FIA mais rígida e asa menos flexível: como McLaren perdeu ritmo após sobrar na Austrália
A McLaren apresentou uma queda acentuada de velocidade nas retas no GP da China, o que pode ter sido uma consequência direta da implementação de regras mais restritas sobre a flexibilidade da asa traseira
Depois de um fim de semana dominante na Austrália, onde só não conquistou uma dobradinha com tranquilidade graças às condições mistas do circuito, a McLaren enfim conseguiu marcar o primeiro 1-2 da temporada na China, mas o ritmo, estranhamente, não era mais o mesmo. Com a distância do terceiro colocado – George Russell – para o vencedor Oscar Piastri ficando na casa dos 11s, e em uma prova livre de maiores incidentes, algo parece ter acontecido com o MCL39 de uma semana para a outra.
E, de fato, aconteceu. Segundo o portal The Race, a McLaren foi uma das equipes afetadas pela maior restrição da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) com a flexibilidade das asas traseiras. No ano passado, a equipe foi alvo de uma polêmica ao redor do ‘mini-DRS’ que era gerado por conta da distorção da asa em retas longas e trechos de alta velocidade.
Com a FIA de olho em possíveis brechas no regulamento técnico, as restrições ficaram maiores para o GP da China. No fim de semana em Xangai, a federação estabeleceu que a distância máxima permitida entre a placa do DRS e a base fixa da asa é de 0,75mm. Essa medida vai ser encurtada para 0,5mm já para a próxima rodada, no Japão.
Com a primeira modificação acontecendo entre os fins de semana da Austrália e da China, a FIA revelou que “quatro ou cinco” equipes precisaram modificar a asa traseira para se adequar às novas medidas. De acordo com o The Race, a McLaren estava nesse grupo.

“Algumas equipes já estavam bem com os novos testes de conformidade na Austrália, mas acho que quatro ou cinco não estavam e tiveram de tomar algumas medidas, e testamos todas elas”, explicou o diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis.
“Vimos uma correlação bastante clara entre a deflexão medida pelo teste da FIA e o que vimos com as câmeras onboard. Então, as equipes que estavam exibindo uma grande quantidade desse fenômeno, que medimos na Austrália, não estariam em conformidade [na China]. Passaram nos testes da Austrália, mas não teriam passado neste teste se não tivessem tomado medidas novamente”, esclareceu Tombazis.
O diretor da FIA desconversou quando perguntado se a McLaren estava nesse grupo de equipes que precisaram modificar a asa traseira, mas fato é que a velocidade em linha reta em Xangai estava bem abaixo. Os dados, inclusive, colocam o MCL39 como um dos carros mais lentos em linha reta na rodada da China.
Enquanto a velocidade mais alta atingida pela equipe papaia foi de 332,7km/h, com Lando Norris, a Red Bull de Max Verstappen, por exemplo, chegou à marca de 339,6km/h. Obviamente, com a asa mais firme e com menos distorção, é de se esperar que o arrasto no carro aumente como consequência.

Apesar disso, a McLaren ainda nega que tenha feito mudanças para a corrida na China, mesmo reconhecendo que a FIA ficou de olho na asa traseira da equipe.
“Felizmente, fomos testados em Melbourne, e os números que a FIA escolheu para colocar na diretiva técnica são mais altos do que a deflexão que vimos”, comentou Neil Houldey, diretor-técnico de engenharia da equipe.
Já o chefe da McLaren, Andrea Stella, resumiu as dificuldades da equipe na China e destacou problemas de “comportamento dos pneus e equilíbrio do carro”.
“O carro ainda não é fácil de dirigir com pneus novos. No primeiro dia na China, encontramos alguns problemas com o comportamento dos pneus e o equilíbrio do carro. Tivemos de fazer mudanças e pedir aos pilotos que adaptassem sua abordagem”, detalhou.

Apesar de fugir do assunto da asa traseira, Stella lamentou ao finalizar assegurando que a McLaren “não foi dominante na China, nem na classificação nem na corrida”.
A Fórmula 1 retorna entre os dias 4 e 6 de abril em Suzuka, palco do GP do Japão, terceira etapa da temporada 2025.
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