FIA espera que sanção à Red Bull impeça times de “tentar encobrir” violação ao teto de gastos

Mohammed Ben Sulayem disse que a FIA procurou não deixar nada escondido para que as equipes da Fórmula 1 não usassem de brechas para furar o limite orçamentário da categoria no futuro

O teto de gastos deu o que falar na Fórmula 1 em 2022, sobretudo após a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) tornar público que duas equipes do grid violaram as regras referentes ao limite orçamentário na categoria, Aston Martin e Red Bull. Na visão de Mohammed Ben Sulayem, um processo que foi conduzido pela entidade com “muita transparência” para que ninguém tente deixar “algo encoberto” no futuro.

O presidente da federação falou sobre o assunto aos jornalistas presentes no Rali Dakar. Ben Sulayem explicava que considera o teto de gastos um artifício capaz de nivelar a performance entre as equipes de uma maneira muito mais justa do que, por exemplo, um ajuste de equivalência de tecnologia — medida adotada no Dakar para os SUVs elétricos da Audi e que gerou polêmica.

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A Red Bull terá, no mínimo, 10% a menos de túnel de vento que as rivais (Foto: Red Bull Content Pool)

“Não é uma tarefa fácil, fazer essa equivalência de tecnologia ou equilíbrio de performance”, começou o mandatário. “A única coisa que posso dizer que está funcionando e temos fiscalizado é o teto de gastos”, salientou.

“O que aconteceu com Red Bull e Aston Martin foi muito claro. Nos certificamos de que nada ficasse escondido, e fomos muito transparentes”, frisou Ben Sulayem.

O time de Lawrence Stroll foi multado em US$ 450 mil (cerca de R$ 2,3 milhões, na cotação atual) por ter cometido uma falha processual. Já os taurinos não só receberam uma multa maior (equivalente a R$ 35 milhões) como ainda perderam 10% de tempo de túnel de vento por terem estourado o limite da temporada 2021, fixado na ocasião em US$ 145 milhões (R$ 740 milhões).

“Investigamos a equipe, fizemos a checagem, passamos por todo o processo e tornamos isso público a todos. Espero que ninguém use o teto de gastos para tentar encobrir as coisas. Agora as equipes estão bem esclarecidas de que a FIA está lá como órgão regulador. Essa é a nossa beleza, a nossa responsabilidade”, continuou o dirigente.

O principal argumento para a introdução do limite orçamentário é aproximar os times em termos de desempenho. Na teoria, tem criado algumas dores de cabeça para os ponteiros, uma vez que a própria Red Bull declarou que precisou mudar o desenvolvimento para se adaptar à nova regra. A Ferrari também admitiu que precisou parar a evolução da F1-75 para não estourar o montante.

“Quando se trata de limite de custo, há apenas uma coisa: tem de dar certo”, disse. “Sim, a diferença é grande [entre as equipes], mas temos de pressionar mais para garantir que os outros times alcancem os grandes”, encerrou Ben Sulayem.

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