F1

FIA anuncia novo regulamento da F1 com motor mais barulhento e barato a partir de 2021. Mas mantém V6 turbo

Na tarde desta terça-feira (31), a FIA anunciou às equipes e às montadoras interessadas as bases do novo regulamento de motores para valer a partir de 2021. As unidades motrizes vão ser mais baratas e acessíveis às fornecedoras. As novidades são poucas em relação a tudo o que se discutiu. O sistema turbo vai continuar sendo simples — e não biturbo, como chegou a ser discutido. Uma mudança é a remoção do MGU-H e o aumento da rotação em 3000 rpm, para buscar um ronco mais forte e atrair mais fãs
Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré
 A largada do GP do México (Foto: Mercedes)

A nova era de motores da F1 foi apresentada às equipes e montadoras nesta terça-feira (21), em Paris. O regulamento, que vai entrar em vigor a partir da temporada 2021, tem como principal objetivo tornar as unidades motrizes mais baratas e acessíveis, a ponto de atrair mais fábricas para o Mundial. Porsche e Aston Martin, por exemplo, já se mostraram interessadas. Um dos pontos debatidos, o motor biturbo, não vai ser adotado. A solução vai continuar sendo o V6 turbo simples, com a remoção do MGU-H, o gerador de energia do motor. Outra novidade é o aumento das rotações em 3000 rpm — hoje é de cerca de 15000, avançando para 18000 —, com a intenção clara de elevar o ronco dos motores para deixar o esporte em si mais atraente.

Segundo o comunicado emitido pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), os objetivos das novas regras incluem redução de custo, manutenção da relevância rodoviária com tecnologia híbrida, melhora do som dos carros e apelo aos fãs”. Os representantes das fábricas interessadas foram apresentados ao roteiro para o desenvolvimento da próxima geração de motores da F1.

A FIA ainda diz que as propostas compartilhadas nesta terça-feira foram desenvolvidas em conjunto com a F1 em si usando dados e conhecimento das equipes, fornecedores de unidades de potência e especialistas externos, e o quadro geral para a definição da unidade motriz para 2021 vai ser definido e publicado pela FIA no fim de 2017.
Os detalhes do motor híbrido da F1, que vai sofrer mudanças para 2021 (Arte: Renault Sport F1)
“Hoje foi uma dia chave no desenvolvimento da regulamentação dos motores para 2021. A FIA tem trabalhado para definir avanços positivos nessas regras que mantém a F1 como o lugar máximo da tecnologia no esporte a motor ao mesmo tempo que trata dos custos, da importância das pistas e da experiência dos fãs nos circuitos. Sentimos que era importante trazer as equipes para a discussão e explicar a direção que estamos tomando. Ficamos felizes com a reposta que recebemos", explicou Peter Bayer, secretário-geral da FIA.

Mas o trabalho não para por aí. O desenvolvimento dos principais pontos da nova configuração de motores da F1 vai ter sequência ao longo dos próximos 12 meses. Contudo, o começo do projeto e desenvolvimento da unidade de potência em si não vai ser possível até que todas as informações estejam liberadas pela FIA ao fim de 2018. A intenção de segurar as informações é garantir que as atuais fornecedoras envolvidas com a F1 — Ferrari, Mercedes, Renault e Honda — permaneçam focadas no desenvolvimento da especificação atual de motores.
Os motores vão ficar mais baratos na F1 em 2021 (Foto: Reprodução)
“O motor para 2021 é um exemplo do futuro que temos com a FIA como regulamentadora, da F1 como produto comercial, das equipes e fábricas como partes interessadas, e como todas trabalharão juntas pelo bem do esporte. A proposta apresentada hoje é o resultado de uma série de reuniões que ocorreram durante 2017 com as equipes atualmente na F1 e com as fábricas que mostraram interesse em participar da F1", disse o diretor-esportivo da F1, Ross Brawn. 
 
"Ouvimos, também, e cuidadosamente, o que os fãs pensam sobre os motores atuais e o que eles gostariam de ver num futuro próximo, com o objetivo de estabelecer regras que proverão um motor mais simples, barato e mais barulhento e criar condições para facilitar novas fábricas a entrar na F1, para que possamos nivelar mais o esporte. O novo alvo da F1 é ser o líder global em esportes juntamente com ser líder em tecnologia esportiva. Para animar, trazer os fãs de todas as idades para o esporte, mas de maneira sustentável. Acreditamos que o novo motor alcançará isso", completou o dirigente.
Ross Brawn está no meio da organização dos novos motores para 2021 (Foto: Twitter)
Entre o fim de 2017 e todo o ano de 2018, a FIA vai atuar em conjunto com a F1 em si e as equipes para começar a estabelecer testes de unidades de energia, bem como restrições de desenvolvimento, além de outras medidas com a clara intenção de conter custos.

Cabe salientar que a FIA, no documento apresentado, não menciona quais as montadoras presentes à reunião, sobretudo as que ainda não fazem parte do Mundial, mas que se mostraram interessadas. As fábricas foram apresentadas às novas especificações que vão entrar em vigor dentro de quatro temporadas, às quais são:
 
- Motor 1,6 L V6 turbo híbrido;
- [Aumento de] 3000 rpm , maior velocidade de rotações do motor para melhorar o som;
- Parâmetros internos de projeto prescritos para restringir custos de desenvolvimento e desencorajar projetos mais agressivos;
- A remoção do MGU-H;
- MGU-K mais potente com foco no uso manual na corrida junto com a opção de economizar energia ao longo de várias voltas para dar ao piloto um elemento de controle tático;
- Turbo único com restrições dimensionais e limite de peso;
- Armazenamento de energia e controle eletrônico padronizados;
- Alto nível de design externo prescrito para dar capacidade de troca de mecanismo em motor, chassi e transmissão;
- Intenção de investigar regulamentos mais restritivos de combustível e limite no número de combustíveis utilizados.

Ao longo de todas as reuniões realizadas para debater os pontos-chave do novo regulamento de motores, desde março deste ano, várias marcas mostraram interesse. Nomes históricos no automobilismo como Porsche, Aston Martin, Audi, Alfa Romeo e Cosworth, bem como a Ilmor, chefiada por Mario Illien, conhecido como o ‘Mago dos Motores’. A Lamborghini, por meio de Stefano Domenicali, também acompanhou as discussões.
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