Áustria. “E ainda sobre isso, foi um caso bem-sucedido para nós em limitar o prejuízo.”

De forma geral, é assim que o campeonato se desenha, com a Red Bull tirando proveito das mazelas da oponente. É justo dizer, no entanto, que os austríacos seguem em um trabalho sólido, sobretudo no que diz respeito ao campeão do mundo.

E como desgraça pouca é bobagem, a Ferrari está de novo diante de um dilema. Entende-se que o motor estourado de Sainz no Red Bull Ring enfrentou a mesma falha que acometeu a unidade de Leclerc no GP do Azerbaijão – logo depois, já no Canadá, os italianos optaram por uma troca completa para a quarta versão, o que implicou em uma punição. Talvez o mesmo aconteça agora com o madrilenho. “É possível que o defeito seja o mesmo do motor de Leclerc em Baku. Na Áustria, podíamos ter marcado mais uma dobradinha e não o fizemos. Isso é a prova de que ainda não estamos a salvo de problemas de confiabilidade, temos de trabalhar ainda mais nisso. Agora vamos analisar o que aconteceu com Carlos e vamos tentar entender para encontrar soluções de curto prazo”, afirmou o chefe Mattia Binotto.

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Chefe da Ferrari, Mattia Binotto admitiu preocupação com as quebras de motor em 2022 (Foto: Ferrari)

Sim, é isso. A Ferrari precisa de soluções rápidas porque tem nas mãos um carro muito rápido e que já consegue igualar os pontos fortes da concorrência, com um aliado importante: o ótimo gerenciamento de pneus. Aspecto esse que foi fundamental na vitória do último domingo. Então, ao mesmo tempo que possui um foguete nas garagens, a Ferrari festeja e teme pelo pior. “No que diz respeito ao motor, estamos enfrentando alguns problemas de confiabilidade, só que é um motor congelado para as próximas temporadas, mas podemos consertar a confiabilidade. Nos últimos meses, pressionamos muito o desempenho. É uma preocupação”, explicou o dirigente.

“Não tenho vontade de apontar o dedo para ninguém, muito pelo contrário. Vamos trabalhar para melhorar a confiabilidade, e acho que já conseguimos fazer um pouco disso. Muitas vezes não há soluções no motor que se encontrem em poucos dias. Existem peças a serem modificadas, redesenhadas, produzidas e homologadas. O processo é longo. Mas temos uma base excelente também para as próximas temporadas, e isso é muito importante”, acrescentou.

De fato, a Ferrari tem todos os elementos, mas corre contra o tempo.

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